Immanuel Kant

Considerado principal filósofo da era moderna

Immanuel Kant nasceu na cidade de Konigsberg, atual Kaliningrado, região pertencente ao Reino da Prússia.

O filósofo foi o quarto dentre nove filhos de Johann Georg Kant, um profissional autônomo que  fabricava peças para serem utilizadas em carroça, e a dona de casa Regina.

Nascido em uma família luterana, de cunho protestante, obteve uma criação com intervenções de pastores das igrejas às quais frequentava.

Mais tarde, apesar de preservar a crença em Deus, tornou-se cético em relação aos conceitos adotados pela religião.

Immanuel Kant
Kant é considerado um dos maiores filósofos da humanidade. (Foto: Wikipédia)

Kant permaneceu como estudante em boa parte da adolescência, mas apesar de tornar-se uma referência posteriormente, naquele período não era considerado nenhum gênio.

Por muitas vezes, preferia os jogos em detrimento dos estudos. 

Curiosamente, ele acreditava que nenhum ser humano teria capacidade de estabelecer convicções antes de atingir os 39 anos de idade.

Para Kant, antes dessa fase o indivíduo não tinha desenvolvimento e maturidade suficientes para defender teorias ou estar ciente de um direcionamento pessoal e profissional.

 Com essa idade, Immanuel era apenas um estudante de metafísica em uma universidade da Prússia.

Nesse período, inclusive, foi tomado por uma crise existencial

Biografia de Immanuel Kant

Kant quase toda a vida foi  professor universitário, mas sua trajetória não teve nenhum diferencial antes dos cinquenta anos de idade.

A princípio, adotava comportamentos muitos simples e tinha uma rotina extremamente metódica. Acordava às 5h da manhã todos os dias e todas as tardes realizava um passeio. Não havia grandes alterações em seu cotidiano.

O pesquisador nunca deixou a Prússia. Viveu e morreu no mesmo lugar. Apesar de muitas vezes ser considerado introvertido, gostava de receber visitas e amigos para jantar. Kant acreditava que a interação contribuía para a constituição física do seres vivos, de forma ampla, em todos os seus aspectos e dimensões.

Em 1770, aos 46 anos, debruçou-se sobre a obra de David Hume, um filósofo escocês considerado um empirista ou um cético, mas alguns críticos o consideram um naturalista.

A obra o deixou demasiadamente incomodado. Ele discordava do argumento de Hume sobre questões epistemológicas. Durante dez anos viveu um “período sabático” sem ter publicado nada.

Já em 1781 escreveu e divulgou a Crítica da Razão Pura, um dos livros mais importantes e influentes da filosofia moderna.

Nesta pesquisa, transformada em livro, desenvolveu uma teoria sobre o pensamento transcendental, concluindo que, apesar de não ser possível obter certezas sobre a verdade do mundo “como ele é em si”, pode-se percebê-lo de formas e maneiras diferentes.

Ou seja, cada acontecimento está atrelado, obrigatoriamente, a outros que de imediato não é possível perceber sua inter relação. Kant acredita que todo fenômeno se comunica no espaço e no tempo, e obedecem a leis da geometria, da aritmética, da física, dentre outros.

Filosofia de Immanuel Kant

A crítica Kantiana é resultante das ideias abordadas pelo racionalismo, das concepções empíricas de David Hume e a ciência física-matemática de Isaac Newton.

Historicamente, seu processo evolutivo dedicado às ciências filosóficas está contextualizado pelo governo de Frederico II, a independência americana e a Revolução Francesa.

 As principais indagações da crítica Kantiana são o problema do conhecimento e a ciência.

Uma argumentação primária dentre as problemáticas abordadas por Kant é exatamente sobre a síntese de tal pensamento: que juízos constituem a ciência físico matemática? Caso fossem analíticos, a ciência sempre diria o mesmo (e não é assim), e, se fossem sintéticos um hábito sem fundamento (o calor dilata os corpos porque costuma dilatá-los).

De acordo com o filósofo, os argumentos da ciência devem ser, simultaneamente,  universais, necessários, sintéticos objetivos e, acima de tudo, fundamentados na experiência.

Trata-se, portanto, de saber como interpretar os possíveis juízos sintéticos na matemática e na física, que seriam abordados pela Estética transcendental e Analítica transcendental, além de avaliar se são possíveis na metafísica, através da Dialética transcendental, partes da “Crítica da razão pura”.

Para os juízos sintetizados, a priori, são permitidos no ramo da matemática, uma vez que é uma ciência fundamentada no espaço e no tempo, formas firmadas da sensibilidade, intuições puras, não somente firmadas em coisas como objetos.

O espaço deriva da sua condição de possibilidade de existência. Portanto, entende Immanuel Kant, dentro da sua filosofia, que é possível pensar o espaço sem coisas, mas não coisa sem espaço.

O espaço é, sobretudo, o objeto de intuição e não uma coisa conceituada, considerando o fato de que não é possível ter intuição do objeto de um conceito, ou seja, pedra, carro, cavalo, dentre outros, gênero ou espécie.

O espaço não é nem uma coisa nem outra, nem abstrato nem concreto, exatamente e só há um espaço, este seria o nada, um ambiente amplo, sem definições específicas. 

Nas teorias transcendentais do espaço, Kant determina as condições subjetivas ou transcendentais da objetividade. Para ele, se o conhecimento é a ligação do sujeito com o objeto, as coisas não conhecidas a partir do universo da pluralidade; não “em si”, mas “para nós”.

A geometria pura, também sendo objeto de estudo de Kant, é uma interpretação de que o espaço é a forma da sensibilidade externa. O tempo pode ser percebido sem acontecimentos, internos ou externos, mas não se pode conceber os acontecimentos fora do tempo. 

Atuações acadêmicas

Além de seu trabalho filosófico, Kant também foi professor de física, antropologia, geografia, lógica, metafísica e outras disciplinas.

Suas contribuições para geografia foram além de lecionar, pois  dedicou-se a reflexão e exploração das implicações da disciplina na importância de entender os fenômenos naturais e no contexto da sua teoria filosófica sobre o conhecimento humano.

O pesquisador também propiciou aos alunos uma base de conhecimentos empíricos, que ele considerava necessário para o desenvolvimento do raciocínio e pesquisas científicas. 

Apesar de nunca ter publicado nenhum livro sobre o seu curso de geografia, permitiu que um dos seus alunos publicasse uma edição com notas sobre as abordagens da sua disciplina.

Essa obra concentra muito o conhecimento geográfico existente na época de Kant, tornando-se uma das referências nos estudos sobre geografia. 

Kant relacionava os estudos da disciplina em vertentes diferentes: Geografia Matemática (estando relacionadas a forma, dimensão, e movimento da Terra), Geografia Moral ( considerando as abordagens sobre os costumes e o caráter do homem em relação ao meio ambiente), Política, Mercantil (relacionada ao comércio) e Teológica (fundamentada nas  atribuições das variadas religiões existentes).

Citações

A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor.

Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.

Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.

O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.

Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Immanuel Kant; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/immanuel-kant >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 20:05.

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