Édipo Rei

Famoso por matar o pai e casar-se com a própria mãe

Édipo Rei” é uma peça do teatro grego antigo escrita pelo dramaturgo Sófocles, que narra o drama da família de Édipo. Baseada em um personagem da mitologia grega, a obra foi considerada pelo filósofo Aristóteles como o mais perfeito exemplo de tragédia grega do teatro.

Édipo Rei: resumo

A história de tragédia que envolve o rei Édipo tem início com o seu nascimento. Segundo a lenda grega, Laio, o rei de Tebas, foi alertado pelo oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar em sua família, seu próprio filho o mataria e depois se casaria com a mãe.

Inquieto com a revelação, logo após o nascimento de Édipo, seu filho com Jocasta, o rei julgou que a melhor solução seria matar o menino antes que a profecia se realizasse.

Assim, o rei de Tebas ordenou que um servo levasse o bebê ao Monte Citerão (entre Tebas e Corinto) e pregasse seus pés, deixando-o lá para morrer.

No entanto, o menino foi salvo por um pastor e acabou sobrevivendo. Pouco depois foi adotado por Pólibo, rei de Corinto, que passa a tratá-lo como próprio filho.

Anos mais tarde, ao realizar uma consulta com o oráculo de Delfos, Édipo ouve a mesma previsão dada a Laio, que mataria seu pai e desposaria sua mãe.

Meu pai é Políbio, de Corinto; minha mãe, Mérope, uma dória. Eu era considerado como um dos maiores notáveis cidadãos de Corinto, quando ocorreu um incidente fortuito, que me devia surpreender, realmente, mas que eu talvez não devesse tomar um tanto a sério, como fiz. Um homem, durante um festim, bebeu em demasia, e, em estado de embriaguez, pôs-se a insultar-me, dizendo que eu era um filho enjeitado. (…) A revelia de minha mãe, e de meu pai, fui ao templo de Delfos, mas as perguntas que propus, Apolo nada respondeu, limitando-se a enunciar-me uma série de desgraças, horríveis e dolorosas; que eu estava fadado a unir-me com minha própria mãe, que apresentaria aos homens uma prole malsinada, e que seria o assassino de meu pai, daquele a quem devia a vida.

Crente que essa revelação envolvia seu pais adotivos, Édipo decide abandonar a cidade para evitar tal desastre. Em dado momento de sua andança, encontra um velho homem com quem discute em uma encruzilhada.

Este homem era seu pai biológico, que o jovem desconhece, e estava acompanhado por uma comitiva. Em um surto de raiva, Édipo acaba matando-os, restando apenas um sobrevivente. É nesse momento que a primeira parte da profecia se realiza, o filho mata o próprio pai.

Édipo e a esfinge
Édipo e a esfinge (Oedipus et Sphinx), 1808, em pintura de Jean Auguste Dominique Ingres. (Foto: Wikipédia)

Seguindo sem rumo, chega às portas de Tebas, sua cidade natal, e encontra a Esfinge que propõe-lhe um enigma até então nunca solucionado. A Esfinge aterrorizava grande parte do povo tebano com seus enigmas, posto que quem não adivinhasse era devorado por ela.

O desafio era: “Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite?” Édipo conseguiu desvendar: “O homem, que ao amanhecer é a criança engatinhando, entardecer é a fase adulta, quando usamos ambas as pernas, e o anoitecer é a velhice que caminhamos com auxílio de bengala“.

Édipo foi o único a acertar a resposta e acabou por salvar sua vida e a da cidade, sendo considerado um herói. Assim, conquistou um dupla recompensa, recebeu de Creonte, irmão da rainha e até então regente de Tebas, o título de rei da cidade e a mão de Jocasta, viúva de Laio que foi assassinado misteriosamente.

O novo rei de Tebas casa-se com Jocasta, que na verdade é sua própria mãe e concretiza a segunda parte da profecia. Juntos,  têm quatro filhos.

Passam-se anos. Em dado momento, uma peste terrível assola a cidade de Tebas. Após consultar o oráculo de Delfos, Creonte informa ao rei que para salvar a cidade da epidemia é preciso encontrar e punir o assassino de Laio.

