Imperatriz Leopoldina

Da monarquia da Áustria para o Brasil Colônia

Imperatriz Leopoldina
A áustria imperatriz Leopoldina. (Foto: Wikipédia)

A imperatriz Leopoldina era a esposa de Dom Pedro I, com quem se casou a distância, por procuração. Ela se tornou imperatriz do Brasil em 1822, depois de sair da Áustria para viver com seu marido.

Leopoldina Carolina Josefa Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, nasceu em Viena, capital da Áustria, em 22 de janeiro de 1797. Na Áustria ela tinha o título de Arquiduquesa.

Leopoldina era filha de Francisco I da Áustria e de dona Maria Isabel de Bourbon. A realeza da Áustria era uma das mais importantes e poderosas da época.

A imperatriz teve um papel fundamental em momentos importantes do Brasil, como o Dia do Fico e até mesmo a Independência, que foi assinada por ela, antes mesmo que Dom Pedro I declamasse-a às margens do rio Ipiranga, em São Paulo.

A imperatriz Leopoldina

Antes de casar-se com Dom Pedro I, Leopoldina vivia na Áustria em um ambiente totalmente diferente do Brasil. Sua educação foi diversa, ela gostava de ler livros, tocar instrumentos musicais e era uma legítima amazona.

A imperatriz Leopoldina sabia diferente idiomas, do grego a latim, era letrada, cultivava grande amor por livros, além do prazer de andar a cavalo.

A educação diferente da imperatriz e toda sua família se devia ao seu avô, Leopoldo II, que acreditava na igualdade entre os homens, no poder da caridade, da cortesia ao próximo e na necessidade de sacrifícios dos chefes de Estados, líderes monárquicos para com seu povo.

Leopoldina era apaixonada por botânica e mineralogia, que eram suas especialidades, mas aprendeu diversas disciplinas, como: leitura, escrita, alemão, francês, italiano, dança, desenho, pintura, história, geografia, música, matemática (aritmética e geometria), literatura, física, latim, inglês, grego, canto e trabalhos manuais.

Antes de casar-se com Dom Pedro I, por causa das relações políticas de seu país com Portugal e Brasil, Leopoldina já tinha aprendido a língua portuguesa, que só aprimorou em sua morada no país.

O casamento da Imperatriz

Por causa de muitos conflitos, o imperador Francisco I da Áustria teve que prometer em casamento sua filha Maria Luísa de Áustria a Napoleão Bonaparte, líder político militar francês.

Dom Pedro I, marido da Imperatriz Leopoldina
Dom Pedro I, o imperador do Brasil, e marido da princesa da Áustria. (Foto: Wikipédia)

Nesse caso, Maria Luísa não teve escolha e seu pai não ficou feliz com isso. Depois dessa situação ele disse que não prometeria mais nenhuma filha em casamento sem o consentimento delas.

Tempo depois o Marquês de Maria Alva chegou ao Império Austro em uma comitiva garbosa, com cerca de seis carruagens com vários cavalos brancos, levando consigo o pedido de casamento.

Ele presenteou a todos com joias e barras de ouro, e pediu a mão de Leopoldina em nome de Dom Pedro I. Era interessante para Portugal fazer alianças políticas com outros países e o casamento de Dom Pedro I, príncipe de Portugal, regente do Brasil Colônia, com a Imperatriz da Áustria seria uma forma de fortalecimento de ambos países.

Ao ver uma ilustração de Dom Pedro I em uma medalha, Leopoldina se encantou com o retrato do noivo e se apaixonou. O Marquês também disse que seu noivo era culto e tinha gostos parecidos com o dela, o que fez a arquiduquesa se enamorar ainda mais.

Por seu conhecimento em diversas áreas ela tinha um pensamento à frente do seu tempo, imaginando que o Brasil poderia ser muito mais do que uma colônia de Portugal.

