Eva Perón

Ex-primeira-dama da Argentina e ativista política

Eva Perón (1919-1952) foi uma atriz e ativista política que se tornou primeira-dama da Argentina entre os anos de 1946 a 1952 quando seu marido, o Coronel Juan Perón, se elegeu presidente.

Eva Perón desenvolveu trabalhos sociais com a população carente, manifestou-se na política no movimento peronista e conseguiu a simpatia da classe trabalhadora a quem chamou de “descamisados”.

Em resposta ao seu envolvimento, carisma e influência, Evita, como era chamada pelo povo argentino, conseguiu conquistar inúmeros direitos sociais. Os movimentos políticos encabeçados pela ex-primeira-dama foram fundamentais para as mudanças ocorridas na Argentina e até hoje sua luta reflete na história do país.

Berço humilde

Nascida em Los Toldos, município de General Viamonte próximo à capital Buenos Aires, Maria Eva Duarte vinha de uma família pobre.

Sua mãe se chamava Juana Ibarguren e era uma costureira que trabalhava para sustentar os cinco filhos que tinha com Juan Duarte, um fazendeiro comerciante que tinha uma outra família e deixou de ajudar a segunda quando Eva ainda era pequena.

Dos cinco filhos de Juana, Eva foi a única a não ser registrada pelo pai, que faleceu quando ela tinha entre cinco e seis anos de idade.

Por ser filha de um relacionamento irregular, Eva sofreu o preconceito com o falatório e os julgamentos das pessoas contra seus pais, principalmente contra sua mãe que estava no papel de amante de Juan. Por esse motivo, já depois da morte de seu pai, a família resolveu se mudar para uma cidade próxima chamada Junín, local onde Eva passou boa parte de sua adolescência.

Vida em Buenos Aires

Aos 15 anos, Eva saiu da casa de sua mãe para realizar o sonho de ser atriz em Buenos Aires, se aventurando na capital argentina na esperança de encontrar uma oportunidade no mundo artístico.

Em 1937 estreia no cinema no filme "Segundos Afuera" e em 1939 se torna estrela de radionovela que lhe deu grande visibilidade. Com uma vida confortável e bem estabelecida, Eva começou a praticar atos de caridade.

Em 1944, um terrível terremoto destruiu a cidade de San Juan. Na circunstância, as autoridades argentinas tiveram que enviar para a região um auxílio para as vítimas do desastre. Com a iniciativa, um grupo de pessoas foi enviado para dar assistência aos atingidos pelo tremor.

Esse grupo tinha o objetivo de organizar um evento beneficente que pudesse arrecadar dinheiro para a população vítima daquela tragédia.

Foi nesse evento que Eva conheceu o militar Juan Domingo Perón, que na época era secretário do Ministério do Trabalho e também encarregado de prestar suporte às vítimas do terremoto. A partir daí, os dois começaram a nutrir uma relação e Eva começou a se inserir no meio político.

Evita e Perón

Juan e Eva Perón
Juan e Eva Perón. (Foto: Wikimedia)

Por se destacar muito como alguém que se interessava e se empenhava nas causas de direitos sociais para trabalhadores, Juan Perón não demorou muito para crescer e se tornar vice-presidente, pois algumas das suas missões eram aumentar o número de vagas de emprego e estimular o crescimento econômico do país. Enquanto isso, Eva se dedicava às causas sociais e à prática de caridade.

Em 1945, já morando junto com Eva, Juan Perón começou a sofrer perseguições de líderes partidários da oposição que tinham o receio de que ele se tornasse um ditador fascista por causa de sua popularidade e autoridade no exército.

Neste ano foi destituído do seu cargo e preso pelo grupo oposicionista.

Ascenção de Perón

Com o acontecido, Eva mobilizou uma multidão de trabalhadores, a quem chamou de “descamisados”, para que protestassem a favor de Perón. Por ser artista de rádio, Evita possuía ótimas habilidades para se expressar e uma oratória muito forte.

