Gabriel García Márquez

Maior representante do realismo fantástico

Gabriel García Márquez foi um escritor, jornalista e ativista político. Representante do realismo fantástico, é considerado um dos autores mais importantes e admirados do século XX , com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.

Autor da famosa obra “Cem Anos de Solidão”, recebeu o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura em 1972 e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto da obra.

Infância e influências

Gabriel José García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1928 no município de Aracataca, Colômbia. Filho do casal Gabriel Eligio García e de Luisa Santiaga Márquez, que tiveram onze filhos, o escritor foi criado pelos avós maternos.

Quando tinha oito anos, seu avô morreu, e ele mudou-se para a casa dos pais na cidade de Barranquilla, onde seu pai era proprietário de uma farmácia.

Os avós de Gabriel García Márquez exerceram forte influência para a criação de suas histórias, principalmente seu avô Nicolás Márquez, que era um veterano da Guerra dos Mil Dias. O militar contava muitas histórias que encantavam o pequeno Gabriel. Também passou a adolescência ouvindo contos das “Mil e Uma Noites”.

 García Márquez decidiu se tornar escritor aos 17 anos, após ler a obra “A Metamorfose” de Franz Kafka, quando descobriu que o alemão contava as coisas da mesma maneira que sua avó materna.

Escritor Gabriel García Márquez
Escritor Gabriel García Márquez (1927-2014). (Foto: Wikipédia)

Carreira e jornalismo

Em 1947, então com 20 anos, mudou-se para Bogotá e ingressou no curso de Ciências Políticas e Direito na Universidade de Bogotá, contudo, abandou o curso sem terminá-lo. Nesse mesmo ano, publicou o primeiro conto “A Terceira Resignação”, no jornal El Espectador.

No ano seguinte foi para Cartagena das Índias, onde começou a trabalhar como jornalista. Atuou no periódico “El Universal”. Em 1949, voltou para Barranquilla como repórter do “El Heraldo”. No mesmo ano, participou de um grupo de estudos com o objetivo de estimular a literatura.

Primeiras obras

Em 1954, Gabriel García Márquez começou a trabalhar no “El Espectador” como repórter e crítico. O ano seguinte foi marcado pela publicação de seu primeiro romance “La Hojarasca” (“A revoada” ou “O enterro do diabo”, em algumas edições em português).

Em 1958, foi trabalhar na Europa como correspondente. Ao retornar para Barranquilha, casou-se com Mercedez Barcha, com quem teve dois filhos. Em 1961, mudou-se para Nova Iorque, onde trabalhou novamente como correspondente internacional.

Porém, sua filiação ao Partido Comunista e críticas aos exilados cubanos, como também a amizade com Fidel Castro, fez com que a CIA o perseguisse. Ele não conseguiu o visto de permanência no país.

Neste ano publicou “Ninguém escreve ao coronel“, obra que, embora tenha representado um grande avanço no sentido de alcançar o domínio estrutural do romance, ainda não prenunciava o modo que iria guiar as produções futuras.

O realismo fantástico

Em 1962, Gabriel García Márquez ganhou o Prêmio Esso de Romance, na Colômbia, com o romance “O Veneno da Madrugada“, publicado no mesmo ano. Acusado de colaborar com a guerrilha colombiana, foi obrigado a exilar-se no México.

Foi neste período que escreveu aquele que seria seu romance mais popular e obra-prima “Cem Anos de Solidão” (1967), que narra a história da família fictícia Buendia, na imaginária cidade de Macondo, desde sua fundação até a sétima geração.

Considerado um marco da literatura latino-americana e exemplo maior do estilo a partir de então denominado “realismo fantástico”, o escritor mescla lembranças pessoais com acontecimentos extraordinários.

