Fases do Renascimento

Trecento, Quattrocento e Cinquecento

As fases do Renascimento representaram os períodos que marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna na história da Europa.

Elas se dividem em: Trecento, Quattrocento e Cinquecento, correspondentes aos séculos XIV, XV e XVI respectivamente.

O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que marcou o início da Idade Moderna. A manifestação do espírito humano e sua relação com Deus representava uma “razão” de acordo o pensamento dessa época.

Dessa forma, as obras do Renascimento valorizavam as ações humanas (Humanismo) misturadas a outros aspectos fundamentais desse movimento, como o naturalismo, que reproduzia situações do cotidiano, e a rigorosa semelhança com traços e formas humanas.

Fases do Renascimento
“A lamentação”, obra de Giotto di Bondone, artista no período Trecento (Foto:Wikipedia)

Fases do Renascimento na Itália

Trecento (século XIV)

O Trecento é primeira fase do Renascimento.O movimento se expandiu na Itália, mais precisamente na região de Florença, pois a cidade era considerada um polo político, econômico e cultural.

A economia florentina era aquecida pela produção e comércio de tecidos. Na época, o sistema de produção da cidade buscava novos métodos com o objetivo de desenvolver uma nova divisão de trabalho e uma progressiva mecanização.

No século XIV, já era possível perceber o crescimento de uma classe média emancipada financeiramente, pois a organização das produções era feita por corporações de ofícios (guildas), que monopolizavam a prestação de alguns serviços e de certos materiais e artefatos.

Essa produção era dividida em duas categorias: artes maiores, que reuniam os ofícios mais prestigiados (tecidos estrangeiros, câmbio, lã, seda, etc.) e artes menores, que compreendiam ofícios menos prestigiados e lucrativos como a arte dos pescadores, taverneiros, sapateiros, padeiros, armeiros, ferreiros e outros.

Ainda nessa fase, foi incorporada à religião da época a crença de que o perdão dos pecados e a salvação da alma poderiam ser alcançados com o embelezamento de igrejas, obras de arte e a prestação do serviço público.

Assim, as principais igrejas e capelas da cidade tornaram-se ricas, poderosas e praticamente dominaram a condução dos assuntos públicos através dos seus delegados nos conselhos cívicos e nas magistraturas.

Três grandes artistas do Renascimento se destacaram no período do Trecento: Dante Alighieri (1265-1321), com as publicações que inovaram o contexto da literatura italiana; Giotto di Bondone (1266- 1337) e Giovanni Boccaccio(1313-1375), que tentaram romper os antigos padrões medievais em suas obras.

Neste vídeo é possível acompanhar detalhadamente as características de cada um:

Embora algumas mudanças tenham ocorrido no período, outras características continuaram prevalecendo na época, como o estilo gótico italiano, a preferência pelos temas religiosos, e o uso da cor azul e folhas de ouro no fundo das pinturas para representar o Deus.

Quattrocento (século XV)

O Quattrocentro foi uma das fases do Renascimento em que o humanismo amadureceu e se espalhou pelo restante da Europa. Essa fase representou o auge do movimento artístico e cultural na Itália.

Nesse período, houve uma consolidação entre as artes, pois muitos artistas foram contratados para construir, pintar quadros e realizar a construção de projetos arquitetônicos. Eles tentaram buscar o aprofundamento dos aspectos que envolviam o humanismo renascentista e a perfeição de suas obras (realismo).

Massaico foi um dos pintores que valorizou o uso dessa perspectiva. Assim como ele, Sandro Botticelli tentou explorar elementos da natureza espiritual, religiosa e simbólica em várias de suas obras.

Vale destacar a importância de Leonardo da Vinci no Quattrocento. Considerado um dos gênios da história da arte, ele se aventurou por todo o universo artístico desenvolvendo obras na escultura, pintura, filosofia, entre outros.

Entre as obras mais populares de da Vinci, vale ressaltar a “Gioconda”, mais conhecida como Mona Lisa, além de “Leda”, “Madona das Rochas” e a significativa reprodução da “Santa Ceia”.

"Santa Ceia", obra de Leonardo Da Vinci.
“Santa Ceia”, obra de Leonardo Da Vinci (Foto: Pixabay)

Mesmo com a presença da religião entre os temas das principais obras, os artistas também apresentavam referências à mitologia, além de assuntos pagãos da cultura greco-romana.

Cinquecento (século XVI)

O Cinquecento foi o período em que o estilo renascentista se consolidou em outros países do continente europeu como Portugal, Espanha, França e Alemanha, além de ocupar posição de destaque na Itália.

Nesse época, os artistas começaram a se distanciar dos temas religiosos e permitiram-se arriscar ao misturá-los com aspectos profanos.

Na literatura, o Cinquecento foi marcado pelas inovadoras teses políticas de Nicolau Maquiavel, autor da obra “O Príncipe”. Ele elaborou a cisão entre as questões políticas e os valores morais.

Além dele, o artista Michelangelo se imortalizou pela pintura dos afrescos da Capela Sistina.

O Cinquecento também foi a era da fundação das primeiras Academias de Arte, entre elas: a Academia das Artes do Desenho, em Florença; e a Academia de São Lucas, em Roma.

Essas estruturas inovaram ao instituir o Academismo como um sistema de ensino superior e movimento cultural. Com isso, houve uma normatização do aprendizado e estímulo de debates teóricos, que serviram como instrumentos do governo para divulgação e consagração de ideologias políticas e sociais.

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MENDONÇA, Camila. Fases do Renascimento; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/fases-do-renascimento >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 17:28.

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