Entrevista

Gênero textual onde uma ou mais pessoas realizam perguntas a um ou mais entrevistados

Entrevista é um gênero textual que consiste em um diálogo entre duas ou mais pessoas, onde o ou os entrevistadores realizam perguntas para o(s) entrevistado(s) com o intuito de obter informações ou declarações que reforcem e complementem o conteúdo que foi apurado.

Ela é um dos gêneros textuais usados principalmente pelos meios de comunicaçãojornais, revistas, internet, televisão, rádios, entre outros – com um propósito informativo, mas além da jornalística, existem outros tipos como a entrevista, como as de emprego, a psicológica, a social, entre outras.

Pode-se afirmar, portanto, que a entrevista tem um papel muito importante na sociedade por transmitir informações sobre os mais variados temas, validadas por quem tem o domínio sobre determinado assunto.

Características

Por se tratar de uma interação entre duas ou mais pessoas, a entrevista tem como principais características a oralidade e o discurso direto. Isso porque esse diálogo é transcrito exatamente da maneira como foi falado e os aspectos da linguagem oral são inseridos no texto.

Além disso, são utilizados com frequência sinais de pontuação como interrogação, reticências, travessão, aspas e parênteses (muito utilizados para descrever as ações do entrevistador e do entrevistado, como risos, lágrimas, emoção).

Apesar da formalidade identificada nas entrevistas, principalmente na exposição das perguntas, há uma mescla também de informalidade proporcionada, justamente, pela oralidade.

Entrevista
A entrevista é comumente usada pelos meios de comunicação (TVs, rádios, jornais) para passar uma informação ao público. (Foto: Wikimedia Commons)

Estrutura da entrevista

Uma entrevista deve ser estruturada da seguinte forma: definição do tema, roteiro, título e revisão. Conheça um pouco mais sobre cada um desses itens:

  • Definição do tema: antes de mais nada é fundamental definir o tema da entrevista, para a partir daí, identificar o entrevistado mais adequado para falar sobre o assunto. Após essa escolha, deve-se partir para a elaboração do roteiro.
  • Roteiro: é o que guiará o entrevistador no momento da entrevista. Deve ser elaborado a partir de pesquisas sobre o assunto e o entrevistado, com formulação das principais perguntas (no decorrer do diálogo, podem surgir questões interessantes). É fundamente al que ele seja objetivo e claro, afinal de contas, o propósito é facilitar e enriquecer o trabalho do entrevistador.
  • Título: finalizada a entrevista, ela pode ser transcrita (caso seja para um jornal, revista ou internet) e esse conteúdo pode ser iniciado com um título. Ele deve chamar a atenção do leitor e resumir a ideia da entrevista.
  • Revisão: por fim, deve ser feita a revisão de todo o conteúdo. Aspectos como coerência e coesão precisam ser cuidadosamente analisadas.

Em um veículo de comunicação, por exemplo, após a definição da pauta – que é o tema da matéria ou reportagem, com informações e indicação de entrevistados (fontes) – o repórter busca essas fontes para obter as informações necessárias para produzir o texto com o máximo de detalhes sobre determinado assunto.

Geralmente, os profissionais se utilizam de câmara e/ou gravador para que seja possível transcrever de forma fidedigna tudo que foi dito. Depois é o momento de retornar à redação, escrever o texto, colocar um título que seduza o leitor e revisar atentamente tudo que foi escrito. Muitas vezes são incluídas fotografias da pessoa entrevistada, além de recursos como o “olho”, que são destaques dados às frases mais importantes ditas pelo entrevistado.

