Euclides da Cunha

Importante escritor da fase modernista no Brasil

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, nacionalmente conhecido como Euclides da Cunha, nasceu na cidade de Cantagalo, estado do Rio de Janeiro, no dia 20 de janeiro de 1866, mas ficou órfão da mãe aos três anos de idade, sendo, a partir deste momento, educado pelos tios.

Filho de Manuel Rodrigues da Cunha Pimenta e Eudósia Alves Moreira da Cunha, foi criado entre fazendas na Bahia e Rio de Janeiro logo depois do falecimento da sua mãe.

Durante a infância, passou por diversas escolas por causa das constantes mudanças dos tios.

Euclides da Cunha
Euclides da Cunha é considerado um dos mais importantes escritores do modernismo (Foto: Wikipédia)

Logo ao completar 19 anos, em 1885, ingressou na Escola Politécnica, mas migra para Escola Militar da Praia Vermelha por falta de recursos.

Nessa época, escrevia para a revista da escola, intitulada “A Família Acadêmica”. Afrontoso, foi expulso por desrespeitar o Ministro da Guerra.

Em 1889, como forma de ratificar seus ideias republicanos, seguiu para São Paulo e publicou no jornal O Estado de São Paulo uma série de artigos em defesa dos ideias da república em detrimento da monarquia.

Biografia de Euclides da Cunha

Euclides nasceu em uma área rural da cidade de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Fazenda Saudade, em Santa Rita do Rio Negro.

Em 1883, começou os estudos no Colégio Aquino, onde foi aluno de Benjamin Constant.

Poucos anos depois, em 1885, ingressou na Escola Politécnica e no ano posterior migrou para Escola Militar de Praia Grande, onde novamente voltou a ser aluno de Benjamin.

Republicano e contagiado pela agitação dos cadetes e do próprio professor que o inspirava, atirou sua espada aos pés do Ministro da Guerra Tomás Coelho, durante revista das tropas militares.

A liderança da Escola tentou justificar o ato como estresse por excesso de estudo, mas o próprio Euclides não aceitou o argumento e confirmou que a atitude tomada era por causa do posicionamento político adotado pela vítima do golpe.

Por causa do ato de rebeldia, o escritor foi julgado pelo Conselho de Disciplina e desligado do Exército em 1888, tendo marcado o final de uma curta temporada no serviço militar.

Entretanto, após a Proclamação da República foi promovido e reintegrado ao Exército Brasileiro. Empenhado, ingressou na Escola Superior de Guerra, tornando-se primeiro-tenente e bacharel em matemática, ciências físicas e naturais.

Casou-se com Ana Amélia, filha do major Sólon Ribeiro, um dos líderes da Proclamação da República. Já em 1891, foi designado coadjuvante de ensino na Escola Militar e deixou a Escola de Guerra.

Guerra de Canudos

Logo ao iniciar a Guerra de Canudos, em 1897, Euclides se dedicou a escrever dois artigos intitulados “A Nossa Vendeia”.

Esses escritos resultaram em um convite do jornal O Estado de São Paulo para que ele acompanhasse o final do conflito como repórter correspondente.

Para Euclides, o movimento liderado por Antônio Conselheiro tinha o objetivo de restaurar a monarquia com total apoio de influentes monarquistas tanto no Brasil como exterior.

Nesta fase, na cidade de Canudos, Euclides adota um garoto chamado de Ludgero, em condições de fraqueza e saúde debilitada.

Levado para São Paulo, o garoto é entregue ao educador Gabriel Prestes e rebatizado de Ludgero Prestes, sobrenome recebido do pai adotivo.

Livro “Os Sertões”

A quatro dias do final da guerra, Euclides da Cunha deixou a cidade de Canudos, entretanto, reuniu material suficiente para escrever uma das suas principais obras: Os Sertões.

Os Sertões: uma campanha de Canudos foi escrito nos cinco anos subsequentes à guerra, entre os intervalos de uma rotina exaustiva.

Isso porque neste período ele já estava em São José do Rio Pardo liderando a construção de uma ponte metálica.

Euclides se tornou internacionalmente famoso com a publicação desta obra. Após a disseminação de Os Sertões, foi convidado a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL) e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).

A obra divide-se em três partes: A terra, O homem e A luta. Nelas Euclides analisa as características geológicas, botânicas, zoológicas, além da vida, os costumes e a religiosidade da população sertaneja.

Euclides da Cunha narra os fatos ocorridos nas quatro expedições enviadas ao arraial liderado por Antônio Conselheiro.

Principais obras

  • As secas do Norte, 1900
  • Folha de rosto de Os Sertões 1902         
  • Os Sertões: campanha de Canudos, 1902
  • À margem de um livro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 e 7 nov. 1903.
  • Os batedores da Inconfidência. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 abr. 1903.
  • Civilização, 1904
  • Entre as ruínas, 1904
  • Entre o Madeira e o Javari, 1904
  • Heróis e bandidos, 1904
  • Uma comédia histórica, 1904
  • Vida das estátuas, 1904
  • Peru ‘versus’ Bolívia, 1907
  • Castro Alves e seu tempo, 1907
  • Entre os seringais, 1906
  • O valor de um símbolo, 1907.
  • À margem da história, 1909.
livro escrito por Euclides da Cunha
Os Sertões é uma das principais obras de Euclides da Cunha (Foto: Wikipédia)

Morte

Ana Assis, esposa de Euclides da Cunha, passou a ser amante de um cadete do exército 17 anos mais jovem do que seu marido.

Ainda casada, Ana teve dois filhos com o amante, Dilermando de Assis. Um deles faleceu ainda bebê.

O filho sobrevivente era chamado por Euclides de “a espiga de milho no meio do cafezal”, por ser o único loiro em uma família predominantemente morena.

Revoltado, Euclides da Cunha resolveu praticar uma vingança contra seu rival. Afoito, entrou na casa de Dilermando, prometendo matá-lo com um golpe de arma de fogo.

Entretanto, o cadete era especialista em tiro. Em legítima defesa, atirou e matou Euclides, casando, posteriormente, com sua amante, Ana de Assis.

O corpo de Euclides foi velado na ABL. O médico e escritor Afrânio Peixoto, responsável por seu atestado de óbito, mais tarde ocupou sua cadeira na Academia.

Em sua homenagem, há uma cidade no estado da Bahia, na região do sertão baiano, nomeada “Euclides da Cunha”, pela representatividade e um marco da fase em que esteve na região baiana.

Citações

Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos.

Viver é adaptar-se.

Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora.

O evangelho fecha-se com a astronomia.

Nada se perde abandonando uma estrela para abraçar um amigo.

O lema da nossa bandeira é uma síntese admirável do que há de mais elevado em política.O sertanejo é, antes de tudo, um forte.

Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora.

O bandeirante foi brutal, inexorável, mas lógico. Foi o super-homem do deserto.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Euclides da Cunha; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/euclides-da-cunha >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 20:28.

Copiar referência