Dom Pedro II

Segundo e último Imperador do Brasil

Dom Pedro II foi o segundo imperador do Brasil. Coroado aos cinco anos, assumiu o trono aos quinze, permanecendo no poder de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República. Durante seu reinado, focou no desenvolvimento econômico e social do país.

Biografia

Sétimo filho e terceiro varão de Dom Pedro I, o primeiro Imperador do Brasil, e da Imperatriz Leopoldina, Dom Pedro II nasceu no dia 2 de dezembro de 1825 no Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Imperador Dom Pedro II
Dom Pedro II, Imperador do Brasil (1840-1889). (Foto: Wikipédia)

Recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon.

Dom Pedro II ficou órfão de mãe quando tinha cerca de um ano de idade e tornou-se o herdeiro do trono após a morte de seus irmãos mais velhos, Miguel e João Carlos. Foi reconhecido como herdeiro da coroa do império brasileiro no dia 2 de agosto de 1826.

Pedro de Alcântara teve sua coroação antecipada, assumindo o poder em 1831 após seu pai abdicar do trono devido a severa oposição política que vinha sofrendo, sendo acusado de favorecer os interesses portugueses no Brasil.

D. Pedro I embarcou de volta a Portugal, deixando Pedro como “regente” aos cinco anos de idade, nomeando sua tutela primeiramente a José Bonifácio de Andrade e Silva e depois, entre 1833 a 1840, a Manuel Inácio de Andrade Souto Maior, marquês de Itanhaém.

Com a abdicação e a menoridade do imperador, o Brasil foi dirigido por regências, período que durou por nove anos (1831 a 1840).  Em setembro de 1834, Dom Pedro I morreu de tuberculose, no palácio de Queluz, deixando o então Imperador órfão.

Educação

Durante a menor idade, a camareira-mor D. Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, mais tarde condessa de Belmonte, foi responsável por dar as primeiras orientações educacionais a Dom Pedro.

Posteriormente teve aulas com diversos mestres ilustres de sua época, escolhidos por seus tutores. Estudou português, literatura, matemática, latim, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, caligrafia, pintura, piano e música, esgrima e equitação.

Pedro II passou seus primeiros anos de vida preparando-se para assumir o trono, dedicou-se totalmente aos estudos e a leitura. Chegando a ser conhecido como um grande investidor das ciências, das artes e do conhecimento em geral.

Foi durante o seu reinado que instituições como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Colégio Pedro II, foram fundados. Entre alguns registros deixados em cartas e diários pessoais, Dom Pedro II demonstrava sua preocupação com a educação pública, a qual ele entendia como força que move a sociedade.

Maioridade e Coroação

Em dado momento, os regentes enfrentavam certa dificuldade em governar o país. Assim, em 1840 começou a luta pela maioridade do Imperador. Em junho do mesmo ano, Pedro foi declarado maior.

O ato ficou conhecido como o “Golpe da Maioridade“, pois segundo a Constituição implementada por seu pai, o imperador Dom Pedro I, a maioridade de um Imperador era exercida somente com 21 anos completos.

A declaração de maioridade foi uma estratégia do Partido Liberal, que tinha o intuito de acabar com o Período Regencial no Brasil, pois nessa época o país era governado por grupos políticos, liberais e conservadores, que defendiam interesses diferentes.

Assim, no dia 18 de julho de 1841 Dom Pedro II foi coroado Imperador e começou a reinar, com 15 anos de idade, dando lugar ao Segundo Reinado.

Governo de Dom Pedro II

Dom Pedro II governou o Brasil durante 49 anos (1840-1889). Os primeiros anos de seu governo foram de aprendizado político. O Imperador dedicava-se inteiramente aos negócios de Estado, exercendo à risca a Constituição.

Realizou viagens diplomáticas às províncias mais conflituosas e promoveu um grande progresso no campo social brasileiro. Com apoio do Partido Conservador, criou o Conselho de Estado e a reforma do código de processo criminal.

