Gandhi

Líder pacifista responsável pela independência da Índia

Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi, foi um advogado e um dos maiores líderes políticos e espirituais do século XX. Principal figura no processo e conquista de independia da Índia, fundou e seguiu o princípio do satyagraha, utilizando a não-violência como forma de revolução. Recebeu o título de Mahatma, que expressa razão do respeito e a veneração do povo indiano por seu líder.       

Juventude e formação

Filho do Primeiro-Ministro de um pequeno principiado com uma devota vigorosa de Vishnu, um dos deuses hindus, Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade de Porbandar, na Índia ocidental.

Mais conhecido como Mahatma Gandhi, recebeu essa alcunha de um poeta, romancista, dramaturgo, que fez várias reformas culturais na Índia daquela época, chamado Rabindranath Tagore. “Mahatma”, da língua sânscrita, significa "A grande alma".

Líder Gandhi
Gandhi (1869-1948), importante líder pacifista . (Foto: Wikipédia)

Gandhi pertencia a casta dos vaixás, uma casta mais simples formada por comerciantes. Como era costume em sua cultura nesta época, teve um casamento arranjado aos 13 anos de idade com uma mulher chamada Kasturb. Permaneceram casados por 62 anos, tendo Kasturb participado ativamente da vida política empreendida pelo marido anos mais tarde.

Os primeiros anos de sua educação escolar foram realizados na Índia. Posteriormente, por volta de 1886, momento em que a Índia estava sob o poder dos britânicos, Gandhi foi enviado a Inglaterra para estudar direito na University College London.

Enquanto cursava a faculdade de direito em Londres, organizou um clube vegetariano onde se debatia assuntos teosóficos. Passou a ter contato com a filosofia de Henry Stephens Salt e com o que viria a ser sua bíblia e guia espiritual: o Bhagavad-Gita, um texto religioso que retrata um diálogo de Krishna com um guerreiro. 

Gandhi regressou à Índia em 1891 para exercer sua profissão, no entanto não obteve êxito. Então, ao receber um convite para representar a firma hindu de Dada Abdulla em KwaZulu-Natal em um processo judicial, foi para África do Sul.

África do Sul e Congresso indiano

Ao chegar ao país africano, Mahatma sentiu pessoalmente os efeitos do racismo e da violência, negros, indianos e muçulmanos eram discriminados de todas as formas, despertando-lhe a consciência social que culminou seus esforços pelos direitos básicos desse grupo.

Em 1893, iniciou a política de resistência passiva em protesto contra os maus tratos sofridos pela população hindu. Ao ter conhecimento de que uma lei estava sendo proposta para privar os hindus do voto, Gandhi fundou uma seção do Partido do Congresso indiano, destinada a lutar pelos direitos de seu povo.

Satyagraha, a força da verdade

Depois que se envolveu politicamente com o direito dos hindus, Gandhi mudou-se com sua mulher e os dois filhos e permaneceu por vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria e liderando a luta de seu povo.

Foi após a leitura de Henry David Thoreau que descobriu e desenvolveu a desobediência civil, que prezava pela luta pelos direitos sem o uso de violência. Gandhi resolveu chamar a técnica de se recusar a se submeter a injustiça de Satyagraha.

Derivados da crença tradicional hindu, “Satya” quer dizer verdade e “ahimsa” significa não violência, sendo assim um princípio de forma não violenta de protesto como um meio de revolução para libertar a Índia do domínio estrangeiro.

Gandhi foi o maior defensor do Satyagraha, e a simplicidade desse valor inspirou futuras gerações de ativistas de grande importância social e histórica, como Martin Luther King e Nelson Mandela.

Independência da Índia

Depois de anos lutando pelo direito dos indianos na África do Sul, que resultou em sua prisão por diversas vezes, finalmente conquistou a revogação da lei que discriminava o seu povo, Gandhi, então com 45 anos de idade, decidiu voltar à Índia.

Mahatma Gandhi destacou-se como o principal personagem da luta pela independência indiana. Sua luta pacífica buscava:

  • a independência total da Índia;
  • uma confederação democrática;
  • a igualdade política para todas as raças, religiões e classes;
  • as reformas socioeconômicas e administrativas e;
  • a modernização do Estado.

Assim, em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade baseada no uso da não violência. Em 1919, enfrentou abertamente o governo britânico na Índia em resposta aos poderes arbitrários do “Rowlatt Act“, um decreto que limitava as liberdades individuais de suspeitos de atividades antibritânicas.

Em 1920, deu início a uma campanha de alcance nacional que tinha o intuito de conscientizar o povo indiano a não colaborar com o governo britânico, incentivando o não pagamento de impostos e o boicote ao consumo de tudo que era inglês.

Nas cidades e aldeias, as pessoas deixaram de comprar bebidas alcoólicas e passaram a fazer suas próprias roupas. Após anos de confronto, o governo cedeu e realizou o cancelamento dos aumentos, libertou os prisioneiros, e devolveu as terras e propriedades confiscadas, consequentemente os camponeses voltaram a pagar seus tributos.

Marcha do Sal (1930)

Gandhi lutava há 15 anos pela independência indiana do governo exploratório dos britânicos. As greves gerais, boicotes e atos pacifistas liderados ou inspirados por sua figura já haviam se espalhado pelo país, enfraquecendo o domínio colonial.

Na época existia uma lei que proibia os hindus de fazer seu próprio sal, este monopólio britânico golpeou especialmente os pobres. Assim, Gandhi decidiu desobedecer ao governo organizando e liderando a célebre marcha para o mar.

O pacifista teve a ideia de marchar 200 quilômetros para protestar contra tal abuso. No começo da marcha tinha menos de 100 pessoas acompanhando-o, mas ao final de quase a marcha reuniu dezenas de milhares de pessoas que chegaram ao litoral do Oceano Índico, onde recolheram a água salgada em bacias e produziram o próprio sal.

Gandhi foi preso e diversos seguidores foram por esta ação, mas eles não tentaram lutar. Em 1931, o líder indiano foi convidado para uma reunião com o vice-rei Irwin, por fim firmando um acordo.

Depois de muita luta e prisões arbitrárias, a lei do sal foi revogada, permitindo sua fabricação na costa, a desobediência civil foi cancelada, os prisioneiros foram libertados e os indianos conquistaram mais esse importante passo rumo à independência.

Em 1932, em protesto contra a decisão do governo britânico de segregar as castas inferiores, Mahatma Gandhi fez mais uma de suas notórias greves de fome, chamando a atenção do mundo inteiro.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou à luta pela retirada imediata dos britânicos do seu país e mais uma vez foi preso. Por fim, em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia.

Últimas lutas e morte de Gandhi

Logo após a independência, Gandhi procurou evitar a luta entre hindus e muçulmanos, mas seus esforços não tiveram resultados satisfatório. Sua ambição de unir a nação indiana em uma só, provocou sérios conflitos que deixaram um saldo de milhares de mortos em Calcutá.

O que culminou a formação de dois estados independentes, a Índia, majoritariamente hindu, e o Paquistão, muçulmano. Mahatma Gandhi foi obrigado a aceitar a divisão do país, o que atraiu o ódio dos nacionalistas.

Por fim, em 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros por um hindu radical, em Nova Déli, capital indiana. Seguindo a tradição do Hinduísmo, seu corpo foi incinerado e suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, local sagrado para os hindus.

Citações

Não acredito que um indivíduo possa progredir espiritualmente, enquanto aqueles que o cercam estão sofrendo.

Faz da tua vida um reflexo da sociedade que desejas.

A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Gandhi; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/gandhi >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:46.

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