Tipos de entrevista jornalística

A entrevista jornalística pode ser dividida em:

  • Individual: é agendada previamente e o entrevistado é informado com antecedência sobre o tema, além de ser realizada por apenas um jornalista.
  • Rotina: depende das notícias factuais e tem curto prazo de validade para ser divulgada. É realizada com personagens que estiveram presentes em situações como assaltos, enchentes, acidentes, entre outros acontecimentos.
  • Em grupo: conhecida como coletiva de imprensa, é realizada com diversos jornalistas simultaneamente, que se revezam para fazer as perguntas a um ou mais entrevistados.
  • Exclusiva: é a entrevista concedida apenas a um veículo, que fará a divulgação em primeira mão.
  • Pesquisa: é realizada com especialistas de determinado assunto que acrescentarão informações a uma reportagem ou artigos.
  • Personalidade: retrata um perfil de uma pessoa pública com informações sobre história de vida, infância, hábitos e outras curiosidades.
  • Opinativa: é realizada com pessoas que possuem conhecimento aprofundado sobre determinado assunto, como atletas, estudiosos, profissionais consagrados, por exemplo que tenham capacidade crítica para debater determinado assunto.

Entrevista dirigida e não-dirigida

A entrevista é considerada dirigida é aquela tem visa buscar informações sobre uma determinada experiência vivida pelo entrevistado. É o que ocorre, por exemplo, com acontecimentos factuais, como acidentes, tragédias, crimes, e o repórter entrevista pessoas que testemunharam ou vivenciaram aquela situação para saber repassar ao público essas informações ao público.

Nesses casos, o entrevistador muitas vezes não elaboram um roteiro de perguntas preestabelecidas, mas apenas tópicos relativos ao tema. A entrevista se desenrola durante a conversa a partir do que está sendo dito pelo entrevistado.

Já a não-dirigida é aquela preparada previamente, por meio de um roteiro, com perguntas determinadas e o entrevistador tentará conduzir o diálogo de modo a obter a informação desejada sobre o tema.

Exemplo de entrevista

Observe um trecho da entrevista do cantor Renato Russo ao jornal Folha de São Paulo em 1994:

Folha – Qual seu disco favorito da Legião Urbana?

Renato Russo – O “V”, que eu acho o disco mais difícil. Gosto muito de “O Descobrimento do Brasil”. Agora, que encontrei a programação dos 12 passos -parei de beber e de me drogar-, tudo está mais tranquilo. Esse show de hoje, por exemplo: o som estava um caos, tudo estava um horror, e o público, super legal. O lugar tinha uma reverberação brutal. O público berrava muito, e o engenheiro de som teve de aumentar tudo, desequilibrou. No começo era só “bum-bum-bum” e eu berrando, não dava para ouvir os detalhes. Mas, se fosse em outra época, eu teria ficado tão preocupado que ia beber, tomar um porre, falar: “Nunca mais vou fazer show”, nhem-nhem-nhem… Isso agora não existe mais. Há uma tranquilidade, uma serenidade que esse disco trouxe, e acho que as músicas refletem isso.

Folha – Como foi sair dessa fase?

Renato Russo – Eu estava me destruindo e, em vez de me matar com um tiro na cabeça, preferi procurar ajuda. Isso vem desde os 17 anos, mas no “V” foi a primeira vez que coloquei na música essas questões. “Montanha Mágica” é sobre isso. Eu era jovem e acabei entrando num beco sem saída.
Isso foi me consumindo, eu ficava deprimido e não sabia o porquê. Achava que o mundo era horrível, igualzinho ao Kurt Cobain, nada mais valia a pena. E isso é estranho porque, se eu achar um dia que as coisas não valham a pena, quero estar com a cabeça no lugar, e não com o corpo cheio de toxinas. Parei com todo tipo de droga e vi que as coisas não eram tão ruins.

Folha – Isso se refletia na sonoridade da banda?

Russo – Isso a gente decide. Todo disco a gente tenta fazer uma coisa diferente, até porque é mais divertido. E para não ficar na obrigação de repetir o mesmo trabalho. Não achávamos que o “Quatro Estações” fosse estourar, porque é um disco bem difícil, mas todo mundo gostou. As letras são complicadíssimas e não é tão pra cima quanto acham. É tão depressivo quanto o “V”.
Tentamos fazer músicas mais pra cima porque era natural, mas não ficava bom. “O Descobrimento do Brasil” não é um disco pra cima, é como o “Power, Corruption and Lies”, do New Order. É a coisa mais gloriosa do mundo, mas, se prestar atenção, é pesado.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

LOPES, Adriana. Entrevista; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/entrevista >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:20.

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