A jovem era bela e causava desejo a muitos homens, pois também era de uma família importante para a sociedade daquela época.

Dom Pedro I, por sua vez, ao contrário do que disse o marquês à Leopoldina, não via nos livros e na música o mesmo amor e desejo que Leopoldina via.

Depois do casamento a distância, Maria Leopoldina se mudou para o Brasil e passou a viver com seu esposo no Rio de Janeiro, que era a capital do país.

Veja mais sobre o príncipe de Portugal no vídeo abaixo:

Leopoldina e a independência do Brasil

Ao contrário do que muitos podem achar, o grito do 7 de setembro bem como o Dia do Fico, não foram ideias e atos apenas de Dom Pedro I, ambos momentos tiveram grande participação da imperatriz Leopoldina.

Após alguns anos de casamento, já com filhos, Dom Pedro I precisou ir para São Paulo para apaziguar algumas revoltas que aconteciam por lá. Enquanto ele viajava, cartas portuguesas chegaram no Rio de Janeiro pedindo que o Brasil, com status de império, voltasse a ser a colônia de Portugal, já que o Rei Dom João e toda família real havia voltado para a Europa.

Leopoldina, ao ler as cartas junto com José Bonifácio, percebeu o grande retrocesso que o país viveria, já que eles dois enxergavam e trabalhavam para a independência do país.

Os dois escreveram e assinaram a independência do Brasil e enviou o documento para Dom Pedro I, que em 7 de setembro gritou às margens do Rio Ipiranga “Independência ou morte”, deixando o Brasil livre de Portugal.

Domitila, descaso de Dom Pedro e morte por desgosto

Domitila a rival da imperatriz Leopoldina
Marquesa de Santos, Domitila de Castro, a amante oficial de Dom Pedro I. (Foto: Wikipédia)

Leopoldina em suas diversas cartas à família na Áustria expressava sem constrangimentos o amor e carinho que tinha por Dom Pedro I. Mas de igual forma contava como seu esposo era e como deixou de ser amável depois de conhecer Domitila de Castro.

Domitila era a Marquesa de Santos, que o príncipe regente conheceu em uma de suas viagens a São Paulo. Ela era casada, mas seu marido lhe esfaqueou, o que a fez pedir o divórcio. Após a separação, ela se mudou para o Rio de Janeiro e se instalou em uma casa de frente para o palácio, onde a imperatriz Leopoldina morava com Dom Pedro I.

O caso extraconjugal do imperador com Domitila não era segredo. Todos sabiam o que se passava. Inclusive ele fazia viagens oficiais com ela, a exemplo de uma visita a Bahia, onde ficou conhecida como sua a verdadeira mulher.

Ao assistir a vida dupla do marido, Leopoldina foi dia após dia entristecendo. Engravidou mais uma vez, passou a ter uma vida deprimente no palácio, onde Dom Pedro I a obrigava ir para o quarto logo depois de anoitecer. Ela não saía, nem acompanhava seu marido para outros lugares.

Durante a Guerra da Cisplatina, Dom Pedro I deixou o Rio de Janeiro para acompanhar os conflitos.  A imperatriz Leopoldina perdeu o bebê e por complicações seguidas faleceu.

Em uma última carta ela contou que morreu por desgosto causado por seu amado marido, que já não lhe tinha mais afeto. Ela relatava o medo que tinha de que seus filhos fossem entregues às tantas tristezas como ela foi exposta.

Ao saber da notícia e dos motivos da morte, Dom Pedro I pediu que Domitila deixasse o Rio de Janeiro, porque além da culpa que ele sentia em nem ter se despedido da esposa, o povo havia se revoltado culpando a Marquesa de Santos pela morte da imperatriz.

Confira a última carta que a imperatriz Leopoldina escreveu à sua irmã Maria Luísa, quando estava beirando a morte:

“Carta a Maria Luísa
[315]

São Cristóvão[?], 8 de dezembro de 1826, às 4 horas da manhã

Minha adorada mana!

