Dilma Rousseff

Primeira mulher a se tornar presidente da República do Brasil

Dilma Rousseff é uma economista e política brasileira, eleita em 2010 a 36ª presidente da República Brasil. Ela ocupou o cargo de presidente de 2011 até seu afastamento por um processo de impeachment em 2016.

Primeira mulher a presidir o Brasil, Dilma iniciou sua trajetória política ainda na adolescência, participando de atividades políticas no movimento estudantil. Aos 16 anos ela combatia a Ditadura Militar estabelecida no Brasil em 1964.

Biografia

Dilma Vana Rousseff nasceu no dia 14 de dezembro de 1947, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ela é filha do imigrante búlgaro Péter Russév, que naturalizado tornou-se Pedro Rousseff, e da professora Dilma Jane da Silva.

Dilma Rousseff
Foto oficial da presidente Dilma Rousseff (Foto: Wikipédia)

Dilma iniciou os estudos no tradicional Colégio Nossa Senhora de Sion e cursou o ensino médio no Colégio Estadual Central, centro de estudantil da capital mineira na época. Dilma Rousseff iniciou sua trajetória política como integrante de organizações de combate ao Regime Militar.

Desde a adolescência Dilma Rousseff começou se interessar por ideais socialistas. Entre os anos de 1964 a 1985, ela atuou em movimentos revolucionários contrários à Ditadura Militar no Brasil.

Em 1969, Dilma conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem se casou e teve uma filha. Juntos, eles sofreram perseguição da Justiça Militar. Condenada sob a acusação de subversão, Dilma Rousseff cumpriu pena de quase três anos, no presídio de Tiradentes, em São Paulo.

Ao ser solta Dilma mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1977. Na capital gaúcha, a economista iniciou sua trajetória na vida pública.

No Rio Grande do Sul, Dilma participou de diversas campanhas eleitorais, foi secretária municipal da Fazenda, presidente da Fundação de Economia e Estatística e secretária estadual de Minas e Energia.

Em 2000, Dilma Rousseff filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e em 2002 participou da equipe que formulou o plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a área energética, assumiu a chefia do Ministério de Minas e Energia e posteriormente da Casa Civil.

Em 2010, Dilma Rousseff concorreu às eleições presidenciais, vencendo o ex-governador de São Paulo José Serra, no segundo turno. Assim, no dia 31 outubro de 2010, ela foi a primeira mulher a ser eleita para o mais alto cargo do Brasil.

Dilma foi reeleita presidente no dia 26 de outubro de 2014, novamente no segundo turno das eleições. O segundo mandato foi interrompido no dia 12 de maio de 2016, quando a presidente foi afastada de seu cargo por até 180 dias devido à instauração de um processo de impeachment.

Após o resultado do processo de impeachment, ela teve o mandato presidencial definitivamente cassado em 31 de agosto de 2016. O impeachment de Dilma de Rousseff, no entanto, não cassou seus direitos políticos. Em 2018, a ex-presidente mudou-se para Minas Gerais, onde candidatou-se a senadora, sendo derrotada.

Ditadura Militar

Durante a Ditadura Militar no Brasil, Dilma atuou como integrante e grupos Colina Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).

Em uma época que as pessoas não poderiam se mostrar contrárias às ações do governo dos militares, Dilma foi detida em 1970, sob a acusação de subversão.

Levada aos porões da Operação Bandeirante (Oban) e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em São Paulo, ela foi torturada e depois teve a pena reduzida para dois anos.

Embora não tenha participado de lutas armadas, Dilma foi julgada por um tribunal militar sob a acusação de subversão por discordar publicamente da ditadura. Punida com base no decreto n.º 477, do Ato Institucional n.º 5 (AI-5 ), cumpriu pena de quase três anos.

Após sair da prisão, Dilma Rousseff mudou-se para Porto Alegre, onde retomou os estudos na Faculdade de Economia. Em 1979, ela se dedicou à campanha pela Anistia, durante o processo de abertura política comandada pelos militares.

Carreira política

A trajetória de Dilma Rousseff na vida pública teve início no Rio Grande do Sul, quando ela começou trabalhar como estagiária na Fundação de Economia e Estatística (FEE), no governo gaúcho. Desde então, ela assumiu diversos cargos no governo do Rio Grande do Sul.

Ao lado do marido, Carlos Araújo, Dilma Rousseff ajudou a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Rio Grande do Sul. No ano de 1989, quando a democracia foi restabelecida, ela participou da campanha de Leonel Brizola à presidência da República.

