Fernando Henrique Cardoso

Executor do Plano Real e das maiores privatizações da história do Brasil

Fernando Henrique Cardoso é um sociólogo, professor, político e escritor brasileiro. Foi o 34º presidente da República, governando o Brasil por dois mandatos, de 1995 até 2002, sendo o primeiro presidente reeleito do país.

O governo FHC combateu a inflação, promoveu reformas administrativas e previdenciárias, além de conduzir o maior programa de privatizações da história.

Biografia

Fernando Henrique Cardoso nasceu no dia 18 de junho de 1931 na cidade do Rio de Janeiro. Proveniente de uma tradicional família de militares e políticos, formou-se bacharel em Ciências Sociais, na Universidade de São Paulo (USP), em 1952.

Presidente Fernando Henrique Cardoso
Presidente Fernando Henrique Cardoso (Foto: Wikimedia Commons)

Antes mesmo de se formar, FHC atuou como professor da Faculdade de Economia da USP e foi o primeiro-assistente de Florestan Fernandes, reconhecido sociólogo brasileiro. Também foi assistente do professor Roger Baptiste e analista de ensino da cadeira de Sociologia, da Faculdade de Filosofia da USP, em 1953.

Na década de 1950, auxiliou na edição da revista “Fundamentos”, pertencente ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). E, apesar de simpatizante, Fernando Henrique nunca se filiou ao partido.

Posteriormente, especializou-se em Sociologia e tornou-se doutor em 1961. Cursou a pós-graduação no Laboratoire de Sociologie Industrielle da Universidade de Paris (1962-1963).

Com a eclosão do Golpe Militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart, Fernando Henrique foi ameaçado pelo governo e decidiu exilar-se no Chile, onde permaneceu por três anos.

Nesse período, lecionou no Chile, Argentina, México e França, e publicou livros e artigos sobre a burocracia estatal, as elites industriais e a teoria da dependência.

De volta ao Brasil, FHC foi obrigado a se aposentar e perdeu seus direitos políticos quando o Ato Institucional-5 entrou em vigor (1969). Para manter sua família, permaneceu lecionando no Brasil e no exterior.

Nesse período fez parte da criação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), trabalhando também como pesquisador e diretor do centro.

Carreira política

Em 1974, a convite de Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso coordenou a elaboração da plataforma eleitoral do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), acreditava no sucesso do partido por meio de grandes alianças e repudiando a luta armada.

Nesse momento, FHC deixa os bastidores acadêmicos e passa a participar ativamente de campanhas políticas. Naquele mesmo ano, candidatou-se ao Senado Federal por São Paulo, sendo apoiado pela esquerda e por lideranças sindicais.

Conquistando 1,2 milhão de votos, Fernando Henrique tornou-se suplente de Franco Montoro, pertencente ao mesmo partido.

Em 1979 ocorreu a extinção do bipartidarismo, vigente desde o início do regime militar, passando a valer o pluripartidarismo. Dessa forma, fundou o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB.

Senador por São Paulo

Franco Montoro renunciou ao cargo de senador quando foi eleito governador nas eleições estaduais de 1982. Sendo assim, Fernando Henrique Cardoso assumiu seu mandato em 15 de março de 1983.

A partir daí, Cardoso passou a participar das articulações direcionadas a transição da Ditadura Militar no Brasil para a democracia, tornando-se um dos grandes fomentadores das Diretas-já.

Com grande prestigio a junto a Tancredo Neves e boa movimentação entre os militares, contribuiu para que não houvesse radicalização política e ocorresse uma transição pacífica do regime para a democracia em 1985.

No mesmo ano da redemocratização, Fernando Henrique licenciou-se do cargo no senado para concorrer à prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado por Jânio Quadros, do PTB.

Reelegeu-se como senador, o segundo mais votado da história, e tornou-se líder do governo e do PMDB no Senado durante o governo José Sarney (1985-1988).

Fernando Henrique Cardoso também fez parte da Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição brasileira de 1988, considerada a mais democrática da história.

Ministro de Estado

Em outubro de 1992, quando Itamar Franco assumiu a presidência da República, Fernando Henrique foi nomeado para o Ministério das Relações Exteriores (1992-1993).

Em maio do ano seguinte, em mais uma das mudanças feitas por Itamar no ministério no período de sete meses, FHC tornou-se ministro da Fazenda (1993-1994). Juntos, iniciaram a elaboração do Plano Real.

O plano promoveu o aumento da capacidade de consumo da população, o controle da inflação e a redução da população miserável. O sucesso no combate a hiperinflação proporcionou certa popularidade a FHC que se tornou um forte nome a presidência.

Período presidencial de Fernando Henrique Cardoso

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso deixou o cargo de ministro da Fazenda para concorrer às eleições presidenciais daquele ano. Elegeu-se com 34,3 milhões de votos (54,28%).

Fernando Henrique foi empossado em 1º de janeiro de 1995, tornando-se o 34º presidente do Brasil. O pernambucano Marco Maciel ocupou a vice-presidência.

