Humanismo

A filosofia do ser humano como centro do mundo

O Humanismo foi um movimento que se instalou no final da Idade Média, no século XIV, e marcou a transição entre o Trovadorismo e o Classicismo.

O Humanismo não é uma das escolas literárias da época e sim um momento de transição que antecipou fundamentos do Renascimento aliados a outras correntes de pensamento da Idade Média.

Do latim, o termo humanus significa “humano”. De uma forma mais ampla, o termo humanismo significa a era em que o ser humano se tornou o centro de tudo e, consequentemente, mais valorizado.

O Humanismo buscou identificar o melhor do ser humano, sem analisá-lo a partir da religião, possibilitando novas formas de estudo acerca das áreas artística, cientifica e política.

Nesse período grandes avanços aconteceram no campo da ciência, pois a corrente afastou algumas doutrinações e princípios feitos pela Igreja.

Principais características do Humanismo

  • Período de transição entre Idade Média e Renascimento;
  • Valorização do ser humano;
  • Surgimento da burguesia;
  • Ênfase no antropocentrismo, ou seja, o homem no centro do universo;
  • As emoções humanas começaram a ser mais valorizadas pelos artistas;
  • Afastamento de dogmas;
  • Valorização de debates e opiniões divergentes;
  • Valorização do racionalismo e do método científico.

Autores e obras humanistas

Gianozzo Manetti

Diplomata da Itália, Gianozzo tinha uma grande habilidade com a oratória e foi um conhecedor das línguas latina e grega, de onde traduziu algumas obras clássicas.

É reconhecido como autor de diversas obras como: “Decameron“; “Amorosa visione“; “Comedia delle ninfe fiorentine“; “De Claris Mulieribus“; “Rime“; “Teseida delle nozze di Emilia“.

William Shakespeare

Poeta, dramaturgo e ator, William Shakespeare foi reconhecido como o maior escritor da língua inglesa e mais influente dramaturgo do mundo.

Entre as obras, incluídas as que tiveram sua colaboração, estão 38 peças, 154 sonetos, dois poemas narrativos, entre outros versos.

Entre essas obras estão: “Romeu e Julieta“; “Hamlet”; “Rei Lear”; “Sonho de uma Noite de Verão”; “Otelo; Macbeth”; “Noite de Reis”; “A Tempestade”; “Megera Domada”; “Henrique V”; “A Comédia dos Erros”; “Sonetos”.

Humanismo William Shakespeare
Pintura em retrato do escritor, dramaturgo, William Shakespeare. (Foto: Flickr)

Erasmo de Roterdã

Teólogo e humanista neerlandês, Erasmo Roterdão ou Roterdã viajou por todos os países da Europa, através do seu trabalho.

Ele cursou seminário com monges agostinianos e realizou votos sagrados aos 25 anos, mesmo sendo um grande crítico da vida monástica e das doutrinações que não concordava na Igreja Católica.

Algumas das suas obras mais conhecidas foram: "Elogio da Loucura"; "De Libero Arbitrio"; "As Navegações dos Antigos"; "Preparação para a Morte".

Francesco Petrarca

Intelectual, poeta e humanista italiano, Francesco ficou bastante conhecido em virtude das suas obras literárias românticas.

Ele é considerado o autor do soneto, que é o tipo de poema composto de 14 versos. Entre as suas obras mais conhecidas estão: “Canzoniere”; “Trionfi”; “Meu Livro Secreto”; “De Vita Solitaria”.

François Rabelais

Escrito, padre e médico do Renascimento, Rabelais foi um sacerdote de fraca vocação, de espírito ousado e que tinha facilidade em se adequar a novidades e reformas.

Após estudar Direito, ele tornou-se franciscano e iniciou sua aproximação com o humanismo, se aproximando de atores como G.Bydé e Erasmo Roterdão. Entre suas obras estão: “Tiers Livre”; “Quart Livre”; “Gargântua e Pantagruel”.

