Eça de Queirós

Escritor responsável pela introdução do Realismo em Portugal

Eça de Queirós se formou em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Apesar da formação acadêmica, o real interesse era pela literatura e escrita. Nunca chegou a exercer a profissão de advogado, mesmo incentivado por seu pai.

É considerado um dos escritores mais influentes do século XIX, entre outros motivos, por ter participado da Escola de Coimbra, responsável pela introdução do Realismo em Portugal.

O escritor tinha grande habilidade em mesclar estilos. Em algumas de suas obras, como “Os Maias, é possível notar traços do Romantismo e do Realismo na trama.

Ao mesmo tempo que explora o lado sentimental dos personagens, consegue retratar a sociedade e a história em que estão inseridos de forma real, com linguagem simples e direta, misturando assim princípios de duas emblemáticas escolas literárias completamente distintas.

Esses traços transformaram Queirós em um verdadeiro mito da literatura mundial.

Fases da vida de Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós nasceu em Portugal, no ano de 1845. Seu pai, um brasileiro que vivia em Portugal, chamava-se José Maria Almeida de Teixeira de Queirós, já a mãe era uma jovem de 18 anos, D. Carolina Augusta Pereira de Eça.

O romance que gerou Eça de Queirós era proibido pela família materna de D. Carolina. Composta por militares de alta patente, não aceitavam a diferença social entre o casal.

Juventude

Seguindo os passos da família paterna, composta de magistrados perseguidos pelos seus ideais liberais, Eça de Queirós formou-se em Direito e conheceu o escritor Antero de Quental durante a faculdade. Essa amizade deu pontapé inicial na carreira como jornalista, tendo seus textos publicados na revista "Gazeta de Portugal".

Com senso crítico aguçado e amizades importantes, como a do escritor Antero, passou a exercer a profissão de jornalista, logo depois de se formar em Direito, em Lisboa.

Chegou a criar uma publicação, a Revista de Portugal. Trabalhou também em diferentes periódicos, como o Diário Ilustrado, Diário de notícias e Correspondência de Portugal.

Retrato de Eça de Queirós.
Retrato de Eça de Queirós feito na sua juventude. (Foto: Wikipédia)

Vida adulta

Eça de Queirós fundou também o periódico O Distrito de Évora, passando a exercer a função de redator e diretor.

Nesse momento exibiu para Portugal seu caráter crítico e o poder de observação social. Marcou a sociedade apresentando um conjunto de afirmações teóricas, com traços de um jornalismo moderno. Ele publicou, no dia 06 de janeiro de 1867, a seguinte afirmação:

É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os actos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes.

A vida amorosa do escritor se estabelece apenas aos 40 anos, quando conhece D. Maria Emília de Castro, uma senhora fidalga onze anos mais nova que ele. Do relacionamento nasceram quatro filhos.

O escritor ainda foi cônsul de Portugal em Havana, Newcastle, Bristol e Paris, onde permaneceu até a sua morte em 1900.

Queirós morreu aos 55 anos, ainda jovem. Não se sabe ao certo qual foi a doença que o levou à morte, mas o fim teria sido motivado por um tumor maligno no pâncreas.

A doença progrediu rapidamente porque Eça de Queirós tinha uma vida desregrada: viajava muito, trabalhava muito, fumava cigarro, ingeria bebida alcoólica, perdia noite e alimentava-se sem dieta específica para sua situação.

Além do estilo de vida que pode ter contribuído para o avanço da doença, os amigos e familiares não tinham dimensão da gravidade do que o acometia.

Obras de Eça de Queirós

Entre as obras mais reconhecidas durante o século XIX, escritas por Eça de Queirós, estão “Os Maias”, “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio“. Apesar de alguns livros com traços ainda do Romantismo, a linguagem do escritor era realista e extremamente crítica.

Em "Os Maias", considerado melhor romance português da época, conta a história da família dos Maias em três gerações: Dom Afonso da Maia grande patriarca, Pedro da Maia que é filho de Afonso, e Carlos da Maia, neto de Afonso.

O objetivo do livro é retratar cenas da vida portuguesa com a fuga da família real. Nessa obra em específico, ele censura a cópia de costumes estrangeiros, no sentido de mostrar o quanto a sociedade se esforçava para manter um padrão, tentando seguir a tendência de outros países europeus, como a França.

Portugal é exposto como um país atrasado em todos os quesitos. Os desdobramentos das histórias vão mostrando a hipocrisia dos personagens e a decadência do povo.

O livro gira em torno dessas três gerações, com foco em Carlos Maia, neto de Dom Afonso. Criado pelo avô com  educação inglesa, que não tem nenhum tipo de traço religioso católico, ele vira médico. Mais tarde, se envolve com uma mulher misteriosa, que já no final da trama se revela sua própria irmã, da qual foi separado quando criança.

Publicações mais relevantes

  • “O Crime do Padre Amaro” (1876)
  • “O Primo Basílio” (1878)
  • “O Mandarim” (1880)
  • “A Relíquia” (1887)
  • “Os Maias” (1888)
  • “Uma Campanha Alegre” (1890 e 1891)
  • “A Ilustre Casa de Ramires” (1900)
  • “Correspondência de Fradique Mendes” (1900)
  • “Dicionário de Milagres” (1900)

Citações

É o coração que faz o caráter.

Quando não se tem aquilo que se gosta é necessário gostar-se daquilo que se tem.

A arte é um resumo da natureza feito pela imaginação.

Que mérito há em amar os que nos amam?

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Luna, Fernanda. Eça de Queirós; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/eca-de-queiros >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:46.

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