No segundo turno da primeira eleição presidencial direta após a Ditadura Militar, Dilma foi às ruas defender o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi derrotado por Fernando Collor do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).

Ela retornou ao Rio Grande do Sul em 1990, onde continuou a trajetória política assumindo cargos de chefia no governo gaúcho.

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2000, Dilma chamou a atenção de Lula pelo trabalho desenvolvido no governo gaúcho. Isso fez com que em 2002 ela foi convidada para participar da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Durante o governo Lula, Dilma Rousseff foi ministra de Minas e Energia e chefe da Casa Civil. Na ocasião ela esteve à frente de programas estratégicos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida.

Dilma coordenou também a Comissão Interministerial responsável pela definição das regras para a exploração das recém-descobertas reservas de petróleo na camada pré-sal.

Em junho de 2010, o PT oficializou a candidatura de Dilma Rousseff para a presidência da República. Em 31 de outubro ela foi eleita no segundo turno com quase 56 milhões de votos. Em 26 e outubro, ela foi reeleita para o segundo mandato.

Dilma Rousseff não concluiu o segundo mandato e no dia 12 de maio de 2016 foi afastada do cargo devido à aprovação de denúncia de crime de responsabilidade.  A denúncia foi encaminhada para aprovação na Câmara dos Deputados em abril de 2016 e encaminhada ao Senado Federal para votação em maio do mesmo ano.

O Congresso aceitou a denúncia e instaurou o processo de impeachment de Dilma Rousseff. No dia 31 de agosto de 2016 a Resolução nº 35 do Senado Federal julgou procedente a denúncia de crime de responsabilidade, impondo a sanção de perda do mandato.

Governo Dilma Rousseff

Dilma Rousseff assumiu a presidência em um momento de forte recessão econômica mundial, que atingia a economia brasileira. Na tentativa de reverter a crise, o governo Dilma aumentou os investimentos na infraestrutura e reduziu as taxas de juros, facilitando o crédito para as empresas e pessoas físicas.

Essas medidas, entretanto, não foram suficientes para conter crise econômica, resultando em uma crise política do governo Dilma, que foi intensificada por falta de apoio às pautas propostas no Congresso Nacional.

Dando continuidade à política de governo do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, o governo Dilma manteve alguns programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha vida, Prouni, entre outros.

A crise econômica que abateu a classe trabalhadora, causando uma insatisfação popular com o governo Dilma.  O descontentamento se acentuou quando o governo investiu verbas bilionárias para a realização da Copa das Confederações no Brasil, em 2013.

Em junho de 2013, houve manifestações em várias partes do país que protestava sobre a precarização do modo de vida, em geral. Em 2014 surgiram casos de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobrás, dando origem a operação Lava Jato, deflagrada pela polícia federal.

Esses fatores fizeram com que insatisfação popular com o governo Dilma crescesse significativamente. Ainda assim, nas eleições para presidente do país que ocorreram no mesmo ano, os brasileiros reelegeram Dilma Rousseff com mais de 51% dos votos válidos.

O segundo mandato de Dilma enfrentou uma situação econômica e política delicada. Em 2015, a crise econômica brasileira se agravou e o PIB do Brasil foi negativo no país (-3,8%).

As taxas de desemprego e inflação cresceram, os aliados da presidência no Parlamento reduziram, gerando uma crise política que culminou com o impeachment.

Processo de impeachment

Em 2016, as ruas foram tomadas por uma série de manifestações contra e pró impeachment de Dilma Rousseff, gerando polarização política no país. Em abril de 2016, a maioria dos deputados federais votaram favorável à cassação do mandato de Dilma Rousseff.

No mês de maio, a maioria dos senadores aprovaram a abertura de processo de impeachment de Dilma, por crime de responsabilidade fiscal. Os senadores decidiram pelo impeachment de Dilma Rousseff e no dia 31 de agosto de 2016, ela foi afastada da presidência da República.

Dilma Rousseff foi sucedida pelo vice-presidente Michel Temer, do Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) que permaneceu no poder até 2018. Apesar de ter o mandato cassado, Dilma não teve os direitos políticos suspensos. Em 2018, ela concorreu a uma vaga no senado por Minas Gerais, mas não obteve êxito no pleito.

Citações

O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República.

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DIAS, Fabiana. Dilma Rousseff; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/dilma-rousseff >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:06.

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