Emílio Médici

Presidente no terceiro período da Ditadura Militar, marcou o governo pelo "Milagre Brasileiro"

Emílio Médici foi um militar e político brasileiro. Eleito indiretamente como o 28º presidente do Brasil República, governou o país entre 1969 e 1974.  Deu continuidade aos “anos de chumbo” e geriu o período mais conturbado politicamente da história.

Biografia

Emílio Garrastazu Médici nasceu no dia 4 de dezembro de 1905 na cidade de Bagé, estado do Rio Grande do Sul. Iniciou a carreira militar no Colégio Militar de Porto Alegre (1918-1922). Posteriormente, formou-se oficial na Escola Militar de Realengo (1924-1927).

Emílio Médici atuou como tenente do 12º Regimento de Cavalaria, em Bagé, participou ativamente da Revolução de 1930 e aliou-se às forças que lutaram contra a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo.

Médici foi promovido a general de brigada em 1961, quando comandou a 4ª Divisão de Cavalaria, sediada em Campo Grande (1961-1963). Apesar de não haver indícios de sua participação, apoiou o Golpe de 1964 que depôs o presidente João Goulart.

Após o golpe, Emílio Médici foi nomeado adido militar em Washington (EUA) atuando também como delegado brasileiro na Junta Interamericana de Defesa Brasil-Estados Unidos, contudo não realizou grandes feitos por ser monoglota.

Em 1967, foi chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência do regime militar, no qual não obteve destaque. Emílio Médici apoiou a criação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), elaborado pelo então presidente Costa e Silva.

Médici comandou o III Exército, com sede em Porto Alegre, até ter seu nome indicado pelo Alto Comando do Exército à sucessão presidencial após o afastamento de Costa e Silva.

Governo Emílio Médici

Com o afastamento definitivo de Costa e Silva devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma junta militar assumiu a presidência provisória não concedendo a posse do cargo ao então vice-presidente Pedro Aleixo.

Médici foi eleito indiretamente como o novo presidente da República com a maioria dos votos dos oficiais generais das forças armadas, consultados pela Junta Militar durante o governo provisório.

“A eleição direta é uma piada.”

Emílio Médici tomou posse da República no dia 30 de outubro de 1969, quando também passou a vigorar a Emenda Constitucional n° 1, criada pela Junta Militar e apelidada de “Constituição de 1969”, colocando fim na vigência do AI-5.

Presidente Emílio Médici
Presidente Emílio Médici (Foto: Wikipédia)

O presidente Emílio Médici exigiu a reabertura do Congresso Nacional e assumiu o governo do país consciente do posicionamento do regime e prometendo restabelecer a democracia até o final de sua gestão.

Porém, sob a Constituição de 1967, o governo se tornou mais repressivo do que o antecessor. Os assuntos relacionados a volta da democracia não foram tratados pelo governantes e receberam pouca atenção da mídia.

Durante o governo Médici ocorreu um agravamento da repressão política, da censura aos meios de comunicação e das denúncias de tortura aos presos políticos. A esquerda aumentou suas atividades, optando pela luta armada.

Este período foi marcado pelo combate de duas guerrilhas rurais, em Ribeira (SP) e Araguaia (PA), além da intensificação da guerrilha urbana, com assaltos a bancos, sequestro de aviões e de diplomatas estrangeiros.

Em resposta à radicalização, o governo desestruturou as organizações da esquerda efetuando a prisão, exílio ou morte de seus principais líderes promovendo o período mais crítico da Ditadura Militar no Brasil.

Milagre Econômico

Apesar do uso liberal de tortura e da restrita censura à imprensa, o governo de Emílio Médici ganhou destaque pelo excepcional crescimento econômico, promovendo prosperidade das classes baixa e média.

“A economia vai bem, mas o povo vai mal”

Durante o período chamado de "Milagre Brasileiro", o Brasil obteve um crescimento econômico inusitado, expresso no acelerado crescimento do PIB, na estabilização dos índices inflacionários, na expansão da indústria, do emprego e do mercado interno.

O elevado desenvolvimento da economia do país permitiu construções de rodovias e grandes incentivos fiscais à indústria e à agricultura. Estimulou o crescimento do consumo de bens duráveis, como o televisor e a geladeira, e a produção de automóveis, tornando-se artigos comuns nas residências brasileiras.

No governo Médici, também foi responsável por criações sociais significativas, como:

  • O Plano de Integração Social (PIS);
  • O Programa de Assistência Rural (PRORURAL);
  • O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
  • O Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste (PROTERRA)
  • O Programa Especial para o Vale do São Francisco (PROVALE);
  • O Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia – POLAMAZÔNIA (1974) e;
  • Programa de Desenvolvimento de Áreas Integradas do Nordeste (POLONORDESTE).

Também foi institucionalizado o Projeto Rondon, decretado o Estatuto do Índio, e lançado o Plano de Integração Nacional (PIN), que previa a construção das rodovias Transamazônica, Cuiabá-Santarém e Manaus-Porto Velho.

Emílio Médici lançou o Movimento Brasileiro de Alfabetização, extinto Mobral, cujo objetivo era reduzir o analfabetismo no país através da alfabetização de adultos.

Além disso, concluiu o acordo com o Paraguai para a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, inaugurou a maior refinaria de petróleo do país em Paulínia (SP) e a maior usina hidrelétrica da América do Sul, na Ilha Solteira.

A ponte presidente Costa e Silva, ligando o Rio de Janeiro a Niterói, também faz parte das realizações do período presidencial de Emílio Médici.

O presidente estimulou o patriotismo, como apoio ao regime militar, investindo milhões de cruzeiros em propagandas, como a criação do slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o". A Copa de 1970 também despertou o nacionalismo com o lema "Ninguém segura esse país".

“Sinto-me feliz todas as noites quando assisto TV porque no noticiário da Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz… É como tomar um calmante após um dia de trabalho…”

Morte

Com o fim do mandato, Emílio Médici abandonou a vida pública. Declarou-se contrário à anistia política, assinada pelo presidente João Figueiredo e foi sucedido pelo general Ernesto Geisel, em 15 de março de 1974.

Aos 79 anos, Emílio Médici foi vítima de insuficiência renal aguda e respiratória, devido ao AVC. Faleceu no dia 9 de outubro de 1985, no Rio de Janeiro.

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BRITO, Samara. Emílio Médici; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/emilio-medici >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 19:08.

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