Graciliano Ramos

Prestigiado escritor da segunda fase do movimento modernista

Graciliano Ramos foi um romancista, cronista, contista, jornalista e político do século XX. Autor de “Vidas Secas”, romance clássico da literatura brasileira, fez parte da segunda fase do Modernismo no Brasil. Suas obras destacam-se pela retratação dos problemas sociais do nordeste do país, apresentando uma visão crítica das relações humanas.

Vida e carreira

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu no dia 27 de outubro de 1892 no município de Quebrangulo, Alagoas. Pertencente a uma grande família de classe média, era o primogênito dos dezesseis irmãos.

Viveu parte da infância migrando com os  pais para diversas cidades da região Nordeste, como Buíque, Pernambuco, Viçosa e Maceió. A maioria dessas terras eram castigadas pela seca, tema que foi muito retratado na sua literatura.

Como o pai era um homem rígido, Graciliano desenvolveu a ideia de que as relações humanas era baseadas na violência.

Aos 12 anos, publicou seu primeiro conto, chamado “Pequeno Pedinte”, no jornal do internato em que estudava.Nesse período, foi redator de um jornal quinzenal de Viçosa, onde conheceu seu mentor intelectual Mário Venâncio. Em 1905, mudou-se para Maceió.

Escritor Graciliano Ramos
Escritor Graciliano Ramos (1892-1953). (Foto: Wikipédia).

Deu continuidade aos estudos no tradicional colégio interno Quinze de Março, onde desenvolveu maior interesse pela língua portuguesa e literatura. Publicou seus primeiros sonetos em uma revista carioca sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença.

Graciliano Ramos também colaborou para o “Jornal de Alagoas”, no qual publicou diversos textos sob vários pseudônimos, entre eles Soares de Almeida Cunha e Lambda. Em 1910, foi morar em Palmeira dos Índios, Alagoas, onde seu pai mantinha um pequeno comércio.

Ao concluir seus estudos em Maceió, Graciliano partiu para o Rio de Janeiro, então capital federal, com o intuito de desenvolver uma carreira na imprensa carioca. O escritor não chegou a cursar uma faculdade, mas passou um tempo trabalhando como revisor nos jornais “Correio da Manhã”, “A Tarde” e “O Século”.

No ano de 1915, Graciliano Ramos retornou às pressas a Palmeira dos Índios, devido a morte de três irmãos e um sobrinho, vitimados pela epidemia de peste negra. Fixou-se na cidade nordestina, auxiliando o pai no negócio da família.

No mesmo ano, casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu cinco anos mais tarde devido a complicações no parto da última filha do casal, Maria Augusta. Juntos tiveram mais três filhos: Márcio, Jânio e Múcio.

Política

Em 1927, Graciliano Ramos foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios (AL), tomando posse no ano seguinte. No entanto, renunciou ao cargo dois anos depois, quando retornou para Maceió e assumiu o cargo de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas (1930-1931).

Vivendo na capital alagoana, conheceu e casou-se pela segunda vez. A escolhida foi Heloísa Medeiros, com quem teve mais quatro filhos: Ricardo, Roberto, Luiza e Clara.

Primeiras obras

Em 1933, Graciliano Ramos foi nomeado diretor da Instrução Pública de Alagoas, cargo equivalente a Secretário Estadual da Educação, conhecendo então Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Jorge Amado.

Foi contratado como redator do “Jornal de Alagoas”, onde publicou vários trabalhos, entre eles “Comandante dos Burros” e “Doutores e Mulheres”. Este mesmo ano foi marcado pela publicação de seu primeiro livro, “Caetés”.

A estreia de Graciliano na literatura ocorreu após a renuncia como prefeito, no qual precisou enviar um relatório de prestação de contas do município ao governador de Alagoas. A qualidade literária presente no documento chegou nas mãos do editor Augusto Frederico Schmidt, que o incentivou a produzir outros escritos para que pudessem ser publicados.  

Comunismo

Em 1934, publicou seu segundo romance “São Bernardo”. Quando se preparava para publicar seu terceiro livro, intitulado “Angústia“, Graciliano Ramos foi acusado pela ditadura de Getúlio Vargas de participar do Intentona Comunista de 1935 e acabou sendo preso em Maceió e levado para o Rio de Janeiro.

