Evo Morales

Foi o primeiro presidente indígena da Bolívia

Evo Morales é presidente da Bolívia desde 2006. Juan Evo Morales Ayma é da etnia uru-aimará e nasceu em 26 de outubro de 1959 em Oruro, na Bolívia.

De uma infância em um vilarejo pobre, cresceu e completou o ensino médio com a ajuda dos seus pais. Trabalhou como pedreiro, vendedor em uma padaria, músico e prestou serviço militar em La Paz.

Biografia de Evo Morales

Durante o serviço militar em La Paz, Evo Morales sofreu alguns episódios de discriminação por ser indígena e pobre, e então no ano de 1980 retornou para Isallavi. Após dois anos deixou a vila com sua família, milhares de migrantes e viajaram para Cochabamba fugindo da miséria e condições precárias.

A família Morales se estabeleceu em Puerto San Francisco, Chapare, e foi para o comércio de frutas e hortaliças, onde eles se estabeleceram como produtores de arroz e depois coca. Morales trabalhou em plantações de laranja, coca, banana, mamão e se tornou líder indígena. Nesse quadro se viu sindicalista e protetor dos trabalhadores rurais.

Após a família alcançar estabilidade no emprego com o cultivo da folha da coca, que era a mais estável da região devido à alta demanda pelo tráfico de drogas, Evo Morales começou a ter notoriedade como liderança local entre os camponeses indígenas.

Desde pequeno demonstrava sua preocupação com a realidade social do seu povo e pela luta dos desfavorecidos, assim decidiu focar o seu ativismo no sindicalismo agrário.

Vivia com o livro do marxista Fausto Reinaga no bolso e a crença de que chegou o momento de se tornar militante entrando na união agrícola em São Francisco, em 1983.

Teve uma rápida carreira no sindicato e assumiu a Secretaria Esportiva em 1985, e em 1988 foi eleito secretário executivo da Federação Trópica de Cochabamba.

Naquele mesmo ano o governo de Victor Paz Estenssoro, que era conservador, cansou da pressão do governo dos Estados Unidos e avançou no Congresso a lei que restringia a produção da folha da coca.

Com o social-democrata na presidência, a Federação Trópica de Cochabamba, que era liderada por Morales, se mobilizou contra os planos do governo para reduzir a área agrícola destinada ao cultivo de coca.

O movimento cocaleiro aumentou para manter sua fonte de renda, no ano de 1993, com a entrada de Gonzalo Sánchez de Lozada à presidência, que encontrou uma permanente resistência. Em 1994 presenciou um dos confrontos entre o governo e os produtores de coca.

Com a orientação política voltada ao socialismo, luta para implementar a reforma agrária e a nacionalização de setores importantes da economia na tentativa de fugir das influências do capitalismo proveniente dos Estados Unidos.

Evo Morales iniciou a carreira política fazendo críticas aos programas de extinção do plantio de coca, o que o levou a eleger-se deputado, tornando-se o mais votado.

posse de Evo Morales na Bolívia
Posse do primeiro mandato em 2006. (Foto: Wikipedia)

O partido que ele lidera, Movimento ao Socialismo (MAS), tornou-se a segunda força política do país. Ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2002, o que impressionou porque o país era dominado politicamente por partidos tradicionais.

Então, no ano de 2005, venceu com maioria dos votos logo no primeiro turno com 53% dos votos e tornou-se o primeiro presidente da Bolívia com origem indígena. Assumiu a presidência em 22 de janeiro de 2006.

Sempre admirou a ativista indígena Rigoberta Menchú, que ganhou um Nobel da Paz em 1992, além de Fidel Castro devido a sua oposição a política dos Estados Unidos.

Sugere que o plantio da coca é “um patrimônio cultural dos povos andinos e parte inseparável da cultura boliviana, e sua proibição não poderia ser feita através de uma simples regulação estabelecida por uma convenção externa”. Para isso ele indica que o problema da cocaína seja resolvido ao lado do consumo.

Segundo Evo Morales: “haverá zero cocaína, zero tráfico de drogas, mas não zero coca.”

A presidência

Evo Morales presidente da Bolívia com trajes tradicionais
O presidente Evo Morales busca utilizar trajes que remetem à cultura do povo boliviano. (Foto: Wikipedia)

Com as eleições presidenciais, as quais venceu com 53,74% dos votos, um indígena subiu ao poder pela primeira vez na Bolívia.

A posse de Evo Morales foi um marco histórico na política da Bolívia, pois ele fez questão de fazer um simbolismo religioso que representasse a sua origem indígena.Um dia antes da posse oficial do Parlamento, se vestiu com os trajes típicos e fez uma cerimônia religiosa nas ruínas de Tiwanaku.

Ao ser empossado, no dia 22 de janeiro de 2006, em cerimônia na cidade de La Paz, recebeu chefes de estado como o presidente brasileiro da época, Luís Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, entre outros.

Afirmou que sua presidência seria o marco de uma nova era e que 500 anos de colonialismo chegaram ao fim.Logo ao assumir, sua primeira realização foi a redução do seu salário em 57%.

Também anunciou a intenção de levar aos tribunais Eduardo Rodríguez, que era ex-presidente interino, e o Ministro da Defesa, Gonzalo Méndez Gutiérres, por trair o país pela transferência de mísseis terra ar de fabricação chinesa para os Estados Unidos com o intuito de desativá-los.

Evo Morales comunicou a primordialidade da nacionalização dos hidrocarbonetos. Firmou o apoio às políticas de presidentes da esquerda de países da América Latina, por se identificar com seus ideais.

Evo Morales lutou pela instalação da assembleia constituinte em prol da transformação boliviana. Aprovou a lei dos hidrocarbonetos garantindo 50% do faturamento para o país. Defende o equilíbrio da nacionalização das companhias de gás natural e ao mesmo tempo dar suporte a cooperação internacional da indústria.

Durante seus mandatos presidenciais, Evo Morales sempre utilizou roupas tradicionais da Bolívia, como o suéter com motivos e desenhos indígenas.

Os dois lados do governo

Como a maioria dos governos, teve bons resultados e alguns que não foram satisfatórios para a sociedade boliviana. Entre os pontos positivos conseguiu investimentos para realização de projetos; a receita do petróleo cresceu 13,5%; alcançou o aumento de 17% para 41% no poder de compra; aumentou a construção de estradas com cerca de 1680 quilômetros; teve crescimento de 4,8% no Produto Interno Bruto (PIB).

Em contrapartida, provocou a mudança na constituição para realizar reeleição; não foi enérgico no combate ao tráfico de drogas; não havia diversidade na pauta da exportação; fez obras consideradas desnecessárias com altos custos.

Citações

Devemos acabar com a escravidão da Mãe Terra.

Unidos, com trabalho, esforço, com segurança, logo voltaremos ao mar com soberania.

Como líder indígena da Bolívia, sei como é a exclusão. Antes de 1952, meu povo não tinha permissão para entrar nas principais praças da cidade, e quase não havia políticos no governo até o final dos anos 90.

Esse processo de mudança é sem retorno; Tudo o que eles dizem, o que eles fazem. O neoliberalismo não retornará à Bolívia.

Os princípios fundamentais do movimento indígena são a vida, é a Mãe Terra e a paz.

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Letícia Reis, Ana. Evo Morales; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/evo-morales >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 23:35.

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