Dois dias depois Perón estava livre e se casa com Evita que agora passa a se chamar Eva Perón.

A liderança de Eva Perón consolidou a imagem de Juan Perón. Assim, com o apoio dos trabalhadores e de lideranças sindicais, Perón se torna Presidente da Argentina em fevereiro de 1946, sucesso obtido também com uma boa campanha.

Com a vitória do marido, a então primeira-dama toma posse da Secretaria do Trabalho onde realizava diversas ações para preservar e aprimorar os direitos trabalhistas, entre outras demandas que envolviam a proteção de crianças, idosos e mulheres.

Além disso, Eva Perón desempenhou papel fundamental na política com o movimento peronista e na conquista do voto feminino.

Conquistas de Eva Perón

Com o crescimento da popularidade, em 1948 Evita criou a Fundação Eva Perón que tinha como objetivo ajudar pessoas com diversos tipos de necessidades. A instituição se mantinha através de contribuições de empresários e doações, além do intenso trabalho realizado por Eva Perón que chegava a ficar mais de 18 horas atendendo a população carente.

Um ano depois, em 1949, fundou o Partido Peronista Feminino que tinha sua preocupação direcionada para a situação da mulher e a sua inserção no mercado de trabalho. Evita demonstrava uma postura voltada para o feminismo, no qual ela lutava intensamente pelos direitos iguais entre homens e mulheres.

Mediante tanto esforço, as classes minoritárias conseguiram conquistar uma boa qualidade de vida e em 1951 Eva Perón chegou a ser indicada para Vice-presidente da República pela Confederação Geral do Trabalho, mas negou com o argumento de que o convívio com o povo é que fazia do seu trabalho eficiente. Suas ações a tornaram um mito para o povo argentino, sendo até considerada como “mãe dos pobres”.

Vida interrompida

A vida de Eva Perón foi interrompida por um câncer de útero em 26 de julho de 1952, quando tinha apenas 33 anos.

O tempo que esteve em tratamento da doença pode realizar o voto, mesmo que deitada em uma cama, e também ver o marido Juan Perón se reeleger presidente da República.

Seu corpo foi velado para uma multidão de simpatizantes e logo transferido para a Itália e posteriormente para a Espanha para evitar peregrinações ao túmulo de Evita.

Um golpe militar derruba o governo em 1955 e Perón é exilado na Espanha. Em 1973 ele volta à Argentina para concorrer novamente ao cargo de presidente, conquistando com sucesso o posto.

Dessa vez, ele tem como vice sua terceira esposa Isabel Martines de Perón, conhecida como Isabelita. Perón morre em 1974 e logo depois Isabelita manda trazer os restos mortais de Eva Perón para serem sepultados em Buenos Aires.

Nos dias atuais Eva Perón ainda é lembrada na Argentina, onde seu nome está exposto em restaurantes, em uma biblioteca, em uma das avenidas de Buenos Aires, em um museu que conta sua história e no cemitério da Recoleta onde está enterrada.

A ex-primeira-dama é homenageada ainda na cinebiografia musical Evita, na qual é interpretada por Madonna que contracena com Antônio Banderas interpretando Juan Perón.

A obra foi lançada em 1996, inspirada na peça de teatro de mesmo nome.

Citações

Onde existe uma necessidade, nasce um direito.

Nossa pátria deixará de ser uma colônia ou a bandeira tremulará sobre suas ruínas.

A pátria não é herança de nenhuma força. O país é o povo e nada pode superar o povo sem que corram perigo a liberdade e a justiça.

De nada valeria um movimento feminino em um mundo sem justiça social.

Chegou a hora da mulher que compartilha uma causa pública e morreu a hora da mulher com um valor inerte e numérico na sociedade.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Darcicleia. Eva Perón; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/eva-peron >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:04.

Copiar referência