Educação física adaptada

Participação de pessoas com deficiência na educação física escolar

A educação física adaptada é uma maneira de entreter crianças e adolescentes com algum tipo de limitação física em atividades de esporte e lazer, principalmente dentro das escolas, que é o ambiente onde eles mais necessitam dessa inclusão.

De maneira geral, a educação física escolar abrange uma grande quantidade de conteúdos, onde o objetivo é estimular o desenvolvimento tanto no sentido motor como psicomotor. Portanto, a importância que a atividade física tem na vida e no desenvolvimento do ser humano, desde sua infância até a fase adulta, é evidente.

Para se trabalhar a inclusão de crianças ou adultos com alguma necessidade especial em atividades físicas convencionais, muitos educadores têm utilizado a educação física adaptada como meio.

Segundo Carmo (2008), o objetivo da educação física adaptada é alcançar pessoas portadoras de transtornos, sejam eles físicos ou psicológicos, que impedem a participação desses alunos em uma aula comum da disciplina, a exemplo dos portadores de deficiências mentais, visuais, auditivas, físicas, múltiplas deficiências, etc.

Além disso, é possível incluir nesse processo de aprendizagem alunos superdotados, com síndromes neurológicas, psiquiátricas, psicológicas e até mesmo com dificuldades de aprendizagem.

Histórico da educação física

O objetivo da educação física, de maneira geral, é garantir uma educação para todos, principalmente no que se refere aos alunos que apresentam necessidades especiais, sejam elas permanentes ou não.

A sua prática é uma forma de oferecer oportunidades ao aluno com necessidades educativas especiais de conhecer suas possibilidades e vencer seus limites, facilitando a sua participação nas aulas de educação física e promovendo a interação com os demais.

Os primeiros sinais da educação física como esporte foram vistos após a Primeira Guerra Mundial, momento em que foram desenvolvidas algumas atividades, como uma forma de tratamento para os soldados feridos da guerra, que adquiriram lesões permanentes e necessitavam de reabilitação.

Ao final da guerra, a educação física ainda era vista como um auxílio nos tratamentos médicos realizados principalmente no Stoke Mandeville, um hospital da Inglaterra. No centro, eram realizados jogos anualmente, que ganharam força e serviram de impulso para a criação dos primeiros Jogos Paralímpicos, em 1960, na cidade de Roma.

Modalidades

Tanto a educação física inclusiva como a educação física adaptada são divisões que estão inseridas no conceito de educação física escolar. Porém, existe uma diferença entre essas duas.

Na modalidade educação física inclusiva, todos os alunos participam das mesmas atividades propostas. Dessa forma, cabe ao professor planejar as aulas de acordo com as especificidades dos estudantes de cada turma.

Já na educação física adaptada, os estudantes com deficiência praticam as atividades físicas separadamente de seus colegas.

Contudo, a prática de ambas as modalidades requer um ambiente acessível, de modo que ofereça iguais oportunidades de uso e ofereça a inclusão e a valorização das diferenças.

Educação física adaptada

Como foi citado acima, a educação física adaptada é uma subárea da educação física escolar. É importante saber que ela foi incluída, em 1987, pelo Conselho Federal de Educação na formação do profissional de educação física.  

Embora seja recente a abertura das instituições educacionais preparadas para atender as pessoas com necessidades especiais, alguns estudiosos relatam a utilização da atividade física ou do exercício como tratamento médico e terapêutico em períodos mais antigos.

De acordo com Winnick (2004), os indícios são de que o exercício terapêutico tenha surgido na China por volta de 3000 a.C.

Para o autor, os diversos conteúdos abordados pela educação física na escola como, por exemplo, jogos, brincadeiras, lutas, dança e esporte são apontados como patrimônio da humanidade. Dessa maneira, as possibilidades de aplicação dessas atividades no processo de ensino são múltiplas.

No contexto educacional, a sociedade está criando uma nova linha de pensamento para a educação física adaptada, promovendo a disciplina como uma maneira de encorajar e promover a atividade para todos os cidadãos.

Portanto, a educação física adaptada tem como objetivo o desenvolvimento afetivo, cognitivo e psicomotor dos estudantes com deficiência.

Além disso, ela é capaz de garantir o estudo e a intervenção do profissional no universo das pessoas que apresentam diferentes e peculiares condições para a prática de exercícios.

Educação Física Adaptada Vôlei
Vôlei adaptado para pessoas com deficiência físico-motora. (Foto: Wikipedia)

Cuidados

Na área da educação física, os profissionais envolvidos com a educação física adaptada devem produzir conhecimentos capazes de trazer contribuições para modificar o contexto social no qual vivem as pessoas com deficiência (PCD).

Ao possibilitar a inclusão, a partir de uma aula bem estruturada, o professor não apenas permite que os portadores de necessidades especiais experimentem o prazer da prática, mas pode fazer com que eles enxerguem as atividades como algo positivo no seu desenvolvimento.

Para Soler (2005), alguns aspectos são muito importantes para lidar com os PCDs. Ele propõe:

  • Respeitar o ritmo, pois geralmente os PCDs são mais lentos naquilo que fazem como falar, andar, pegar as coisas, entender uma ordem etc.;
  • Ter paciência ao ouvi-los, pois alguns apresentam dificuldades na fala;
  • Lembrar que as pessoas com deficiência não possuem doença grave e contagiosa, portanto, é importante a demonstração de carinho;
  • Só tome a atitude de ajudá-los em determinada atividade quando for solicitado, pois muitas vezes a “ajuda” mais atrapalha do que auxilia de fato.

No vídeo abaixo, acompanhe uma aula prática de educação física adaptada com portadores da Síndrome de Down

Atividades físicas adaptadas

A educação física adaptada baseia-se na prática de esportes adaptados, cuja origem são os esportes convencionais, permitindo que as pessoas com deficiência participem das atividades esportivas.

Nesse sentido, em alguns esportes foram desenvolvidas adaptações pensadas a partir de cada tipo de deficiência. Um exemplo que vale ser citado é o “futebol de cinco”.

Nessa atividade, as principais diferenças são: o uso da bola com guizo (uma espécie de chocalho) e a participação colaborativa de goleiros e chamadores sem deficiência. Eles, portanto, ajudam a orientar os alunos cegos ou com baixa visão a alcançarem a bola.  

O basquete em cadeira de rodas é outra adaptação do esporte convencional. A atividade é praticada por pessoas com alguma deficiência físico-motora. Nesse esporte, as cadeiras são adaptadas e padronizadas, conforme previsto nas regras.

Por fim, vale destacar o maior evento esportivo mundial envolvendo pessoas com deficiências, os Jogos Paralímpicos. Nessa competição, existem diversas modalidades de esportes coletivos adaptados, entre eles: vôlei, basquete em cadeira de rodas, futebol para cegos, etc.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

MENDONÇA, Camila. Educação física adaptada; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/educacao-fisica-adaptada >. Acesso em 23 de janeiro de 2020 às 18:48.

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