Eneida

A saga do herói mítico Enéias pelo Mediterrâneo até à Península Itálica

Eneida” é um poema épico latino escrito por Virgílio. Considerado um clássico da literatura mundial, a obra narra os eventos desde a derrota de Troia na guerra, passando pela fuga de Enéias (ou Enéas) até a fundação da cidade de Roma.

A obra

A obra “Eneida” narra os feitos e façanhas realizados por Enéias, um herói mítico que teria participado da Guerra de Troia em apoio aos troianos e contra os gregos.

Composta por 12 livros (ou capítulos), também chamados de cantos, a obra trata-se de uma epopeia para celebrar a origem e o crescimento do Império Romano, discorrendo os eventos desde a derrota de Troia na guerra contra os gregos, passando pela fuga de Enéias, suas longas viagens erráticas até chegar à Itália, onde teria fundado a cidade de Roma.

Resumo

Livro Eneida
Livro “Eneida” de Virgílio. (Foto: Amazon)

Os seis primeiros livros contam a volta de Enéias à Península Itálica após a queda de Troia. No caminho, uma tempestade o leva a Cartago, onde é recebido pela rainha Dido e acaba por se apaixonar por ela.

No entanto, Júpiter lhe revela seu destino e faz com que ele continue a viagem com o dever de fundar uma cidade na região do Lácio que se tornará a Roma Imperial. Ele tenta fugir sem que a rainha veja, mas ao se dar conta da partida do amado, Dido se suicida.

Os seis últimos livros da obra mostram a chegada na região do Lácio. Quando o rei oferece a mão de sua filha em casamento ao herói troiano, Turnus entra em conflito com Enéias e tenta atingir os troianos cercando o acampamento e colocando fogo.

A partir de então desencadeia uma sangrenta batalha entre Enéias e seu rival Turnus. O conflito chega ao fim com a com a morte de Turno.  Enéas casa-se com Lavínia e funda uma colônia na qual consegue unir romanos e troianos.

Capítulos ou cantos

I: Depois de partir da Sicília, após os sete anos seguintes a Guerra de Troia, Enéias é atingido por uma tempestade enviada por Eolos, a pedido de Juno, que o faz naufragar. Netuno enfraquece a força do mar e Enéias com sua tropa consegue chegar a costa líbia. Ele, que tem por missão fundar uma nova cidade, é recebido por Dido, rainha de Cartago e viúva de Siqueu. Embora Júpiter tenha revelado o destino futuro de Enéias, Vênus tem a ideia de inspirar em Dido uma paixão por Enéias para se vingar de Juno.

II: Dida pede que Enéias relate a guerra e a lendária queda de Troia. Ele então lhe conta sobre o episódio do Cavalo de Troia, a insídia de Sínon, a morte de Laocoonte, o incêndio da cidade, a resistência desesperada do próprio Enéas e de seus companheiros, a morte de Príamo, o encontro com o espectro de Creusa e sua própria fuga final, por ordem de Vênus, carregando nos ombros seu pai Anquises e levando seu filho Iulo (Ascânio) pela mão.

III: Enéias continua a narrativa contando suas aventuras para chegar à península Itálica, até aportar em Cartago temporária e acidentalmente. Durante a viagem, as naus foram parar na Trácia e em Delos, fugindo em seguida para Creta. Conta também sobre seu encontro com Andrômaca e como seu pai falecido.

IV: Dido encontra-se completamente apaixonada pelo herói mítico. No meio de uma caçada eles se amam, entretanto, Júpiter envia Mercúrio a Eneias para lhe lembrar que seu destino é encontrar o Lácio e fundar uma nova cidade. Enéias tenta ir embora sem que a rainha Dido perceba, contudo, ao ver os navios troianos partindo, Dido sente-se enganada e se suicida.

V: Os troianos aportam em Sicília e realizam o aniversário da morte de Anquises com sacrifícios e jogos.

VI: Enéas faz uma escala em Cumas e consulta uma sibila do deus Apolo. Deseja falar pela última vez com seu pai para pedir conselho sobre a viagem. Obtém a permissão para ir até o mundo mortos, onde seu pai Anquises lhe dá informações sobre a sua viagem e faz uma longa profecia sobre o futuro glorioso de Roma.

VII: Após a penosa viagem, Enéias chega a Itália. Encontra-se com Latino, rei de Lácio, que lhe oferece abrigo e a mão de sua filha única, Lavínia, herdeira do trono. Turno, rei dos rútulos e apaixonado pela princesa, opõe-se à união e inicia uma guerra contra Enéidas.

VIII: Enéas reluta em enfrentar a guerra, mas é encorajado pelo deus do rio Tibre, que lhe manda tentar a aliança com o arcádio Evandro e o seu povo. Palante, filho de Evandro, vai para a guerra com Enéias e o troiano surge como vencedor da batalha de Áccio.