Creonte: Vou dizer, pois, o que ouvi da boca do deus. O rei Apolo ordena, expressamente, que purifiquemos esta terra da mancha que ela mantém; que não a deixemos agravar-se até tornar-se incurável.

Édipo então garante a seus súditos que o responsável será penalizado. Quando o cego Tirésias é chamado para ajudar nas investigações, diz ao rei que o assassino está mais perto do que ele imagina.

Nesse meio tempo, chega um mensageiro de Corinto noticiando a morte de Políbio, assim ele sente-se livre da “maldição”, afinal seu pai morreu de velho. No entanto, passa a saber que não era filho legítimo do rei de Corinto e sim filho de Laio.

Assim, Édipo se lembra então da antiga profecia que o fez sair da cidade e percebe que seu destino se concretizou. Desesperado, fura seus próprios olhos. A rainha, sua esposa e mãe biológica, se suicida de desgosto.

Que morra aquele que, na deserta montanha, desprendeu meus pés feridos, e salvou-se da morte, mas salvou-me para minha maior desgraça! Ah! Se eu tivesse então perecido, não seria hoje uma causa de aflição e horror para mim, e para todos!

Édipo decide abandonar a cidade, mas seguindo a sugestão de Creonte, permanece por mais algum tempo em Tebas, até o momento em que seus dois filhos começam a lutar pelo poder. O rei os amaldiçoa e torna-se andarilho mais uma vez.

Guiado por sua filha Antígona, pressente que logo morrerá ao se aproximar dos bosques de Colono, por fim, a terra que o acolhe se torna sagrada.

Análise da obra “Édipo Rei”

A peça escrita por volta de 427 a.C. pelo dramaturgo e importante intelectual grego Sófocles é a primeira obra de um conjunto que inclui também “Antígona” e “Édipo em Colono”, chamada de trilogia tebana.

A história dessa família, baseada em uma profecia associada ao nascimento de Édipo, é considerada a maior tragédia do teatro grego.

 Traduzida para um português um tanto rebuscado, a obra torna-se um pouco arrastada no melodrama, mas os textos apresentam fácil compreensão, não dificultando a interpretação da história.

Livro Édipo rei
Capa do Livro “Édipo Rei”. (Foto: Saraiva)

Curiosidade

  • Sigmund Freud utilizou a peça da tragédia grega para basear sua recém criada teoria psicanalítica. Na “Teoria de Complexo de Édipo”, Freud defende que quando uma criança atinge a maturidade sexual, entende as diferenças entre os sexos e tem sentimentos contraditórios de amor e hostilidade (amor à mãe e ódio ao pai).
  • Édipo significa “o de pés inchados”, um nome compatível com a história do protagonista que teve os pés perfurados para ser pendurado em uma árvore.

Principais personagens

  • Édipo: rei de Tebas e protagonista da trama. É condenado por matar o pai, o rei Laio, e casar-se com a própria mãe;
  • Rei Laio: rei de Tebas, casado com Jocasta, com quem tem o filho Édipo;
  • Rainha Jocasta: mãe biológica e esposa de Édipo. Perde o contato com o filho, acreditando que ele está morto. Fica viúva de Laio e acaba se casando com o próprio filho, com quem tem quatro filhos;
  • Camponês: recebe as ordens do rei Laio para abandonar o menino na floresta a própria sorte, mas fica com pena do bebê e o leva para casa;
  • Políbio: rei de Corinto que adota o bebê Édipo e o cria como se fosse seu filho;
  • Mensageiro: quem revela que Édipo tem pais adotivos;
  • Servo: quem é ordenado a deixar Édipo para morrer na floresta ainda criança;
  • Creonte: irmão da rainha Jocasta, cunhado de Édipo;
  • Esfinge: ser mitológico metade leão e metade mulher que desafia Édipo.

Faça o download do PDF do livro “Édipo Rei”.

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BRITO, Samara. Édipo Rei; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/edipo-rei >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:34.

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