Dom João VI

Rei passou por períodos conflituosos da história luso-brasileira

Dom João VI (1767-1826) foi rei de Portugal, Brasil e Algarves, no período que vai de 1816 a 1822.

Ao observar o Império Lusitano na conjuntura do final do século XVIII e início do XIX, o português D. João aparece como um dos personagens principais, pois estava dirigindo reinos em um dos períodos mais críticos da história de Portugal.

Por isso, a análise da trajetória política e pessoal desse personagem permite a compreensão de um rei que é considerado o fundador da nacionalidade brasileira.

Retrato do rosto de Dom João VI
Retrato de Dom João VI. (Foto: Wikipédia)

Infância e começo da vida política

Dom João VI nasceu no Palácio Real da Ajuda, localizado perto de Lisboa, em 13 de maio de 1767. Ele foi o quarto filho de D. Maria e de D. Pedro III, seu tio. Afilhado de batismo, por procuração de Luis XV, fez parte de uma família inteirada por cinco irmãos.

Educado por frades, na infância e juventude, estudou com mestres como o Frei Manoel do Cenáculo Villas Boas e o matemático veneziano Miguel Franzini. Apaixonado por música sacra, teve como professores da área o organista João Cordeiro da Silva e o compositor João de Souza Carvalho.

A entrada de Dom João VI na vida política aconteceu com o casamento arranjado com Dona Carlota Joaquina, filha do futuro rei Carlos IV de Espanha e Dona Maria Luísa de Parma. As vantagens de uma política de aproximação com a Espanha orientou essa dupla aliança dinástica, realizada no dia 8 de maio de 1785.

O casamento aconteceu quando a princesa Carlota tinha cerca de 10 anos de idade, sendo consumado cinco anos depois. Com o passar do tempo, as divergências entre o casal aumentaram, resultado dos lados opostos nas questões políticas.

Mesmo com um relacionamento marcado por disputas e conspirações políticas, em 1793, nasceu Dona Maria Teresa, a primeira dos nove filhos desse casamento.

A relativa vida pacata de Dom João VI  sofreu uma reviravolta em 11 de setembro de 1788, quando seu irmão mais velho, D. José, morreu após adoecer por varíola. O fato  inseriu o português definitivamente no cenário político internacional e nacional, pois ele passou a ser o herdeiro da Coroa.

O governo em seu nome como príncipe regente começou sete anos mais tarde, em 1799, após vários médicos atestarem a total e irrevogável situação de desequilíbrio mental da sua mãe.

Regência de Dom joão VI

A primeira fase do governo de Dom João VI, momento em que antecedeu a transferência da Corte portuguesa para a América, foi marcada por diferentes tensões.

No âmbito externo, os conflitos provenientes do expansionismo francês, a partir da Revolução Francesa de 1789, se refletiram em todo o continente europeu, atingindo as relações diplomáticas do governo lusitano.

Vale destacar que só após os três anos primeiros anos da Revolução Francesa foi possível a manutenção da tradicional política de neutralidade entre lusitanos e franceses, utilizada por Portugal para ficar distante dos conflitos do continente europeu.

Feita a contextualização, após Napoleão Bonaparte assumir o poder francês em 1799, mesmo ano do começo do governo de Dom João VI, a França determinou o rompimento político de Portugal com a Inglaterra e a submissão do país lusitano aos interesses franceses. Com a negativa de D. João, a situação de neutralidade foi rompida.

Em 1801, Espanha e França invadiram Portugal, episódio conhecido como a Guerra das Laranjas, onde tomaram a Praça-forte de Olivença. Apesar das tentativas de neutralidade dos portugueses, eles eram o elo mais fraco das disputas europeias que se desenrolaram no período, sempre motivadas por questões políticas e econômicas.

Apesar das situações conflituosas, é importante mencionar que a habilidade de Dom João VI enquanto governante foi destacada pelas questões que envolveram a defesa da neutralidade. Sobre o seu papel de regente, compete pontuar também:

  • D. João deu seguimento ao mapeamento da sociedade e economia das potenciais das colônias portuguesas;
  • Organizou várias expedições científicas;
  • Reorganizou a burocracia estatal, incentivando a qualificação da nobreza em órgãos oficiais;
  • Criou instituições como a Real Sociedade Marítima, encarregada de produzir mapas e cartas náuticas do Império, e a Casa Literária do Arco do Cego, voltada aos estudos científicos.

Os avanços intelectuais e científicos foram relevantes, mas as aplicações práticas, no entanto, foram limitadas pela resistência dos setores conservadores.

Passagem pela América e retorno para Portugal

No dia 22 de janeiro de 1808, o navio que levava o regente português atracou na Baía de Todos os Santos, em Salvador. Era o começo dos 13 anos que D. João passou no Brasil e da segunda fase do seu governo.

Nesse momento, ele focou na reorganização das instituições políticas e administrativas da América, fundamental para a permanência da Corte portuguesa. Após abrir os portos para as nações amigas, Dom João VI foi para o Rio de Janeiro, chegando no dia 7 de março.

Na cidade carioca, ele montou um ministério que o auxiliou na organização do Estado. É o começo da mudança da situação do Brasil de colônia para um reinado.

E por mencionar reinado, em 20 de março de 1816, morreu a rainha D. Maria, abrindo caminho para o regente assumir o trono. No entanto, a Revolução de Pernambuco acabou por adiar a cerimônia de aclamação de D. João como rei de Portugal, fato que só aconteceu em 6 de fevereiro de 1818.

Com relação ao reinado de D. João no Brasil, cabe ressaltar que as guerras e rebeliões eram comuns, pois o caminho para o processo de Independência do Brasil estava sendo preparado.

Em 1820, o movimento constitucionalista português que ocorreu na cidade do Porto, também conhecido como a Revolução Liberal do Porto, exigiu a volta do rei a Portugal.

Fim do reinado de Dom João VI

No dia 4 de março de 1826, Dom João VI passou mal após almoçar no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa. Na noite do dia 9, sua situação agravou. Algumas horas depois, na madrugada do dia 10, ele faleceu, aos 58 anos.

Os médicos não conseguiram determinar exatamente a causa da sua morte, mas existiu a suspeita de envenenamento. Por causa do contexto político do momento, a possibilidade de envenenamento foi atribuída tanto aos liberais como aos absolutistas.

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Conceição, Thiago. Dom João VI; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/dom-joao-vi >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 20:01.

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