Gian Lorenzo Bernini

Artista construiu grandes monumentos barrocos na Itália

Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) foi um arquiteto, escultor e pintor italiano. Ele foi um dos principais nomes do Barroco da Itália, produzindo a maior parte das obras em Roma.

Ele é autor das grandes colunas da Praça de São Pedro e das colunas retorcidas que estão na Basílica de São Pedro, localizadas no Estado do Vaticano.

Começo da carreira artística

Gian Lorenzo Bernini
Retrato de Bernini. (Foto: Wikimedia)

Gian Lorenzo Bernini nasceu no dia 7 de dezembro de 1598, na cidade de Nápoles, sul da Itália. O seu talento para a arte apareceu ainda cedo e teve o apoio familiar.

Aos 13 anos, na Itália, começou a vida artística com o pai, Pietro Bernini, escultor de Florença que foi trabalhar em Roma. Pouco tempo depois, o talento do jovem foi observado por Annibale Carracci (1560-1609), pintor italiano.

Como consequência da atenção de Carraci, foi levado para trabalhar com o Papa Paulo V (1550-1621). A partir da produção artística, ainda jovem, ganhou independência econômica. Influenciado pela Arte Grega e a Arte Romana, Bernini desenvolveu as suas primeiras esculturas.

O primeiro patrono foi o cardeal Scipione Borghese (1577-1633). Para ele, o artista escupiu trabalhos como:

  • Eneias, Anquise e Ascânio (1618-1619);
  • O Rapto de Proserpina (1621 – 1622);
  • David (1623 – 1624);
  • Apolo e Dafne (1622 – 1625).

Através dessas obras, feitas em tamanho real, Gian Lorenzo Bernini rompeu com a tradição de Michelangelo (1475-1564), criando um novo período da história da escultura da Europa Ocidental.

Evolução estilística de Gian Lorenzo Bernini

Em 1623, com a eleição do Papa Urbano VIII (1568-1644), esculpiu de forma intensa e confeccionou também pinturas e obras em arquitetura, feitas por pedido do papa.

O seu primeiro trabalho na arquitetura foi a remodelação da Igreja de Santa Bibiana, construída em Roma. Ao mesmo tempo, Gian Lorenzo Bernini ficou encarregado de construir uma estrutura simbólica no túmulo de São Pedro, encontrado na Basílica de São Pedro, na capital italiana.

Como resultado do último trabalho, entre 1624 e 1633, fez o enorme Baldaquino dourado da Basílica de São Pedro, cúpula sustentada por colunas que resguardam o altar.

Esse baldaquim foi original e sem precedentes na história da escultura e arquitetura europeia, sendo considerado o primeiro monumento efetivamente barroco.

Artista de múltiplas funções

Com a morte do arquiteto italiano Carlo Maderno (1556-1629), Bernini acumulou não só as funções de arquiteto de São Pedro, mas passou a trabalhar com as estruturas do Palazzo Barberini, palácio situado em Roma. As obrigações foram tantas que precisou da assistência de outros artistas.

Entre esses artistas, estava Francesco Borromini, arquiteto italiano que colaborou nas produções feitas no Palazzo Barberini. No local, entre 1642 e 1643, Gian Lorenzo Bernini fez a Fonte do Trintão, a primeira das várias fontes barrocas do escultor.

Os trabalhos foram elaborados de acordo com as diretrizes do Concílio de Trento (1545-1563), evento da Contrarreforma no qual estabeleceu que a função da arte religiosa era ensinar e inspirar os fiéis da Igreja Católica.

Partindo desse fundamento, o artista produziu monumentos como:

  • Fonte dos Quatro Rios (Fontana dei Quattro Fiumi), esculpida entre 1648 e 1651;
  • Êxtase de Santa Teresa ou a Transverberação de Santa Teresa, escultura criada entre 1647 e 1652;
  • Igreja de Santo André no Quirinal (Sant’Andrea al Quirinale), edificada entre 1658 e 1670, em Roma;
  • Colunata que rodeia a Praça de São Pedro (século XVII), em Roma.

Em 1657, Gian Lorenzo Bernini começou a Cátedra de Pedro ou Cadeira de São Pedro, compartimento de bronze do trono em madeira do papa, localizado na Basílica de São Pedro. A relíquia católica foi concluída em 1666.

Após convite de Luís XIV (1638-1715), o artista foi para Paris (França). A ideia era reformular a arquitetura do Louvre, grande monumento da cidade. Apesar da missão, após ter elogiado a arquitetura italiana em comparação com a francesa, Bernini não conseguiu executar a reformulação.

Em solo francês, Gian Lorenzo Bernini confeccionou apenas o Busto de Luís XIV, em 1665. A escultura foi feita em mármore.

Últimas produções

As últimas obras de Bernini foram realizadas para a Capela Chigi, uma das capelas da Basílica de Santa Maria del Popolo, em Roma. Nos trabalhos esculturais seguiu características como:

  • Movimento e agitação;
  • Diversidade de formas;
  • Efeitos teatrais;
  • Uso de elementos decorativos, uma das principais características do Barroco;
  • Expressão exagerada do sentimento.

Gian Lorenzo Bernini morreu em 28 de novembro de 1680, aos 81 anos, em Roma. Ele serviu a oito papas e foi considerado por seus contemporâneos o maior escultor do século XVII. Além disso, para muitos historiadores, a sua morte marcou o fim do domínio artístico italiano na Europa.

Fatos sobre Gian Lorenzo Bernini

Com uma história de vida marcada pela produção de inúmeras obras barrocas, existem outros fatos relevantes sobre os trabalhos de Gian Lorenzo Bernini. Entre eles, é possível destacar:

  • Uma de suas obras mais famosas, Apolo e Dafne (1622 – 1625), foi realizada quando o artista tinha menos de 25 anos;
  • Bernini transformava um material rígido como o mármore em movimento, a escultura parecia ter carne. Essa foi uma característica inovadora para o seu século;
  • Os personagens das obras não posam de forma calma, tranquila. As criações parecem respirar, correr, gritar.

Apesar de ser um talentoso escultor e arquiteto, Bernini tinha paixão pela pintura. Por isso, suas esculturas têm forte inspiração nessa forma de arte. Os seus trabalhos foram projetados na tentativa de reproduzir a pintura.

Do ponto de vista comportamental, uma questão interessante sobre o artista é que era visto como pouco tolerante e de gênio difícil. Com relação ao aspecto físico, foi descrito pelas pessoas que o conheceram como um homem de baixa estatura, magro e elegante.

Ainda segundo esses relatos, os raciocínios de Bernini eram rápidos e o modo de falar era refinado. Entretanto, sua fala geralmente continha algum duplo sentido ou ironia.

Seguindo no âmbito dos acontecimentos notáveis da vida do artista, ele foi amigo de Cristina da Suécia (1626-1689), rainha sueca protestante que abdicou do trono para se converter ao Catolicismo.

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Conceição, Thiago. Gian Lorenzo Bernini; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/gian-lorenzo-bernini >. Acesso em 20 de setembro de 2019 às 20:46.

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