Reduzida ao mais deplorável estado de saúde e tendo chegado ao último ponto de minha vida em meio dos maiores sofrimentos, terei também a desgraça de não poder eu mesma explicar-te todos aqueles sentimentos que há tanto tempo existiam impressos na minha alma. Minha mana! Não tornarei a vê-la! Não poderei outra vez repetir que te amava, que te adorava! Pois, já que não posso ter esta tão inocente satisfação igual a outras muitas que não me são permitidas, ouve o grito de uma vítima que de tu reclama – não vingança – mas piedade, e socorro do fraternal afeto para meus inocentes filhos, que orfãos vão ficar, em poder de si mesmos ou das pessoas que foram autores das minhas desgraças, reduzindo-me ao estado em que me acho, de ser obrigada a servir-me de intérprete para fazer chegar até tu os últimos rogos da minha aflita alma. A Marquesa de Aguiar, de quem bem conheceis o zelo e o amor verdadeiro que por mim tem, como repetidas vezes te escrevi, essa única amiga que tenho é quem lhe escreve em meu lugar.

Há quase quatro anos, minha adorada mana, como a ti tenho escrito, por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado da maior escravidão e totalmente esquecida pelo meu adorado Pedro. Ultimamente, acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças. Muito e muito tinha a dizer-te, mas faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte. Cadolino, que por ti me foi recomendado, e que me tem dado todas as provas da maior subordinação e fidelidade, é quem fica encarregado de entregar-te a presente, e declarar-te o que por muitos motivos não posso confiar a este papel. Tendo ele todas as informações que são precisas sobre este artigo, nada mais tenho a acrescentar, confiando inteiramente na sua probidade, honra e fidelidade.

Faltaria ao meu dever se, além de ter declarado ao Marechal e a Cadolino que tenho dívidas contratadas (ou contraídas?) para sustentar os pobres, que de mim reclamarão algum socorro, e para as minhas despesas particulares, não dissesse a ti que o Flach, de quem tenho muitas vezes escrito, é digno de toda tua consideração e de meu Augusto Pai, a quem peço-te remeter a inclusa.

Este virtuoso amigo, além de ter se sacrificado e comprometido a si mesmo e seus negócios para me servir, não desprezou meio algum para me procurar socorros. Peço-te por quanto tens de mais sagrado de lhe prestares todo o auxílio, de modo que ele possa satisfazer aquelas dívidas que por mim tem contraído. Recomendo este exemplo da mais virtuosa amizade. Cadolino te dirá qual foi o procedimento de Marechal para comigo. A Marquesa de Aguiar fica encarregada de dar a ti os mais miúdos detalhes sobre quanto diz respeito às minhas queridas filhas. Ah, minhas queridas filhas! Que será delas depois da minha morte? É a ela que entreguei a sua educação até que o meu Pedro, o meu querido Pedro não disponha o contrário. Adeus minha adorada mana.

Permita o Ente Supremo que eu possa escrever-te ainda outra vez, pois que será o final do meu restabelecimento.

L. S. B. Marquesa de Aguiar Escrevi.”

Citações

Fiquei admiradíssima quando vi de repente aparecer meu esposo, ontem à noite. Ele está mais bem disposto para os brasileiros do que eu esperava, mas é necessário que algumas pessoas influam mais, pois não está tão positivamente decidido como eu desejaria. Dizem que as tropas portuguesas o obrigarão a partir. Tudo então estaria perdido, e torna-se necessário impedi-lo. Os ministros vão ser substituídos por filhos do país, que sejam capazes. Muito me tem custado alcançar tudo isso. Só desejaria insuflar uma decisão mais firme. [Fala da imperatriz antes de Dom Pedro I se pronunciar no Dia do Fico]

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Oliveira, Ana Cláudia. Imperatriz Leopoldina; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/imperatriz-leopoldina >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 17:35.

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