“Ao escolher a mim para sucedê-lo (Itamar Franco), a maioria absoluta dos brasileiros fez uma opção clara pela continuidade do Plano Real e das reformas estruturais necessárias para afastar, de uma vez por todas, o fantasma da inflação.”
Primeiro discurso de posse de FHC.

Primeiro mandato (1995-1998)

Ligado ao sucesso do Plano Real, o maior desafio do governo FHC era manter a estabilização da moeda e promover o crescimento econômico. Desta forma, promoveu uma série de mudanças consideradas essenciais para garantir a estabilidade econômica. Tais como:

  • Reforma administrativa e previdenciária;
  • Desregulamentação de mercados;
  • Flexibilização das regras de contratação de mão-de-obra e;
  • Quebra do monopólio estatal nas áreas de siderurgia, energia elétrica e telecomunicações.

O governo Fernando Henrique foi marcado pela reforma do funcionalismo público que reduziu o número de empregados dos governos estaduais para obter a redução de gastos estatais.

A administração liberou a contratação de serviços terceirizados por parte de empresas públicas e privadas, pondo fim a estabilidade empregatícia.

Em 1995, visando à desindexação da economia, o governo proibiu o reajuste automático dos salários pela inflação e estabeleceu a livre negociação entre patrões e empregados. E apesar do crescimento da renda média dos trabalhadores assalariados, houve uma elevação do índice de desemprego entre 1997 e 1998.

O primeiro mandato de Cardoso também foi palco de diversas manifestações e ocupações de terras, promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que reivindicavam a aceleração do processo da reforma agrária.

Segundo mandato (1999-2002)

Ao conquistar a aprovação de uma emenda que permitia a reeleição para mandatos do Executivo nos âmbitos federal, estadual e municipal, até então proibida, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o vice candidataram-se à reeleição.

Ainda sob o sucesso da estabilidade econômica-financeira promovida pelo Plano Real, FHC conquistou mais de 50% dos votos válidos, contra 31,71% conferidos a Luís Inácio Lula da Silva, do PT.

Fernando Henrique tomou posse em 1º de janeiro de 1999. Com a reeleição, tornou-se o primeiro presidente da história do Brasil a ocupar a chefia do Executivo por dois mandatos consecutivos.

Seu segundo mandato iniciou-se com uma desvalorização do real devido a uma crise internacional que atingiu o país. Tal situação levou o Brasil a uma grave crise financeira e política, comprometendo o discurso de instabilidade econômica.

O elevado aumento das taxas de juros desestimulou o consumo interno e contribuiu para a elevação das taxas de desemprego, dando ao Brasil a segunda colocação no ranking mundial de desemprego.

Em maio de 2000, Fernando Henrique sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que aumentou o rigor exigido na execução do orçamento público e limitou despesas com pessoal.

Apesar das crises que impactaram o segundo mandato de Fernando Henrique, a inflação permaneceu baixa graças ao Plano Real. Contudo, problemas que já faziam parte da realidade do país permaneceram sem atenção, como a má distribuição de renda, a desigualdade social e precariedade na saúde e na educação.

Privatização

O principal destaque do governo Fernando Henrique Cardoso, foi o programa de privatizações, que tinha como objetivo resolver o problema do crescente endividamento do Estado.

Apesar das exaltadas críticas da oposição, FHC realizou as maiores privatizações da história do Brasil, atingindo tanto as empresas estaduais quanto as federais. Bancos, empresas de eletricidade, ferrovias e telefonia foram privatizadas durante os oito anos de governo de FHC.

Estima-se que as privatizações promovidas por Fernando Henrique renderam aos cofres públicos do Brasil cerca de US$ 78,6 bilhões. Entretanto, a venda dessas empresas não conseguiu conter o crescimento da dívida pública, mas beneficiou a população que teve acesso a serviços básicos como energia e telecomunicações.

Pós-presidência

Após oito anos de mandato, Fernando Henrique Cardoso não concorreu a outros cargos políticos e começou a dar palestras para empresários e intelectuais. Também dedicou-se a área acadêmica.

É membro do The Elders, grupo que reúne líderes mundiais para promover a paz e a defesa dos direitos humanos, da Academia Brasileira de Letras, e presidente de honra do PSDB.

Atualmente preside a Fundação Fernando Henrique Cardoso, fundada por ele em 2004 com o intuito de manter seu legado, participa de diversos conselhos consultivos em diferentes órgãos no exterior, além de ser colunista de alguns jornais que são referência no país. 

Citações

Não temos de ter medo da globalização. Temos de ter competência para nos inserir.

Ou educamos nosso povo ou não vamos conseguir nunca ser um povo solidário.

É demagógico. Alertar contra a fome é bom, mas falar e não resolver é gravíssimo.

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BRITO, Samara. Fernando Henrique Cardoso; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/fernando-henrique-cardoso >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:09.

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