Passou por diversos presídios e relatou suas experiências, os abusos e humilhações sofridos, na obra póstuma “Memórias do Cárcere” (1953). Solto meses depois pela falta de provas, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Em abril de 1937, Graciliano Ramos recebeu o "Prêmio de Literatura Infantil do Ministério da Educação", nesse período já era considerado um dos maiores romancistas da época.  Mais tarde, foi nomeado Inspetor Federal de Ensino Secundário do Rio de Janeiro e, além de publicar diversas obras literárias, passou a traduzir as em inglês e francês.

Em 1945, ingressou no antigo Partido Comunista Brasileiro, de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes. Passou os aos seguintes viajando por países europeus, incluindo a União Soviética, que lhe rendeu a obra “Viagem“, publicada em 1954, após sua morte.

Graciliano Ramos adoeceu gravemente em 1952. Foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer de pulmão. Durante a vida foi honrado com diversos prêmios e as obras receberam riqueza da crítica literária, além da atenção do mundo acadêmico.

Características literárias

Graciliano Ramos destacou-se como o principal romancista da segunda fase do Modernismo no Brasil. Foi um representante do romance regionalista, retratado em suas obras as particularidades e a condição de miséria em que viviam os retirantes nordestinos.

Em suas histórias e personagens é possível observar as questões sociais e culturais do período, como o descaso com a seca, a desigualdade social, o coronelismo e os rumos da sociedade moderna. 

Através de uma linguagem direta, destinada a provocar a conscientização, tornou-se referência na literatura brasileira. Uma de suas principais obras é “Vidas Secas”, um clássico inspirado nas histórias presenciadas pelo autor durante infância no sertão nordestino.

Principais obras de Graciliano Ramos

  • “Caetés” – romance (1933);
  • “São Bernardo” – romance (1934);
  • “Angústia” – romance (1936);
  • “Vidas Secas” – romance (1938);
  • “Brandão Entre o Mar e o Amor” – romance – escrito com Jorge Amado, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e Aníbal Machado (1942);
  • “Histórias de Alexandre” – contos infanto-juvenis (1944);
  • “Infância” – memórias (1945);
  • “Dois dedos” – coletânea de contos (1945);
  • “Histórias Incompletas” – coletânea de contos (1946);
  • “Insônia” – contos (1947);
  • “Memórias do Cárcere” – memórias (1953);
  • “Viagem” – crônicas (1953);
  • “Pequena História da República” (1960);
  • “Histórias Agrestes” (1960);
  • “Viventes de Alagoas” – crônicas (1962);
  • “Alexandre e Outros Heróis” – contos infanto-juvenis (1962);
  • “Linhas Tortas” (1962).

Traduções

  • “Memórias de um Negro”, de Booker T. Washington;
  • “A Peste”, de Albert Camus.

Prêmios

1936 – Prêmio Lima Barreto (Revista Acadêmica) – pela obra “Angústia”;

1939 – Prêmio Literatura infanto-juvenil (Ministério da Educação) – obra “A Terra dos Meninos Pelados”;

1942 – Prêmio Felipe de Oliveira – Conjunto da Obra;

1962 – Prêmio da Fundação William Faulkner (Estados Unidos) – “Vidas Secas”, como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea;

1964 – Prêmios Catholique International du Cinema e Ciudad de Valladolid (Espanha), concedidos a Nelson Pereira dos Santos, pela adaptação para o cinema do livro “Vidas Secas”;

2000 – Personalidade Alagoana do Século XX;

2003 – Prêmio Nossa Gente, Nossas Letras / Prêmio Recordista;

2003 – Medalha Chico Mendes de Resistência;

2013 – Escolhido pelo Governo Federal para o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) – obra “Memórias do Cárcere”.

Citações

Só posso escrever o que sou. E se os personagens se comportam de modos diferentes, é porque não sou um só.

Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida.

Mas no tempo não havia horas.

As mulheres não são de ninguém, não têm dono.

Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição.

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BRITO, Samara. Graciliano Ramos; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/graciliano-ramos >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 22:16.

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