IX: Durante a ausência de Enéas, Turno invade o acampamento troiano e ateia fogo às naus. Niso e Euríalo conseguem atravessar as linhas do inimigo durante a noite para informar o acontecido a Enéas. Turno é envolvido na linha de defesa do acampamento, mas escapa mergulhando no rio Tibre.

X: Júpiter convoca um concílio dos deuses. Enéias vai para o campo de batalha acompanhado por Palante, há uma batalha sangrenta, e o filho de Evandro acaba assassinado por Turno em combate.

XI: Enéas celebra a vitória troiana e lamenta a morte de Palas. Acerta-se uma trégua com os latinos, é proposto uma luta singular entre Turno e Enéias, mas o debate é interrompido com a notícia de que Enéas e seu exército estão marchando contra a cidade.

XII: Os latinos desistem e Turno decide enfrentar Enéias sozinho, o desafia para um combate singular, porém a irmã de Turno provoca os rutúlios e a batalha recomeça. Enéias é ferido, mas Vênus cura-o. Por fim, Enéias enfia sua espada no peito do inimigo, concluído o poema com a vitória de Enéias.

Análise do livro “Eneida”

Um dos maiores épicos da fundação de Roma, “Eneida” é um clássico da literatura mundial. Escrito por Publius Vergilius Maro (70 a.C.-19 a.C.), durante os últimos 12 anos de sua vida, a obra trata-se de uma epopeia que narra a história de Roma.

A obra havia sido encomendada pelo imperador Augusto, que desejava um poema épico que cantasse a glória e o poder do Império Romano, a grandeza do seu césar e que virilizasse. Assim, o poeta inspirou-se nas obras “Ilíada” e “Odisséia”, de Homero.

O poema foi escrito na época em que Otaviano Augustus, sobrinho de Júlio César, havia sido aclamado imperador de Roma, após vencer seu rival Marco Antônio. Assim, ao falar do mitológico herói Enéas, o autor também aborda a dinastia juliana que fundou o Império Romano e da principal figura da época, o imperador Augustus.

Uma característica da obra é a concepção da Itália como uma única nação, e da história romana como um todo contínuo desde a fundação da cidade até a expansão completa do Império.

Em “Eneida”, Virgílio empregou o chamado hexâmetro datílico, um sistema métrico em que cada verso (em latim) possui seis grupos com três sílabas, sendo duas breves e uma longa. Esse esquema, em português, corresponde às sílabas tônicas (longas do latim) e às sílabas átonas (breves do latim).

Virgílio terminou de escrever a obra por volta de 19 a.C., contudo, ainda não a considerava completa pois pretendia visitar alguns locais presentes no poema e revisar os versos dos cantos finais.

No entanto, adoeceu antes de finalizá-la da forma que desejava.  O autor teria ordenado a destruição dos escritos quando estava prestes a morrer por não estar ainda “perfeita”, mas o imperador Augusto não permitiu e o clássico da língua latina sobrevive até hoje.

Virgílio encarava a composição da “Eneida” como um dever político e religioso. Seus sentimentos humanistas e religiosos o tornaram um símbolo da cristandade durante a Idade Média.

“Eneida” serviu de inspiração para diversos poetas e obras posteriores, como Dante Alighieri, que utiliza Virgílio como um de seus personagens no seu famoso episódio da descida aos infernos na obra “A Divina Comédia”, e Luís de Camões na obra “Os Lusíadas”.

Personagens

“Eneida” é composta por diversos personagens que se dividem entre humanos e deuses.

Humanos

  • Enéias: troiano, sobrevivente à guerra de Troia e protagonista da história;
  • Turno: inimigo de Enéias;
  • Latino: rei de Lácio;
  • Anquises: pai de Enéias;
  • Creúsa: filha de Príamo e primeira esposa de Enéias;
  • Ascânio: filho de Enéias e de Creusa;
  • Dido: rainha de Cartago;
  • Lavínia: filha de Latino e segunda esposa de Enéias;
  • Palante: filho de Evandro e guerreiro do grupo troiano;
  • Evandro: ancião.

Deuses

  • Apolo: deus do Sol, da profecia, da poesia, das artes, da música, da cura, da justiça, da lei, da ordem, do tiro ao alvo e da peste;
  • Éolo: deus dos ventos;
  • Juno: mulher de Júpiter, opositor de Eneias;
  • Júpiter: o rei dos deuses;
  • Mercúrio: o deus mensageiro;
  • Netuno: deus dos mares;
  • Vénus: deusa do amor e da beleza, coadjuvante de Enéias.

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BRITO, Samara. Eneida; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/eneida >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:13.

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