Florestan Fernandes

Sociólogo brasileiro que contrapôs a Ditadura Militar e instituiu a sociologia crítica no Brasil

Florestan Fernandes nasceu na periferia de São Paulo, em 1920. Como sua família tinha baixo poder aquisitivo, por necessidade precisou trabalhar desde cedo, aos 6 anos, como engraxate e também em uma barbearia. Aos 21 anos iniciou os estudos acadêmicos na Universidade de São Paulo (USP), no curso de Ciências Sociais.

Foi pioneiro da sociologia crítica no Brasil. Em 1943, aos 23 anos, escreveu seu primeiro artigo para o jornal Estado de São Paulo, intitulado como “O Negro na Tradição Oral“. Essa publicação descrevia as diferenças sociais do país e criticava a relação do homem com o meio.

Conservador de esquerda, era a favor de políticas públicas, defensor da escola pública, e lutou em diversos movimentos sociais em prol das minorias. Chegou a ser preso político da Ditadura Militar no Brasil, em 1964.

Na vida pessoal, casou-se com Myrian Rodrigues Fernandes, união que gerou seis filhos.

Faleceu em 1995, por desenvolver problemas no fígado. A morte aconteceu dias depois de realizar um transplante e submeter-se a diálise. Tudo indica que foi ocasionada por falha humana.

Vida acadêmica de Florestan Fernandes

Florestan Fernandes foi reconhecido academicamente, entre outros trabalhos, por sua dissertação de mestrado "A Organização Social dos Tupinambá". Também foi aclamado pela tese de doutorado, ainda sobre esse povo indígena: "A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá".

Além de dedicar-se ao estudo das sociedades indígenas, fez apelo para a educação e modernização, além de escrever diversos artigos e teses sobre a marginalização do homem negro e pobre no Brasil.

A qualidade desses materiais o tornou Livre Docente na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP e lhe garantiu o cargo de Professor Titular mais tarde, quando lançou a tese “A Integração do Negro na Sociedade de Classes“, em 1964.

Por ter ideais contrárias a ditadura militar, acabou preso em São Paulo. Logo depois de ser solto, virou professor da USP através de concurso de títulos.

Ficou preso em período inferior a um ano, ainda em 1964, e quando saiu da prisão chegou a exercer a vida acadêmica no Brasil mas, anos mais tarde, foi exilado para o Canadá entre 1969-1970. 

Entre 1973 e 1975, fez análises e publicações com fortes críticas sociais ao país. Uma delas chama-se “A Revolução Burguesa no Brasil”, observações das classes com alto poder aquisitivo e seu caráter retrógrado. Escreveu também sobre o processo revolucionário latino-americano em “Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina” (1973).

No período em que esteve fora do país,  foi professor de algumas universidades, entre elas as de Columbia, Toronto e Yale (1977). A última, instituição privada, é a terceira mais antiga de ensino superior dos Estados Unidos.

Ainda nesse ano, meses mais tarde, foi contratado como professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), na qual também se destacou e garantiu o cargo de professor titular (1978).

Formação cronológica

  • Em 1941, Florestan Fernandes ingressou no curso de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), onde se formou em Ciências Sociais em 1943.
  • Ainda em 1943, começou a ser visto como inimigo do estado ao escrever para os jornais O Estado de S. Paulo e a Folha da Manhã.
  • Entre 1944 e 1946, o filósofo deu início a pós-graduação em Sociologia e Antropologia na Escola Livre de Sociologia e Política.
  • No ano de 1945, contribuiu com diversas pesquisas e virou professor assistente de Fernando de Azevedo na cadeira de Sociologia II.
  • Em 1947, adquiriu o batalhado título de mestre em Ciências Sociais na Escola Livre.
  • Em 1951, armazenou mais um título, dessa vez de doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

Vida política e militância

Quando saiu do Brasil para dar seguimento a carreira acadêmica no exterior, Florestan Fernandes já tinha obras significativas no âmbito nacional. Em 1986, quando a Ditadura Militar teve fim, foi eleito pelo Partido Popular (PP) como deputado constituinte, contribuindo para a Constituição de 1988.

Como carregava consigo vontade de mudar o Brasil, Florestan Fernandes enxergou na carreira política, unida a sua experiência acadêmica, o pontapé para esse processo de transformação. Porém, quando o tempo foi passando no Congresso Brasileiro, acabou percebendo que esse caminho não era bem o que esperava.

Na década de 1950 fez forte campanha a favor da escola pública. No auge da Ditadura Militar, Florestan Fernandes foi perseguido por causa de seu caráter resistente, idealista e revolucionário.

Foi afastado de suas atividades diversas vezes e quando preso escreveu carta aberta à imprensa, na qual criticava o regime de imposição que acontecia no país.

Teve breve período em cargo no Partido Socialista Revolucionário (PSR) e viajou o Brasil discursando sobre a democratização.

Fotografia de Florestan Fernandes
Florestan Fernandes, sociólogo e crítico brasileiro. (Foto: IELA UFsc)

Obras de Florestan Fernandes

Florestan Fernandes foi ousado e corajoso, dedicou sua vida em prol da garantia de direitos igualitários e redemocratização do Brasil. Publicou mais de cinquenta obras, gerou reflexão em várias classes sociais pelo mundo e agregou novos valores a investigação sociológica.

Principais obras

  • “Organização Social dos Tupinambá”
  • “A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá” (1952)
  • “A Etnologia e a Sociedade Brasileira” (1959)
  • “Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica” (1959)
  • “Mudanças Sociais no Brasil” (1960)
  • “Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina” (1973)
  • “A Revolução Burguesa no Brasil” (1975)
  • “A integração do Negro na Sociedade de Classes” (1978)
  • “O Que é Revolução” (1981)
  • “Poder e Contra Poder na América Latina” (1981)
  • “A Ditadura em Questão” (1982)

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Luna, Fernanda. Florestan Fernandes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/florestan-fernandes >. Acesso em 21 de setembro de 2019 às 04:43.

Copiar referência