Fidel Castro

Líder comunista mais longevo do século XX

Fidel Castro (1926-2016) foi um ideário da revolução armada, conhecido como Revolução Cubana, o primeiro movimento comunista a tomar o poder na América Latina.

À frente de Cuba por quase meio século, implantou o comunismo e um regime ditatorial, promoveu reformas socialistas que contribuíram para o desenvolvimento financeiro e social do país, enfrentou um embargo econômico e cultural por parte dos Estados Unidos e aboliu a liberdade de imprensa e de expressão.

Infância e formação

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926, em Birán. Era filho bastardo de Ángel Castro y Argiz, um bem sucedido produtor de cana-de-açúcar com sua amante, e mais tarde sua segunda esposa, Lina Ruz González.

Pertencente a uma família com excelentes condições financeiras, Fidel viveu seus primeiros anos na fazenda, localizada a quilômetros de áreas urbanas.

“Onde eu nasci todos eram filhos de trabalhadores agrícolas e camponeses paupérrimos. Meu pai era um latifundiário isolado.”
Declaração de Fidel no livro “Fidel Castro – biografia a duas vozes”.

Aos seis anos foi enviado à Santiago de Cuba para viver com seu professor que seria responsável por sua educação. Lá foi batizado na Igreja Católica e iniciou os estudos. Permaneceu em colégios internos jesuítas de Santiago até o início da adolescência.

Líder cubano Fidel Castro
Líder cubano Fidel Castro (1926-2016). (Foto: Wikipédia)

Apesar de não ser um aluno exemplar e dedicar boa parte de seu tempo a prática de esportes, Fidel Castro era um ávido leitor, a ponto de ser autodidata. Em 1945, mudou-se para Havana, ingressando no curso de direito na Universidade de Havana.

Admitindo ser “um analfabeto político”, já que tinha ideias pouco consistentes sobre justiça social, Fidel buscou influências literárias para embasar sua formação ideológica, entre as obras estava o “Manifesto Comunista“, de Karl Marx, que o fez recordar da pobreza vista durante sua infância.

A partir daí, Fidel Castro passou a se envolver com o ativismo estudantil, aliando-se ao Partido Socialista do Povo Cubano (1947). Entre seus atos de militância, Castro participou da frustrada tentativa de golpe contra o ditador Rafael Trujillo.

Fidel Castro também esteve envolvido com a revolta contra o ditador Fulgêncio Batista, que promoveu um golpe de estado em março de 1952, publicando suas denúncias através de periódicos locais.

Depois de uma fracassada tentativa de tomar posse do quartel militar Moncada, em Santiago, Fidel Castro foi preso e levado a julgamento em setembro de 1953. Dono de uma retórica desenvolta, fez o papel de advogado e elaborou sua própria defesa.

Expôs seu programa revolucionário e disse a famosa frase: “a história me absolverá”, no entanto acabou condenado a 15 anos de prisão. Apesar da longa pena, o líder do bando foi anistiado dois anos depois, graças a um amplo movimento popular.

Em seguida, exilou-se no México e lá trabalhou na preparação dos homens que o acompanhariam na luta insurrecional em Cuba, participou de atividades políticas e escreveu o Manifesto número um do “Movimento 26 de Julho” ao povo de Cuba.

A Revolução Cubana

Foi durante o período de exílio que Fidel conheceu Ernesto Che Guevara, que se uniu ao grupo para lutar contra o exército de Batista.

Em dezembro de 1956, Fidel Castro partiu para Cuba acompanhado por cerca de 80 homens armados, planejava rumar a Sierra Maestra, região montanhosa e de difícil acesso.

No entanto, o líder e seus homens foram descobertos e dizimados. Após o ataque, Fidel e a dezena de sobreviventes conseguiram fugir. Lentamente o cubano acumulou mais armas e mais homens, dando continuidade ao seu projeto de revolução.

Nesse período, Fidel desenhou e guiou as táticas e estratégias da luta contra a ditadura batistiana. O movimento era financiado e apoiado pela unidade de ação das forças opositoras revolucionárias.

