Fábula

Narrativa curta que transmite uma lição moral

Fábula é uma narrativa em que os personagens são animais que são personificados, ou seja, possuem características humanas como fala, raciocínio e costumes.

Bastante utilizada na literatura infantil, a fábula tem caráter educativo e sempre termina com um ensinamento.

Uma das principais características da fábula é fazer analogia com o cotidiano. Através de histórias vivenciadas pelos personagens irracionais, a fábula busca passar um ensinamento para os seres humanos. Essa mensagem educativa, geralmente, vem no final da narrativa e é chamada de moral da história.

Fábula: Jean de La Fontaine
Jean de La Fontaine, escritor francês que recriou e divulgou diversas fábulas de Esopo. (Foto: Wikipedia)

Escrita em prosa, a fábula, geralmente apresenta uma narrativa curta. A fábula enquanto gênero textual faz parte dos tipos de textos narrativos. Sua estrutura é desenvolvida a partir dos elementos de uma narração como: personagens, narrador, tempo, espaço e enredo.

Na fábula, os animais geralmente simbolizam aspectos dos seres humanos. Por exemplo, a raposa representa a astúcia, o leão representa a força. Por se um narrativa didática, são transmitidas por pais e professores, e estão em livros, peças de teatro, filmes, entre outras formas de comunicação.

Origem da fábula

A fábula teve origem no Oriente com os assírios, sumérios e babilônios, onde existiu uma vasta tradição. Provérbios sumérios, escritos cerca de 1500 a.C., já utilizavam em suas narrativas animais com aspectos humanos e uma lição moral, em mensagens curtas e diretas.

Fábula: Esopo
Esopo foi um fabulista grego a quem se atribuiu várias fábulas populares. (Foto: Wikipedia)

No entanto, a fábula se desenvolveu na Grécia Antiga, onde foi cultivada por Esopo, Hesíodo e Arquíloco. Surgida na Grécia em uma época onde a liberdade de expressão era limitada, o uso de fábulas para criticar as formas de governo era comum.

A fábula funcionava como um código para que as críticas fossem feitas de maneira subjetiva. As histórias de Esopo são carregadas de mensagens que apresentam um contraponto entre os mais fortes e os mais fracos, nas quais os mais fortes podem ser enganados e os mais fracos podem utilizar da inteligência para prevalecer.

Nesse período, o gênero narrativo ainda pertencia à tradição oral. Por volta do século I a.C., o romano Fedro aperfeiçoou e deu um toque estilístico à fábula, inserindo-a na literatura escrita.

Mais tarde, por volta do século XVI, Leonardo da Vinci descobriu e reinventou as fábulas, no entanto, elas não tiveram ficaram reconhecidas fora da Itália.

Por volta do século XVII, o francês La Fontaine recriou a fábula. Grande propagador das fábulas de Esopo, Fontaine além de reescrever as fábulas para uso educativo, caracterizou personagens de acordo com sua aparência.

Algumas das fábulas mais conhecidas de todos os tempos são: “A Cigarra e a Formiga”, “A Raposa e as Uvas” e a “Lebre e a Tartaruga”.

Características da fábula

  • Narrativa figurada em prosa ou em poema épico;
  • Personagens com características antropomórficas, ou seja, animais com características ou comportamentos humanos.
  • Representação de características como virtudes, qualidades e defeitos do ser humano, por meio do comportamento dos animais;
  • Temática do contraponto como a inteligência contrapondo a força;
  • Pode apresentar várias versões de uma mesma história, por se tratar de um gênero narrativo que foi transmitido oralmente;
  • Presença de “personagens tipo”, que são personagens que representam o comportamento humano de forma coletiva e não de maneira individual;
  • Apresentação de uma lição moral ao término da história.

A fábula na literatura infantil

A fábula é um gênero textual didático que pode passar uma mensagem que talvez, se transmitida de outra forma, se tornaria mais difícil de ser assimilada. Por esse motivo, a fábula é bastante utilizada na literatura infantil.

Além do caráter didático-pedagógico, a fábula aborda conflitos da vida dos seres humanos em sociedade de maneira lúdica. Portanto, a fábula é uma forma de disseminar valores essenciais às relações sociais, como ética, amizade, respeito às diferenças e humildade.

Autores de fábulas

Fábula: Monteiro Lobato
Monteiro Lobato foi o maior representante desse gênero no Brasil, escrevendo diversas fábulas para o público infantil. (Foto: Wikipedia)

Os autores mais conhecidos de fábulas são Esopo, Fedro e La Fontaine, que criou uma obra intitulada "Fábulas", dividida em 12 livros. Nesses livro, La Fontaine usou uma linguagem que possibilitou analisar com perfeição a alma e a natureza humana. Suas fábulas foram escritas em versos livres e publicadas entre 1668 e 1694. Elas serviram para criticar de forma lúcida e satírica a sociedade do final do século XVII.

No Brasil o escritor de fábulas mais conhecido é Monteiro Lobato, que escreveu fábulas como a coruja e a águia, o cavalo e o burro, o corvo e o pavão, entre outras.

O cavalo e o burro é uma das fábulas mais conhecidas do escritor brasileiro. A história traz uma lição sobre egoísmo.

O Cavalo e o Burro

O cavalo e o burro seguiam juntos para a cidade. O cavalo contente da vida, folgando com uma carga de quatro arrobas apenas, e o burro — coitado! Gemendo sob o peso de oito. Em certo ponto, o burro parou e disse:
— Não posso mais! Esta carga excede às minhas forças e o remédio é repartirmos o peso irmãmente, seis arrobas para cada um.
O cavalo deu um pinote e relinchou uma gargalhada.
— Ingênuo! Quer então que eu arque com seis arrobas quando posso tão bem continuar com as quatro? Tenho cara de tolo
O burro gemeu:
— Egoísta, Lembre-se que se eu morrer você terá que seguir com a carga de quatro arrobas e mais a minha.
O cavalo pilheriou de novo e a coisa ficou por isso. Logo adiante, porém, o burro tropica, vem ao chão e rebenta.
Chegam os tropeiros, maldizem a sorte e sem demora arrumam com as oito arrobas do burro sobre as quatro do cavalo egoísta. E como o cavalo refuga, dão-lhe de chicote em cima, sem dó nem piedade.
— Bem feito! Exclamou o papagaio. Quem mandou ser mais burro que o pobre burro e não compreender que o verdadeiro egoísmo era aliviá-lo da carga em excesso? Tome! Gema dobrada agora…

Moral da História: Devemos ser justos com nossas obrigações, pois o egoísmo não nos leva a lugar algum. Assim como aconteceu com o cavalo mais cedo ou mais tarde nossas ações podem nos trazer sérios problemas.

Gêneros metafóricos X Fábula

É importante ressaltar que existem outros gêneros discursivos narrativos bastante próximos à fábula. Trata-se dos textos de gêneros metafóricos, nos quais os personagens são seres inanimados, forças da natureza ou objetos.

Apesar de a fábula também se encaixar no gênero narrativo discursivo metafórico, esses tipos de textos se diferenciam com relação aos tipos de personagens. No caso da fábula, os personagens são animais; no apólogo os personagens são objetos, seres inanimados e partes do corpo de seres vivos; e no caso da parábola, os personagens são apenas seres humanos.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

DIAS, Fabiana. Fábula; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/fabula >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 01:04.

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