Thomas More

Filósofo, homem de estado, diplomata, escritor, advogado e homem de leis, Thomas ocupou cargos públicos entre os anos de 1529 e 1532.

Ele é considerado uma grande referência entre os humanistas do Renascimento. Em 19 de maio de 1935 ele foi canonizado como mártir da Igreja Católica. Entre suas principais obras estão: “A Utopia”; “A Agonia de Cristo” e “Epitáfio”.

Vertentes do Humanismo

Humanismo Marxista

Seguindo como base os textos de Karl Marx, o Humanismo marxista considera que o homem faz parte da natura, porém, diferente da teoria Feuerbach, o ser humano possui a consciência como aliada.

O autor Salvatore Puledda destaca em seu livro “Interpretaciones del Humanismo” que “através de sua atividade consciente o ser humano se objetiva no mundo natural, aproximando-o sempre mais de si, fazendo-o cada vez mais parecido com ele: o que antes era simples natureza, agora se transforma em um produto humano.

Portanto, se o homem é um ser natural, a natureza é, por sua vez, natureza humanizada, ou seja, transformada conscientemente pelo homem.”

Filósofo e revolucionário socialista, Karl Mark. (Foto: Wikipedia)

Humanismo Renascentista

Esse foi um movimento intelectual que surgiu entre os séculos XIV e XVI, na Europa, e tinha como base a valorização do ser humano e suas habilidades. O homem renascentista não era guiado por fatores divinos e sim do aprimoramento do seu trabalho pessoal, empenhando-se em seus talentos.

Esses fundamentos foram cruciais para grandes mudanças nos costumes e hábitos, e principalmente na política. O primeiro país a aderir essa mudança foi a Itália, tomando como base a consciência de seus direitos e deveres.

Humanismo Positivista

Foi idealizado no começo do século XIX, na França, pelos pensadores Augusto Comte e John Stuart Mill, ganhando mais notoriedade na Europa na segunda metade do século XIX e início do século XX.

Essa corrente filosófica defende a teoria de que a única forma verdadeira de conhecimento é o científico. Segundo os humanistas positivistas só se pode confirmar a veracidade de uma teoria se ela for comprovada cientificamente. Eles invalidam todos os conhecimentos ligados as crenças, superstições ou qualquer outra teoria não comprovada por cientistas.

Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.

Curiosidade: A frase “Ordem e Progresso” que encontramos na bandeira brasileira é de inspiração positivista.

Humanismo Logosófico

Idealizado pelo humanista Gonzáles Pecotche, o humanismo logosófico tem o objetivo de realizar um processo interno de superação.

Segundo o autor, o saber logosófico não tem referência em áreas da ciência, filosofia, psicologia, etc, mas sim das concepções originais, que não foram baseadas em nenhuma outra forma de pensamento já existente.

Entre os objetivos centrais da logosofia estão:

  • A evolução consciente do homem mediante a organização de seus sistemas mental, sensível e instintivo;
  • O conhecimento de si mesmo, que implica o domínio pleno dos elementos que constituem o segredo da existência de cada um;
  • O conhecimento do mundo mental, transcendente ou metafísico, onde têm origem todas as ideias e pensamentos que fecundam a vida humana;
  • O desenvolvimento e o domínio profundos das funções de estudar, de aprender, de ensinar, de pensar e de realizar.

Resumo sobre Humanismo

O Humanismo foi um movimento que aconteceu no final da Idade Média e marcou a transição entre o Trovadorismo e o Classicismo. Ele não pode ser classificado como escola literária, e sim como um momento de transição que antecipou fundamentos do Renascimento.

Sendo assim, o termo “humanismo” significa a era em que o ser humano se tornou o centro de tudo, buscando identificar o melhor do ser humano, sem analisá-lo a partir da religião.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BARBOSA, Elson. Humanismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/humanismo >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 18:06.

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