Fidel Castro liderou seus homens em diversas batalhas vitoriosas, tomou alguns quartéis, viu o movimento crescer e, após três anos de guerrilha, conquistou o poder depois do desmonte do regime ditatorial pela fuga de Batista em 1º de janeiro de 1959.

Assim, Fidel convocou generais e marchou até Havana para consolidar a vitória da Revolução Cubana.

Governo Fidel Castro

Fidel Castro governou Cuba por 47 de seus 90 anos de vida. Após a revolução, houve um uma aproximação da URSS, a qual ofereceu apoio econômico e militar ao novo governo, fazendo de Cuba uma aliada do socialismo na América.

Tal fato que fez com que os Estados Unidos passassem a tratar a ilha como uma perigosa inimiga. Os Estados Unidos implantaram um bloqueio comercial no território cubano, na década de 1960, influenciando também na expulsão do país da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Apesar da ausência da liberdade política e de imprensa, durante a gestão do governo Fidel Castro, Cuba atingiu altos índices de desenvolvimento humano e social. Entre as transformações durante sua administração, destacam-se:

  • Implantação de um sistema socialista na ilha, diminuindo significativamente a desigualdade social entre os cidadãos cubanos;
  • Estabelecimento de uma economia planificada, que contou com o apoio soviético durante a Guerra Fria;
  • Implantação de um sistema de saúde funcional;
  • Organização de uma reforma agrária
  • Erradicação do analfabetismo e;
  • Ampliação da liberdade religiosa.

Fidel tornou a pequena ilha na segunda maior potência esportiva da América, mas, por outro lado, eternizou-se no poder, condenou dissidentes à morte e não deu oportunidade aos que desejavam um governo ou estilo de vida diferente do instaurado.

No entanto, após a queda do muro de Berlim e o fim dos regimes socialistas na Europa Oriental, Cuba começou a enfrentar sérias dificuldades financeiras sem os investimentos da União Soviética.

Assim, para restabelecer a economia cubana, Fidel Castro concedeu permissão para entrada de empresas de capital estrangeiro e estabelecimento de negócios próprios no país.

Retirada de poder e morte

Após ser diagnosticado com uma doença intestinal em 2006, Fidel Castro transferiu o cargo de presidente em caráter provisório a seu irmão Raúl Castro, figura presente e integrante de toda sua luta.

Em fevereiro de 2008, Castro anunciou que não aceitaria novamente o cargo de Chefe de Estado de Cuba, passando o poder em definitivo para as mãos de seu irmão.

“Fidel é Fidel, todos sabemos disso. Fidel é insubstituível.”
Declaração de Raúl Castro.

Permaneceu por alguns anos como membro do Conselho de Estado e manteve seu cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, o qual renunciou em 2011.

Durante sua trajetória política, Fidel Castro ocupou o cargo de primeiro ministro da República de Cuba de 1959 até 1976.

Em dezembro de 1976, passou a ser o presidente do Conselho de Estado (chefe do Estado) e presidente do Conselho de Ministros (chefe de governo) de Cuba. Além disso, foi o primeiro secretário do Partido Comunista Cubano (PCC) desde a fundação em 1965. 

Apesar das mais de quatro décadas que passou no comando de Cuba sem disputar eleições, caracterizando seu governo como uma das mais longas ditaduras mundiais, Fidel Castro não se considerava um ditador.

Fidel Castro faleceu em 25 de novembro de 2016, na cidade de Havana, aos 90 anos de idade.

Vida pessoal

A primeira esposa de Fidel Castrou se chamava Mirta Díaz Balart, desse relacionamento tiveram um filho chamado Fidel “Fidelito” Castro Díaz-Balart nascido em setembro de 1949. Fidel e Mirta divorciaram-se em 1955.

Durante seu casamento com Mirta, Fidel teve uma amante, Naty Revuelta, que lhe deu uma filha, Alina Fernández-Revuelta. Sua segunda esposa foi Dalia Soto del Valle, com quem teve cinco filhos: Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel.

Citações

Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral.

Hoje milhões de crianças dormirão na rua, nenhuma delas é cubana.

A história me absolverá.

Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as ideias ficam.

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BRITO, Samara. Fidel Castro; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/fidel-castro >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:27.

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