Tal medida provocou a Revolta dos Liberais (1842), em Minas Gerais e São Paulo, contornada só após o final da Guerra dos Farrapos (1845). Em consequência desse feito, surgiu a Insurreição Praieira (1848), em Pernambuco.

Em decorrência dessas revoltas, Dom Pedro II iniciou um amplo trabalho de conciliação política apartidária com a nomeações dos integrantes do Conselho de Estado e dos Presidentes de Província. Assim, o país foi se pacificando gradualmente.

Além disso, diversos acontecimentos importantes marcaram esse período, como:

  • O declínio do escravismo, com a extinção do tráfico negreiro;
  • A elaboração e implantação dos sistemas de esgotamento no Rio de Janeiro e São Paulo;
  • A construção das primeiras linhas telegráficas e;
  • A primeira estrada de ferro do país.

Durante seu reinado, visitou diversas regiões do país e várias partes do mundo, como a América do Norte, a Rússia, a Grécia e vários outros países da Europa e Oriente Médio, em busca de conhecer inovações tecnológicas que poderiam ser trazidas para o Brasil.

Interessado pelas letras e pelas artes, manteve correspondência com cientistas europeus, entre eles Pasteur e Gobineau, sempre protegendo os intelectuais e escritores.

Princesa Isabel e a Lei Áurea

Por volta de 1887, na sua última viagem ao exterior como Imperador e com muitos problemas de saúde, Dom Pedro II visitou a França, Alemanha e Itália. Em Milão, foi acometido de uma pleurisia e levado para Aix-les-Bains, onde permaneceu em tratamento até poder voltar ao Brasil.

Durante sua ausência, sua filha, a Princesa Isabel, assinou a Lei Áurea, sancionada em 13 de maio de 1888, determinando o encerramento da escravidão no Brasil.

Proclamação da República

Algumas decisões tomadas pelo Imperador Dom Pedro II não agradava os republicanos, principalmente pela sua oposição a igreja e aos militares.  Assim, no dia 15 de novembro de 1889 foi decretado o fim do império com o Golpe de Estado,  conhecido como Proclamação da República, liderado por Marechal Deodoro da Fonseca.

Pedro II foi feito prisioneiro do Paço da Cidade. O governo provisório lhe deu 24 horas para deixar o país.

Exílio e morte

Assim, partiu com a família para Portugal em 17 de novembro, chegando a Lisboa em 7 de dezembro de 1889. Seguiu para a cidade do Porto, local onde a Imperatriz Teresa Cristina veio a falecer.

Em seguida, Dom Pedro II viveu entre Cannes, Versalhes e Paris, onde assistia a espetáculos de arte e participava de palestras e conferências. Faleceu no dia 5 de dezembro do ano de 1891, aos 66 anos, devido a uma pneumonia.

Seus restos mortais foram colocados no convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, junto aos da esposa. Revogada a Lei do Banimento (1920), foram trazidos para o Brasil e depositados na catedral do Rio de Janeiro (1921). Posteriormente foram transferidos para a de Petrópolis (1925) e em 1939, foram definitivamente enterrados.

Casamento

No dia 30 de maio do ano de 1843, através de um arranjo político, D. Pedro II casou-se com a Princesa napolitana Teresa Cristina Maria de Bourbon, filha de Francisco I, do Reino das Duas Sicílias.

Juntos tiveram quatro filhos, dois meninos, chamados Afonso e Pedro, que morreram pequenos, e as Princesas Isabel e Leopoldina. Viveram juntos por 46 anos, até a morte da imperatriz, em 28 de dezembro de 1889.

Citações

Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.

Despesa inútil é furto à Nação.

A política não é para mim senão o duro cumprimento do dever.

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BRITO, Samara. Dom Pedro II; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/dom-pedro-ii >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 18:46.

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