Futurismo

Movimento artístico que surgiu em 1909 e exaltava a tecnologia

Futurismo foi um estilo artístico e cultural que surgiu na Itália em 1909, como parte das vanguardas europeias (movimento que provocou uma ruptura com a tradição cultural do século 19) e assim como as demais que faziam parte desse movimento (Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo e Expressionismo) tinha um caráter revolucionário e militante em busca de um novo homem e um novo mundo.

O marco considerado inicial do Futurismo foi a publicação do “Manifesto Futurista” do poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro, que expressava oposição ao moralismo e ao passado e apresentava uma nova visão do belo. Confira um trecho abaixo:

“Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.

Nós estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Nós já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade onipresente.

Nós queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo – o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.”

Futurismo - Obra "Carga dos Lanceiros" (1915), de Umberto Boccioni
Obra “Carga dos Lanceiros” (1915), de Umberto Boccioni. (Foto: Wikipedia)

Contexto histórico

No início do século XX, a Europa vivenciava o impacto causado pela Revolução Industrial com mudanças significativas na vida das pessoas, com o surgimento de grandes metrópoles, além de transformações sociais geradas pela implantação de grandes indústrias, bem como a modernização do transporte e das comunicações.

Foi nesse contexto que surgiu o Futurismo, como parte do conjunto de vanguardas europeias que buscavam uma renovação dos valores artísticos. Para os artistas que aderiram ao movimento, era preciso romper com a tradição cultural dominada pela burguesia e buscar novas maneiras de expressar a arte e que representariam a modernidade.

O radicalismo que o Futurismo preconizava era tanto, que chegou a defender a destruição de museus e cidades antigas e a guerra era encarada como forma de higienizar o mundo. Por conta disso, a valorização e exaltação da tecnologia foi uma das principais marcas.

Os artistas usaram, pela primeira vez, ruídos na música, além da criação de um “teatro sintético futurista”, que apresentava peças que duravam menos de cinco minutos.

Apesar de influenciar todos os tipos de arte, começando na literatura e espalhando-se para a pintura, escultura, arquitetura, música, cinema e desenho industrial, os principais expoentes do Futurismo eram pintores.

Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento perdeu força na Europa, mas se manteve vivo na Itália até 1930.

Características do Futurismo

De maneira geral, as principais características do futurismo foram:

  • Rompimento com o tradicional e a valorização do desenvolvimento industrial e tecnológico;
  • A defesa de uma ligação entras artes plásticas e o mundo moderno;
  • O uso de onomatopeias (palavras com sonoridade que expressavam sons de objetos e ruídos) e frases fragmentadas nas poesias que expressavam a ideia de velocidade;
  • A propaganda como principal ferramenta de comunicação.

Porém, cada tipo de arte expressou esses atributos de uma maneira. É o que o Guia Estudo detalha a seguir.

Pintura

O uso de cores vivas e vibrantes, além dos contrastes e a sobreposição de imagens eram alguns dos destaques da pintura futurista. O objetivo era expressar a velocidade, que era o ritmo da sociedade industrial da época, utilizando-se ainda de técnicas adaptadas do cubismo.

Os principais expoentes foram Giacomo Balla (1871-1958), Carlo Carrá (1881-1966), Umberto Boccioni (1882-1916), Gino Severini (1883-1966), Luigi Russolo (1885-1947), Enrico Prampolini (1894-1956), Nikolay Diulgheroff (1901-1982) e Fortunato Depero (1892-1960).

Arquitetura

No futurismo, a arquitetura tinha como foco o mundo industrial e urbano por meio da utilização de tecnologias modernas de construção e novos materiais como concreto armado, ferro e vidro. Outra característica eram os volumes arrojados e dinâmicos, proporcionados pelas linhas elípticas e oblíquas.

Os principais arquitetos desse período foram: Antonio Sant’Elia (1888-1916), Angiolo Mazzoni (1894-1979), Auguste Perret (1874-1954), Eugène Freyssnet (1879-1962), Adolf Loos (1870-1933).

Literatura

A literatura futurista ganhou destaque na poesia italiana. A primeira antologia, por exemplo, foi publicada em 1912, marcada pelo uso de conectivos, sem sintaxe, além de símbolos matemáticos e musicais. Destaque também para a espontaneidade e fragmentação das frases com o intuito de expressar velocidade.

Os principais escritores foram o italiano Filippo Tommaso Marinetti, com “Manifesto Futurista”; o russo Vladimir Maiakovski, com “150.000.000”, “O Percevejo”, e “Os Banhos”; o português Fernando Pessoa, com “Do Livro do Desassossego”, “Autopsicografia”, “O Guardador de Rebanhos” e o brasileiro Oswald de Andrade, com “Pau Brasil”, “Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade”, “Os Condenados”, “O Rei da Vela”, entre outros.

Futurismo no Brasil

O país enfrentava um período desafiador na década de 1920, após o fim do regime imperial e o início do Brasil República, quando iniciava-se a industrialização e o surgimento de centros urbanos.

Apesar do momento propício para o surgimento do futurismo no território brasileiro, diferente do que aconteceu em outros países, esse movimento foi considerado, em princípio, depreciativo e muitos intelectuais relacionavam o futurismo à extravagância, loucura, aberração.

Vale destacar que quando chegou ao Brasil, o futurismo já se considerava ultrapassado na Europa, afinal, entre o surgimento do movimento e a chegada entre os brasileiros passaram-se 13 anos.

Porém, algum tempo depois, os modernistas brasileiros aderiram ao movimento futurista, mas não durou muito tempo. Em 1926, Filippo Marinetti visitou o Brasil fazendo com o que o futurismo reaparecesse, principalmente, na imprensa.

Ainda assim, deixou um importante legado ao fomentar debates culturais que foram responsáveis pela formação de dois grupos distintos: os passadistas e os futuristas, conhecidos posteriormente como modernistas.

Os artistas Anita Malfatti (1889-1964) e Oswald de Andrade (1890-1954) são considerados os principais expoentes do futurismo no Brasil. É possível notar influências do futurismo nas obras expostas na Semana de Arte Moderna de 1922, como o culto ao futuro, ruptura com o passado, por exemplo.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

LOPES, Adriana. Futurismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/futurismo >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:22.

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