Ferreira Gullar

Poeta contribuiu para o Manifesto Neoconcreto

Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro era José de Ribamar Ferreira, foi escritor, poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro. Ele nasceu em São Luís do Maranhão, MA, em 10 de setembro de 1930.

foto de perfil de Ferreira Gullar
Ferreira Gullar foi escritor e poeta. (Foto: Wikipédia)

Considerado um dos fundadores do neoconcretismo, movimento artístico que surgiu como reação ao concretismo ortodoxo (1950), Gullar foi o sétimo ocupante da cadeira de número 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), honraria recebida em 5 de dezembro de 2014.

Começo na poesia

Nascido em família de classe média pobre, Ferreira Gullar passou a infância entre a escola e as brincadeiras de rua, a exemplo do futebol.

Na adolescência, motivado pelo gosto da linguagem escrita e a boa observação das questões sociais ao seu entorno, decidiu ser poeta.

Após conhecer outros poetas da sua região, aos 18 anos, passou a frequentar os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero Recreativo, localizados no centro da capital maranhense. Nos espaços, sempre aos domingos, aconteciam apresentações e leituras de poemas.

Entre os estilos de escrita, o jovem Ferreira Gullar passou a trabalhar com a chamada poesia moderna. No sentido de referência e primeiro contato com essa forma de arte, o escritor realizou a leitura de escritores como Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987) e Manuel Bandeira (1886- 1968).

Como consequência, a produção da sua poesia modernista apresentou características como  ausência de metrificação, emprego de versos livre, aproveitamento poético da linguagem cotidiana e ritmo livre.

Em outras palavras, o poema de Gullar não ganhou fórmula pronta, foi feito considerando cada momento da sua vida. Dessa forma, nasceram as obras:

  • “Um Pouco Acima do Chão” (1949)
  • “A Luta Corporal” (1954)
  • “João Boa-Morte, Cabra Marcado pra Morrer” (1962)
  • “Quem Matou Aparecida?” (1962)
  • “Por Você, Por Mim” (1968)

Precursão do movimento neoconcreto

O livro que colocou Gullar no cenário da literatura brasileira foi “A Luta Corporal”, publicado em 1954. Os poemas desse livro foram escritos com a influência da poesia concreta do país, forma de expressão da qual o escritor fez parte. Esse modelo de poesia tinha o objetivo de valorizar o verso como unidade rítmica e formal.

Entretanto, em 1959, Ferreira Gullar resolveu expressar uma forma de arte que foi de encontro ao concretismo rígido, indo além do geometrismo puro. Para ele, a arte não era apenas a sua organização estrutural, pois carregava sensibilidade, expressividade e subjetividade.

Diante disso, no dia 23 de março daquele ano, escreveu o “Manifesto Neoconcreto“, publicação que originou a expressão neoconcreta no Brasil. O manifesto foi assinado por ele e outros artistas, a exemplo de Theon Spanudis, Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape.

O movimento neoconcreto de Gullar foi marcado por:

  • Oposição ao concretismo, materialismo, cientificismo e positivismo;
  • Maior subjetividade e expressividade artística;
  • Interação do público com a obra;
  • Liberdade de experimentações e criações artísticas;
  • Abstracionismo e uso de cores e formas geométricas;
  • Transcendência da arte;
  • Existencialismo e Humanismo.

Depois de fazer diversas obras neoconcretas, a exemplo do "Poema Enterrado"(1959), Gullar afastou-se do grupo de artistas neoconcretos para participar da política.

Entrada de Ferreira Gullar na política

Ferreira Gullar integrou a luta revolucionária contra a Ditadura Militar no Brasil, momento no qual participou do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e  passou a escrever poemas sobre política, a partir de 1964.

Como consequência da militância, foi exilado pela ditadura e viveu por um tempo na União Soviética, Argentina e  Chile.

No exílio em Buenos Aires, o escritor fez o "Poema Sujo", entre maio e outubro de 1975. Com cerca de 100 páginas, Gullar abordou questões de luta, miséria e pobreza. O trabalho é considerado uma obra-prima do autor.

A iminência da morte pela ditadura foi o principal propulsor da criação da mencionada obra. Apesar da anterior produção, o trabalho apenas foi publicado em 1976. A publicação foi feita pelo editor Ênio Silveira, circunstância que impactou o âmbito político e fez os movimentos revolucionários do Brasil serem reforçados.

Por causa do contexto, em 1977, o poeta decidiu retornar ao país. Em solo brasileiro, foi preso e torturado pela ditadura. A libertação de Gullar ocorreu por causa da pressão internacional.

Depois de momento, o escritor passou a escrever sobre arte na imprensa do Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse campo cultural, publicou as  seguintes obras:

  • “Na Vertigem do Dia”, em 1980;
  • “Toda poesia”, em 1980;
  • “Indagações de Hoje”, publicado em 1989.

Gullar ainda assumiu a direção do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, em 1992. Ele permaneceu no cargo até o ano de 1995.

Com forte viés político nas palavras, em 1998, o poeta lançou ” Rabo de Foguete – Os Anos de Exílio”. Obra que escreveu baseado nas dificuldades enfrentadas no período de militância revolucionária.

Em 2000, recebeu o Prêmio Multicultural Estadão, do jornal O Estado de São Paulo. A premiação foi dada pela importância do conjunto dos seus trabalhos poéticos, ensaístas e críticos.

Feita as colocações, vale realçar que a produção e os feitos do poeta receberam elevado reconhecimento, da área política até a artística. Os escritos colocaram o nome do escritor na história do Brasil.

Prêmios e reconhecimento de Ferreira Gullar

Na literatura, Ferreira Gullar ganhou diversos prêmios. Dos principais, vale mencionar o Prêmio Camões (2010) e o Prêmio Jabuti (2011).

Os trabalhos políticos e literários do escritor ainda contribuíram para homenagens como:

  • A fundação do Teatro Ferreira Gullar, no Maranhão (1988);
  • A inauguração da  Avenida Ferreira Gullar, na cidade de São Luís – MA (1999);
  • O título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ (2010);
  • A ocupação da cadeira cadeira n.º 37 da Academia Brasileira de Letras (2014).

Além da produção poética, elaborou obras teóricas e críticas no campo das artes visuais, principalmente sobre o uso da poesia como forma de conscientização social. Os assuntos abordados também percorreram temas ligados a arte contemporânea do Brasil e de outros países.

Após complicações causadas por problemas respiratórios, Ferreira Gullar morreu no dia 4 de dezembro de 2016, aos 86 anos, na cidade do Rio de Janeiro.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Conceição, Thiago. Ferreira Gullar; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/ferreira-gullar >. Acesso em 30 de outubro de 2019 às 06:09.

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