Epicuro

Filósofo grego que viveu durante o período helenístico

Epicuro, mais conhecido como Epicuro de Samos, foi um filósofo grego que viveu no período helenístico. Seus pensamentos e pesquisas foram vastamente propagados por instituições que ao longo dos anos se desenvolveram na Jônia, localizada no Egito.

A partir do século I, as teorias epicuristas também começaram a ser difundidas em Roma, onde Lucrécio foi um dos seus principais divulgadores.

Escultura de Epicuro.
Epicuro de Samos foi um dos filósofos que contribuíram com a filosofia atomista. (Foto: Wikipédia)

A Vida de Epicuro

Epicuro nasceu na Ilha de Samos, no ano de 341 a.C, por isso a relação com seu nome. Durante a juventude mudou-se para Teos, região localizada na Ásia menor.

Um pouco antes, ainda durante a infância, iniciou os estudos com Pânflio, um dos seguidores de Platão, e o seguiu por quatro anos consecutivos, sendo considerado um dos seus melhores alunos.

Em um determinado momento da sua existência, escutou a seguinte frase de Hesíodo:

“todas as coisas vieram do caos”

Incomodado, perguntou de onde viria o caos, mas não obteve a resposta exata como havia questionado naquele momento.

Em 323 a.C, retornou à sua terra natal, passando a sofrer com problemas de cálculo renal, o que o fez ter uma vida de extrema dor e sofrimento.

Em contato com Nausífanes de Téos, discípulo de Demócrito de Abdera, passou a conhecer as primeiras ideias sobre a teoria atomista, tendo reformulado alguns pontos.

O filósofo ainda se dedicou a transmitir o conhecimento obtido, lecionando em Lâmpsaco, Mitilene e Cólofon. Em 306 a.C., fundou sua própria escola filosófica, que recebeu o nome de  “O Jardim”,  na cidade de Atenas, onde parte dos seus amigos residia.

Em 270 a.C., veio a falecer, rodeado de alunos, seguidores dos seus ideais e amigos. Epicuro teve uma vida simples, marcada pelo desejo de desenvolvimento espiritual, recusa ao prazer e amabilidade para com o próximo.

Obra e filosofia de Epicuro

Para o filósofo, o principal objetivo da filosofia era atingir a plena felicidade, ou seja, a vida para ser considerada feliz tinha que alcançar a ausência de dor física, das inquietações mentais e da alma.

Para ter uma dimensão real do que era bom ou ruim, o filósofo comparava de quais coisas o homem se aproximava, considerado o lado bom da vida, e aquilo que o homem se afastava, considerado o lado ruim. Então, as referências dos aspectos positivos e negativos tinham como base a referência do comportamento humano.

Sobre a teoria atômica, considerou que o átomo era a base constituinte de todas as coisas existentes no planeta Terra. Cada um, consequentemente, com estruturas, características e formação bem particulares, mas todos oriundos de uma mesma origem.

Para ele, a morte física era explicada como a destruição de átomos que juntos formavam o corpo e a alma dos humanos. Entretanto, existiam átomos indestrutíveis que novamente iriam se unir para formar outros indivíduos.

Essa tese foi vastamente estudada e disseminada pelo filósofo helenístico, para que a comunidade da época tivesse mais informações sobre os deuses e a morte. Ele considerava que as pessoas daquele período eram muito supersticiosas e tinham ideias equivocadas sobre a existência dos deuses.

O objetivo de Epicuro era fazer com que todos entendessem que os deuses viviam em harmonia e ensinar o verdadeiro sentido das religiões. Desta maneira, buscava tranquilizar as pessoas em relação às angústias futuras e dos acontecimentos após a morte.

Principais pilares da filosofia

A obra de Samos era baseada em quatro principais pilares: a certeza, o prazer, o atomismo e o desejo.

Em torno desses aspectos, desenvolveu toda a sua tese filosófica acerca da constituição, origem e continuidade da vida, além dos estudos sobre imortalidade e busca incessante pelo prazer.

A certeza

De acordo com o filósofo, para obter certeza de algo na vida basta confiar naquilo que foi recebido pacificamente. Apenas a sensação que o ser humano sente é suficiente para determinar as suas certezas.

Ele acreditava que tudo que fosse palpável e visto pelo olho humano era digno de confiança e não tinha motivos para questionamentos.

O atomismo

Samos defendia intensamente a ideia de liberdade e paz do espírito.

No sistema denominado epicurista, considera-se que os átomos se aglomeram durante a trajetória na matéria, chocando-os uns com os outros, o que resulta no surgimento dos elementos da natureza, desde a criação do indivíduo até os seres inanimados.

O prazer

A doutrina de Epicuro defende que o bem seja um estado de espírito encontrado no prazer. 

Diferente do que costumava-se pensar, este prazer é compreendido como a tranquilidade da mente e o controle das próprias emoções, o domínio de si mesmo. O prazer está relacionado ao controle das sensações emocionais, recusa dos excessos.

Este tipo de prazer, no entanto, apenas deve ser para satisfação de uma necessidade ou como forma de amenizar a dor.

O único prazer benéfico é o prazer do corpo, sendo o prazer do espírito uma mera lembrança dos prazeres do corpo. Entretanto, o mais elevado de todos é a saúde.

O desejo

Nessa vertente, o filósofo fazia, ainda, uma classificação sobre os tipos de desejos:

  • Desejos naturais e necessários: comer para saciar a fome.
  • Desejos naturais e não necessários: comer alimentos mais refinados. Para ele, saciar a fome é o principal objetivo do alimento, por isso considera um prazer não necessário quando a comida ultrapassa o objetivo para qual foi produzido.
  • Desejos não naturais e não necessários: a busca pela riqueza, excesso de dinheiro, reconhecimento e fama.

Epicuro: principais obras traduzidas

  • Carta sobre a felicidade (a Meneceu). Trad. e apresent. de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore. São Paulo: UNESP, 1997.
  • Estudio preliminar, traducción y notas de Montserrat Jufresa, 2a edición, Madrid: Editorial Tecnos, 1994.
  • A doutrina de Epicuro. Tradução de Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968.
  • Diccionario de Filosofía. Tomos I e II. Barcelona: Editorial Ariel, 1994.
  • Coleção Os Pensadores, volume V. São Paulo, Editora Abril, 1973.
  • Tradução de Breno Silveira. Vol I. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.
  • Os Caminhos de Epicuro. São Paulo: Loyola, 2009; Idem. Epicuro e as bases do epicurismo. São Paulo: Paulus, 2013.
  • Epicuro o filósofo da alegria. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996.
  • A primazia da phrónesis sobre a philosophía em Epicuro. Dissertação de Mestrado.

Citações

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.

A amizade e a lealdade residem numa identidade de almas raramente encontrada.

É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho.

A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.

As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Epicuro; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/epicuro >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 17:32.

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