Esquistossomose

Doença conhecida como barriga d'água

A esquistossomose, conhecida popularmente como barriga d’água e febre do caramujo, é uma doença infecciosa causada por vermes do gênero Schistosoma, que podem se instalar em várias partes do corpo humano, sendo o fígado o local preferencial.

Existem cinco espécies de Schistosoma que podem causar a esquistossomose em humanos:  S. hematobium, que infecta o trato urinário; S. mansoni, S. japonicum, S. mekongi e S. intercalatum que atingem o intestino e o fígado.

Esquistossomose criança
Uma das complicação da doença é aumento do abdome. (Foto: Wikipédia)

Uma vez infectado, o indivíduo pode desenvolver a doença de forma assintomática ou sintomática. Neste último caso, as ocorrências mais comuns são febre, coceira local, diarreia, falta de apetite, entre outros.  

Essa enfermidade está relacionada, principalmente, a falta de saneamento básico. Por esse motivo, a educação sanitária e o tratamento coletivo das comunidades de risco são as principais formas de prevenção da doença.

Estima-se que, anualmente, a esquistossomose afeta cerca de 240 milhões de pessoas em todo o mundo. As maiores taxas de incidência da doença são nas regiões tropicais, com destaque para África, logo depois Ásia e América do Sul.

Ciclo biológico do parasita

A propagação e transmissão da doença acontece por meio de um ciclo, para que isso aconteça é necessário a presença de dois hospedeiros:

Hospedeiro definitivo: o homem é o principal hospedeiro definitivo. Nele, o parasita na forma adulta se reproduz de maneira sexuada e seus ovos são eliminados por meio das fezes no ambiente, ocasionando a contaminação de açudes, lagoas, córregos, etc.

Outros animais como macacos, roedores, gambás, ruminantes e coelhos são classificados como hospedeiros permissivos ou reservatórios. Contudo, ainda não está comprovada a real participação desses animais na transmissão da doença.

Hospedeiro intermediário: a presença de um hospedeiro intermediário é essencial para o parasita completar o seu ciclo. Neste caso, os caramujos que vivem em locais de água parada propiciam a sua reprodução assexuada.

Transmissão

Esquistossomose ciclo
Ciclo de transmissão da esquistossomose. (Foto: Wikipédia)

Quando o indivíduo está contaminado, as sua fezes contêm pequenos ovos dos parasitas que são eliminados no ambiente, podendo atingir açudes, lagoas, córregos e até mesmo em represas de água parada.

Os ovos quando eclodem na água, liberam pequenas larvas ciladas – chamadas de miracídios. Essas larvas penetram nos caramujos (hospedeiros intermediários), se desenvolvem e se reproduzem de forma assexuada, gerando as cercárias.

Após 4 a 6 semanas, as cercárias, que possuem cauda bifurcada, são liberadas novamente na água. Devido ao seu curto tempo de vida, elas precisam penetrar rapidamente na pele ou na mucosa de um humano (hospedeiro definitivo).

Quando as cercárias penetram na pele do homem, por meio de enzimas digestivas, é comum que o indivíduo sinta coceira na região. Em função disso, elas conseguem alcançar a corrente sanguínea;

Da corrente sanguínea, as cercárias seguem para o fígado e se desenvolvem até tornarem vermes adultos. Já amadurecidos, os vermes migram para o intestino e se reproduzem, sendo posteriormente eliminados por meio das vezes.  Então, um novo ciclo se reinicia.

Fases da esquistossomose e sintomas

A esquistossomose pode ser classificada em duas fases:

Fase inicialcorresponde ao início da infecção por meio da penetração das cercárias na pele. Em alguns casos, a doença manifesta-se de forma assintomática, sendo comum apenas vermelhidão, edema e coceira no região afetada.

Após 3 a 7 semanas de exposição ao parasita, os primeiros sintomas podem surgir na forma de febre de Katayama, caracterizada pela presença de:

  • Febre
  • Cefaleia
  • Linfonodos aumentados
  • Anorexia

Que também podem ser acompanhados de:

  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Náuseas
  • Tosse seca
  • Vômito

Fase tardiatem início a partir do sexto mês após a infecção e pode se estender por vários anos. O fígado é o principal afetado, mas a doença pode se espalhar para outros órgãos do corpo humano.

  • Hepatointestinal: geralmente acontece de forma assintomática, contudo na presença de alguns sintomas: desânimo, indisposição, tonturas, dor epigástrica, surtos de diarreia, etc;
  • Hepática: semelhante à forma hepatointestinal, porém em exames físicos é possível constatar o fígado palpável e endurecido, além da presença de fibrose hepática;
  • Hepatoesplênica compensada: caracterizada principalmente pela hipertensão portal, ocasionando o aumento do baço e o aparecimento de varizes no esôfago;
  • Hepatoesplênica descompensada: essa é considerada uma das formas mais graves da doença, pois provoca a diminuição acentuada do funcionamento do fígado;
  • Outras localizações: em casos raros, o parasita pode atingir a vagina, os testículos, a pele, a retina, a tireoide e o coração.

Tratamento e prevenção

Basicamente, o tratamento da esquistossomose é realizado com medicamentos específicos capazes de curar a doença, reduzir a carga parasitária ou ainda impedir a evolução para as formas graves. Ainda não há vacina.

A principal forma de prevenção consiste em evitar o contato com caramujos e não banhar-se nas águas onde esses animais vivem. Outras medidas podem ser tomadas para evitar a contaminação:

  • Saneamento básico com esgotos e água tratada;
  • Não evacuar em locais próximos de águas banháveis ou potáveis;
  • Evitar andar descalço na rua e em regiões próximas de riachos de água doce;
  • Utilizar calças, botas e luvas quando entrar em locais com água contaminada.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

CAIUSCA, Alana. Esquistossomose; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/esquistossomose >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 23:29.

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