Fernão Lopes

Precursor do Movimento Humanista em Portugal

Fernão Lopes foi um escritor português responsável pelo começo do movimento humanista em Portugal.

Chamado de pai da historiografia portuguesa, ele se destaca quando se trata das figuras que ajudaram na literatura medieval, afinal de contas, ele é um das referências do período.

No ano de 1418, ele foi eleito como guarda-mor da Torre do Tombo e aí foi o marco para o início do humanismo em Portugal.

No instante em que assumiu essa nova missão, começou a ser o responsável pelos arquivos da realeza portuguesa.

Fernão Lopes teve grande visibilidade com as obras que criou.
Fernão Lopes, junto com outras autoridades no quadro do arcebispo. (Foto: Wikipedia)

Biografia

Não existem muitas informações de como foi a sua vida, mas as poucas que se tem, percebe-se que foi um homem generoso e muito humilde.

Nasceu no final do século XIV, no período entre anos de 1380 e 1390, e de acordo com alguns estudiosos, na capital portuguesa, Lisboa.

No decorrer da sua vida, conseguiu alcançar grandes posições dentro da sociedade em que vivia, isso ocorreu por conta dos serviços que prestava para a coroa portuguesa.

Durante grande parte da sua vida, Fernão Lopes se preocupou em descrever toda a história de Portugal. Por isso se tornou um dos mais importantes contribuintes para a renovação da historiografia portuguesa.

Nos momentos em que escrevia, ele se preocupava bastante em ser imparcial com as notícias que ia se aprofundando e essa foi uma de suas maiores colaborações.

Fernão Lopes não deixava que as lendas se misturassem com o que era realidade. Ele sempre dava prioridade ao povo e tudo que eles colocavam em relação ao que era dito pelos governantes daquela época.

Fernão ficou no cargo de cronista-mor da Torre do Tombo na capital portuguesa, entre os anos de 1418 e 1454. Ele a assumiu a responsabilidade de redigir as narrativas dos reis.

Como possuía uma enorme importância para o seu país, Fernão Lopes, que desempenhava a função de escrivão de D. Duarte, recebia pelo trabalho desempenhado a quantia de 14 mil réis.

Outro marco importante na sua vida foi o reconhecimento que teve das autoridades da época quando recebeu o título de vassalo de el-rei, em 1434. Essa informação é importante pelo fato de poucas pessoas serem condecoradas com algo desse tipo, afinal, os vassalos eram as pessoas de extrema confiança do rei.

Durante toda a sua vida ele teve apenas um filho, o qual lhe deu somente um neto bastardo.

Como as informações da vida de Fernão Lopes são poucas, não se sabe ao certo o motivo da morte, mas acredita-se que tenha ocorrido em Lisboa, em 1460, aos 80 anos de idade.

Obras de Fernão Lopes

Fernão Lopes possuía um estilo de escrita que era especialmente dele, se tornando um marco na literatura medieval. Isso aconteceu porque ele deu ênfase às características populares e esqueceu um pouco de tudo o que foi protagonismo até aquele momento.

Lendo, refletindo e analisando os textos de Lopes, é possível perceber que suas obras possuem uma linguagem coloquial. Utilizando-se dessa particularidade, Fernão Lopes conseguiu atrair muitos admiradores, pessoas que apoiaram o seu modo de escrever e começaram a dar mais valor para o que ele fazia.

Suas crônicas históricas foram o que mais o ajudou a ter reconhecimento e, no entanto,  mesmo que suas prosas tenham iniciado no período do trovadorismo, ela só conseguiu ganhar notoriedade no humanismo.

Dentre as obras atribuídas ao historiador português, estão presentes a "Crônica de D. Pedro I", "Crônica de D. Fernando" e a "Crônica de D. João I" (tanto a primeira, quanto a segunda parte).

Existe também uma narrativa que fala sobre os sete primeiros reis de Portugal, conhecida como “Crônica de 1419”. Segundo alguns estudiosos, ela seria também uma obra de Fernão Lopes.

Na sua concepção enquanto humano e escritor, a população era muito mais do que algumas façanhas de reis e cavaleiros. Ele abordava também os movimentos populares e forças econômicas, por isso a sua preocupação com o povo quando desenvolvia as suas obras.

Em seus escritos, falou sobre como eram as cortes, as aldeias, as rebeliões de rua, as guerras, os sofrimentos da população e também as alegrias e vitórias do povo.

Lopes tinha uma vontade tão grande em demonstrar o seu lado humano que sempre fazia alguma crítica aos reis e também aos nobres. O cuidado que Fernão Lopes tinha para poder redigir o texto e a atenção que possuía com os fatos, fez com que ele tivesse a credibilidade, adquirida com o passar do tempo.

Ele prezava em fazer a fundamentação correta da versões dos acontecimentos, sempre ia diretamente às fontes ou buscava algum documento que falasse sobre o assunto. Isso fez com ele se tornasse o pai da historiografia portuguesa.

Fernão, além de fazer historiografias, era também criador da prosa portuguesa com uma elevada qualidade literária. Algumas páginas que serviram como modelo e estilo foram as que descreveram a Revolução de 1383, que garantiu o poder ao representante da casa de Avis, D. João I.

Acompanhe abaixo, o trecho de uma das suas principais obras, a “Crônica de El-Rei D. João I”:

Nós não somos nados a nós mesmos, porque uma parte de nós tem a terra, e a outra os parentes; e porém o juizo do homem ácerca de tal terra, ou pessoas recontando seus feitos sempre copega. Esta mundanal affeição fez alguns historiadores, que os feitos de Castella, com os de Portugal, escreveram, posto que homens de boa authoridade fossem, desviar da verdadeira estrada, e colher por semideiros escuses, por as minguas das terras de que eram em certos passos claramente não serem vistas, especialmente no grande desvairo, que o mui virtuoso Rei de boa memoria D. João, cujo regimento e reinado se segue, houve com o nobre e poderoso rei D. João de Castella, pondo parte de seus bons feitos fóra do louvor, que merecia, e evadindo em alguns outros de guisa que não aconteceram atrevendo-se a publicar esto em vida de taes que lhe foram companheiros bem veadores de todo o contrario.

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Lima, Vinicius. Fernão Lopes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/fernao-lopes >. Acesso em 18 de outubro de 2019 às 17:45.

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