“José Arcadio, o mais velho dos meninos, havia completado quatorze anos. Tinha a cabeça quadrada, o cabelo hirsuto e o gênio voluntarioso do pai. Ainda que tivesse o mesmo impulso de crescimento e fortaleza física, já então era evidente que carecia de imaginação. Foi concebido e dado à luz durante a penosa travessia da serra, antes da fundação de Macondo, e seus pais deram graças aos céus ao comprovar que não tinha nenhum órgão de animal. Aureliano, o primeiro ser humano que nasceu em Macondo, ia fazer seis anos em março. Era silencioso e retraído. Tinha chorado no ventre da mãe e nasceu com os olhos abertos. Enquanto lhe cortavam o umbigo movia a cabeça de um lado para o outro, reconhecendo as coisas do quarto, e examinava o rosto das pessoas com uma curiosidade sem assombro. Depois, indiferente aos que vinham conhecê-lo, manteve a atenção concentrada no teto de palmas, que parecia estar quase desabando sob a tremenda pressão da chuva.”

Trecho da obra “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez.

Premiações

O romance escrito em uma época de dificuldade financeira rendeu a Gabriel García Márquez o reconhecimento mundial de seu talento, chegando a receber, em 1972, o Prêmio Latino-Americano de Romance Rômulo Gallegos pela obra.

García Márquez também foi agraciado com:

  • Título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Columbia (1971);
  • Prêmio Internacional Neustadt de Literatura (1972);
  • Medalha da Legislação Francesa (1981);
  • Prêmio Nobel de Literatura (1982), pelo conjunto da obra;
  • Condecoração Águila Azteca no México (1982);
  • Prêmio quarenta anos do Círculo jornalístico de Bogotá (1985);
  • Membro honorário do Instituto Caro y Cuervo em Bogotá (1993);
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de Cádiz (1994).

Cinema

Além de escritor e jornalista, Gabriel García Márquez era um entusiasta do cinema. Em 1950, ingressou no Centro Experimental de Cinema, em Roma, e dedicou parte da carreira na função de diretor e roteirista.

Participou de alguns filmes, sendo eles: “Juego Peligroso”, “Presságio”, “Erendira”, entre outros. Tamanho era seu interesse por cinema que, em 1986, fundou a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, com o objetivo de apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África.

Morte

No ano de 2009, declarou que havia se aposentado e que não pretendia escrever mais livros. Viveu os últimos anos de vida lutando contra um câncer linfático que atingiu seus pulmões, gânglios e fígado.

Gabriel García Márquez morreu em sua casa no dia 17 de abril de 2014, aos 87 anos, vítima de  pneumonia.

Principais obras de Gabriel García Márquez

As obras de Gabriel García Márquez são marcadas pela reflexão dos rumos políticos e sociais da América Latina. De forma mais abrangente, fala da condição humana, especialmente da solidão.

Seus livros alcançaram repercussão na Europa nos anos 1960 e 1970. Em 1981, publicou o romance “Crônica de uma morte anunciada”.  Contada na forma de reconstrução jornalística, relatou o último dia de vida de Santiago Nasar, personagem assassinado em frente à sua casa depois da morte ter sido anunciada a toda a cidade e imprensa. A vítima desconhecia tal boato.

Além dessas, García Márquez é o autor de diversos livros de ficção, memórias e reportagens. São eles:

  • “Relato de um náufrago” (1955);
  • “A sesta de terça-feira” (1962);
  • “Olhos de cão azul” (1972);
  • “O outono do Patriarca” (1975);
  • “Crônica de uma Morte Anunciada” (1981);
  • “O Amor nos Tempos do Cólera” (1985);
  • “O General em Seu Labirinto” (1989);
  • “Entre amigos” (1990);
  • “Doze contos peregrinos” (1992);
  • “Do amor e outros demônios” (1994);
  • “Notícias de um Sequestro” (1996);
  • “Como contar um conto” (1998);
  • “Viver para contar” (2002);
  • “Memória de minhas putas tristes” (2004);
  • “Eu não vim fazer um discurso” (2010).

Citações

Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade.

Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa tu és o mundo.

Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.

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BRITO, Samara. Gabriel García Márquez; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/gabriel-garcia-marquez >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 20:00.

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