Giordano Bruno

Teólogo italiano questionador dos dogmas da Igreja

Giordano Bruno foi um filósofo, teólogo e matemático italiano do século XVI. Também era conhecido como Bruno de Nola ou Nolano. Ele ficou conhecido por desafiar os dogmas da Igreja, fazendo associações com diversas correntes religiosas e espiritualistas.

Defensor da teoria heliocêntrica, que defendia que o sol era o centro do universo, Giordano Bruno acreditava na existência de outros mundos, além de questionar o poder de Jesus Cristo. Isso o tornava um revolucionário do seu tempo.

Bruno pagou com a própria vida por ter a ousadia de confrontar a Igreja e discordar das suas ideias, em um período onde ela era tão dominante.

Biografia

Giordano Bruno
Ele adotou o nome Giordano Bruno apenas com 15 anos de idade. (Foto: Wikipédia)

Giordano Bruno nasceu em Nola, Reino de Nápoles, em 1548. Seus pais eram o militar Giovanni Bruno e Fraulissa Savolino. O nome de batismo dele era Filippo Bruno, mas ele adotou o nome de Giordano Bruno quando entrou na Ordem Dominicana, com 15 anos.

Em 1572 foi ordenado Sacerdote. No seminário ele estudou autores como Aristóteles e São Tomás de Aquino, os principais da doutrina católica da época. Ele continuou no convento aprofundando os seus estudos em teologia, que concluiu em 1575. Desde então, Giordano Bruno já se mostrava impaciente com os colegas, tendo-os como ignorantes.

Desde cedo ele já mostrava uma habilidade excepcional com a memorização. Por conta disso, foi levado para mostrar essas habilidades ao Papa, mas as suas tendências heterodoxas chamaram a atenção da Inquisição.

Em 1576 fugiu para Roma, pois estava sendo vítima de uma acusação de assassinato. Lá, conseguiu outro processo contra ele, dessa vez de excomunhão, o que o fez fugir novamente. Ele então abandona o hábito e em 1579 deixa a Itália. Foi para Gênova, onde adotou o Calvinismo, coisa negada por ele anos mais tarde em julgamento. Foi então excomungado pelos calvinistas e expulso de Gênova.

Viajou então para a França, Suíça e Inglaterra. Morou em Londres de 1583 a 1585, quando foi novamente para Paris. De lá, seguiu para Marburgo, Wittenberg, Praga, Helmstedt e Frankfurt, onde publicou alguns dos seus livros. Entre os anos de 1580 e 1585 ele lecionou em Paris, Londres e na Universidade de Oxford. Além das obras de Teologia, ele escreveu sobre a teoria de Copérnico, mais tarde adotada por Galileu Galilei sobre o Sistema Solar, afirmando que o Universo era infinito.

Em 1586 ele escreveu uma coleção de artigos que insultavam funcionários do governo e o resultado foi uma nova fuga. Na Alemanha ele se converteu ao Luteranismo, mas logo também foi expulso pela Igreja Luterana.

Ideologia de Giordano Bruno

Giordano Bruno defendia que o Universo era infinito, sem centro, repleto de outros mundos como o que vivemos. Para ele, além de saturno, existiam outros planetas que giravam ao redor do sol. Mesmo acertando essas previsões, ele não tinha respaldo científico, apenas crenças religiosas. Por conta disso, as suas descobertas eram tratadas como heresias.

As ideias de Bruno sobre a relatividade vieram antes mesmo das de Galileu. Para ele, em um universo infinito, a perspectiva do objeto visto depende da posição do observador. Ele também defendia a existência de planetas extra- solares.

Nesse contexto, Deus, que era a força criadora perfeita, é questionado por ele, que acreditava nos poderes humanos extraordinários e que todas as coisas tinham alma. Ele criou a geometria sagrada, enfrentando as igrejas católicas, luteranas e calvinistas, sendo expulso de todas elas.

Veja um pouco mais no vídeo:

Suas obras

Veja alguns dos seus principais escritos:

  • A sombra das ideias (1582)
  • A causa, o Princípio e o Uno (1584)
  • Acerca do Infinito Universo e Mundos (1584)
  • Expulsão da besta triunfante (1584)
  • Os heróicos furores (1585)
  • Sobre o Tríplice Mínimo e a Tríplice Medida (1591)
  • A Mônada, o Número e a Figura (1591)
  • Sobre o inumerável, imenso e não configurável (1591)

Condenação e morte pela Inquisição

Em 1591, Giordano Bruno resolve voltar à Itália, após quinze anos longe da sua terra de nascimento. Ele foi convidado pelo nobre veneziano Giovanni Mocenigo para dar aulas de memorização. Bruno era muito bom com a memória e praticava a mnemônica. Contudo, Giovanni, que parecia seu amigo, o entregou para a Inquisição.

estátua Giordano bruno
Estátua de Giordano Bruno em Roma, na Itália. (Foto: Wikimedia Commons)

Em julgamento, Bruno argumentou que as suas ideias eram filosóficas e não faziam referência à Teologia ou questionavam o poder da Igreja. Mesmo assim, a Inquisição pediu a sua extradição. Em janeiro de 1593 ele foi preso, saindo apenas no dia da sua fogueira.

Quando recebeu a sentença, Bruno disse a seguinte frase para os juízes:

Talvez vocês, meu juízes, pronunciem essa sentença contra mim com maior temor do que eu a recebo.

Giordano Bruno foi acusado dos seguintes crimes:

  • Sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros;
  • Sustentar opiniões contrárias à trindade, à divindade de Cristo e à encarnação;
  • Sustentar opiniões contrárias sobre Jesus como Cristo;
  • Sustentar opiniões contrárias a virgindade de Maria, mãe de Jesus;
  • Reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades;
  • Acreditar na transmigração da alma humana em brutos;
  • Envolvimento com magia e adivinhação.

Em 1599 ele foi chamado novamente para depor, e caso negasse o seu pensamento, ficaria livre da pena de morte. Ele, contudo, não aceitou negar o que acreditava, tendo a sua sentença proferida pelo Papa Clemente VIII, condenado à ser queimado vivo.

Nos oito dias que se passaram até o dia da fogueira, vários padres tentaram fazê-lo mudar de ideia e evitar a sua morte, mas não tiveram sucesso. Bruno foi morto no dia 17 de fevereiro de 1600, no Campo de Fiori, em Roma.

No local da sua morte foi erguida uma estátua em sua homenagem. A história da sua vida também foi transformada em filme em 1973, pelo diretor italiano Giuliano Montaldo.

Citações

Feliz na tristeza, triste na alegria.

O tempo tudo tira e tudo dá; tudo se transforma, nada se destrói.

Que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder.

Todo o amor deriva do ato de ver: o amor inteligível do ato de ver inteligivelmente; o sensível do ato de ver sensivelmente.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Pina, Cíntia. Giordano Bruno; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/giordano-bruno >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:24.

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