Érico Veríssimo

Escritor e romancista brasileiro

Érico Veríssimo foi um premiado escritor que fez parte da segunda fase do modernismo no Brasil e criou obras influenciadas pelo estilo romântico.

Um dos autores brasileiros mais traduzidos no mundo, o popular Érico Veríssimo escreveu muitos romances conhecidos pelo público.  Teve diversas funções em sua juventude antes de se dedicar à literatura. Trabalhou no comércio, em lojas e em bancos.

Depois que se mudou para Porto Alegre, conheceu alguns autores do modernismo que o influenciaram a exercer o jornalismo literário. Veríssimo teve dezenas de títulos populares no Brasil e em outros países, essa característica o impediu de ganhar notoriedade no início da carreira pela crítica considerada sofisticada, como as academias. É pai do também escritor Luís Fernando Veríssimo.

Érico Veríssimo: história e trajetória

Érico Lopes Veríssimo nasceu no município gaúcho de Cruz Alta em 17 de dezembro de 1905. Filho de pai farmacêutico e mãe dona de casa, tinha um irmão e uma irmã. Teve diagnóstico de meningite quando era uma criança de apenas quatro anos, porém um tratamento específico o salvou.

O escritor Érico Veríssimo.
Érico Veríssimo foi um poeta que representou o romantismo no Brasil. (Foto: Wikipedia)

Antes de completar dez anos, criou uma revista em que desenhava e escrevia notas, provando seu interesse pela literatura desde cedo.

No início da adolescência, Érico Veríssimo já lia autores como Dostoiévski e Joaquim Manuel de Macedo. Na escola, era um aluno quieto e discreto e passou por alguns problemas que afetaram os anos de adolescência, como pesadelos constantes e claustrofobia.

Seus pais se separaram quando Veríssimo finalizou os estudos colegiais. O pai perdeu dinheiro e propriedades, o que obrigou o escritor e seus irmãos a irem morar na casa dos avós.

A partir daí, precisou trabalhar e se dividiu em várias tarefas ao longo da vida. Passou por muitas dificuldades financeiras até conseguir ser sócio de uma farmácia que mais tarde faliu.

Em 1927, conheceu Mafalda, que se tornou sua noiva e depois esposa. Em 1929, lançou a primeira obra como escritor: Chico, um conto de Natal, publicado em uma revista da época. Depois desse feito, teve alguns trabalhos publicados no Jornal Correio do Povo e na Revista do Globo.

A Revista do Globo contratou Érico Veríssimo como secretário de redação, em Porto Alegre. Foi nessa mesma época que o escritor conheceu e manteve amizade com intelectuais gaúchos como Mário Quintana.

Depois de casar e obter estabilidade financeira, teve seus filhos Clarissa, nascida em 1935, e Luís Fernando, nascido em 1936, junto à sua esposa. No mesmo período, enquanto trabalhava na Revista do Globo, o escritor começou a traduzir livros da língua inglesa para a portuguesa, para a própria revista.

Além de tradutor, também fez colaborações em um diário de notícias e outros jornais até se tornar o diretor da revista em 1932.

Érico Veríssimo já era um escritor experiente quando começou a fazer indicações de obras estrangeiras que deveriam ser traduzidas e publicadas no Brasil. Ainda em 1932, lançou Fantoches, sua obra feita de contos em forma de modestas peças de teatro.

No ano seguinte, publicou Clarissa, seu primeiro romance e com o nome da filha mais velha. A continuação dessa obra  se chamou Música ao longe, que rendeu para Érico Veríssimo o Prêmio Machado de Assis, um dos maiores premiações da literatura brasileira.

No mesmo período, envolveu-se com a temática infantil, escrevendo assim alguns textos voltados para crianças.

No ano de 1938, o escritor publicou sua obra mais conhecida nacional e internacionalmente: Olhai os Lírios do Campo, trabalho que mais tarde seria adaptado pela Rede Globo. O próprio Érico Veríssimo acreditava que essa obra seria o divisor de águas em sua carreira literária.

Em 1941, decidiu morar pela primeira vez nos Estados Unidos, pois foi convidado durante o governo de Franklin Roosevelt para falar em conferências.

Quando voltou ao Brasil, presenciou junto a seu irmão a cena de uma mulher que cometia suicídio ao se jogar de um prédio, então tirou inspiração para escrever O Resto é Silêncio, romance muito criticado por membros da igreja.

Dois anos depois, a convite, muda-se para os Estados Unidos novamente, mas dessa vez para passar cerca de 2 anos ensinando literatura brasileira na Universidade de Berkeley, Califórnia. O tempo que passou em solo norte-americano rendeu bons livros como Gato preto em campo de neve e A volta do gato preto.

A estadia nos Estados Unidos foi positiva, pois Érico Veríssimo não concordava com o governo brasileiro de Getúlio Vargas, vigente na época.

No fim da década de 1940, o escritor publicou sua obra prima, a trilogia O tempo e o Vento, que tinha como ideia original contar a história dos últimos duzentos anos do Rio Grande Do Sul. A proposta rendeu três livros e mais de duas mil páginas no total.

Em 1975, aos 69 anos, em decorrência de alguns problemas no coração, Érico Veríssimo morreu de infarto.

Estilo literário

Érico Veríssimo era considerado um poeta com traços do modernismo e romantismo.

Principais obras de Érico Veríssimo

  • Fantoches (1932)
  • Música ao Longe (1935)
  • Um lugar ao sol (1936)
  • Olhai os Lírios do Campo (1938)
  • Gato preto em campo de neve (1941)
  • A volta do gato preto (1945)
  • A trilogia de O tempo e o vento: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961).

Trecho do livro “Olhai os Lírios do campo”

“Quero que abra os olhos, Eugênio, que acorde enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles.

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza.”

Citações

Nenhum escritor pode criar do nada. Mesmo quando ele não sabe, está usando experiências vividas, lidas ou ouvidas, e até mesmo pressentidas por uma espécie de sexto sentido.

Na minha opinião existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Magalhães, Alissa. Érico Veríssimo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/erico-verissimo >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 23:24.

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