Intolerância Religiosa

Discriminação diante das crenças e cultos de pessoas ou grupos

Intolerância religiosa é a incapacidade de conviver e respeitar a religião ou crença de outros indivíduos. Ela é caracterizada, sobretudo, pela discriminação, opressão e violência física e ideológica.

A Constituição Federal determina que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

A intolerância  vem de um longo processo histórico. Mesmo com todas as políticas públicas e suas estratégias para garantir a liberdade de culto, o Brasil e o mundo continuam registrando novos casos de preconceito.

Intolerância Religiosa no Mundo

A intolerância religiosa anda lado a lado com a própria história da humanidade, sendo responsável por inúmeros conflitos e extermínio de milhares de pessoas.

Os seguidores do cristianismo foram um dos primeiros a serem perseguidos e assassinados pelo Império Romano, que se sentia ameaçado pelo crescimento da religião.

Intolerância Religiosa
Pintura representando a perseguição aos cristãos (Foto: Wikipédia)

No entanto, quando conseguiram a legalidade, os cristãos tornaram-se intolerantes com os pagãos, judeus e, tempos depois, muçulmanos.

O século XX é marcado pela perseguição religiosa aos judeus no período da segunda grande guerra. O regime nazista torturou e matou milhões de pessoas de etnias e crenças indesejadas.

Recentemente, a intolerância religiosa se propaga em territórios islâmicos. Grupos extremistas impõem de forma violenta seu fundamentalismo religioso, a exemplo do Estado Islâmico.

No Iraque, as correntes islâmicas sunitas e xiitas são protagonistas de condenações e guerras entre si. Um lado cultiva a aversão para com o outro, sendo os xiitas os mais perseguidos, pois são minoria.

Intolerância Religiosa no Brasil

O Brasil não tem religião oficial (Estado Laico) de acordo com a constituição. A intolerância religiosa é tida como crime de ódio, sendo os agressores sujeitos a pagamento de multas ou prisão.

Entretanto, todo esse aparato da lei apenas teve início em 1891, quando o catolicismo ainda era a religião oficial do país e outros tipos de cultos proibidos.

O ponto de partida da intolerância religiosa brasileira começa com a vinda dos portugueses. Os povos nativos, índios, foram catequizados pelos padres jesuítas e obrigados a abandonar os rituais e crenças de origem.

Em seguida, com a chegada dos negros africanos escravizados, o mesmo processo doutrinador se repetiu. Eles tiveram que traçar estratégias para cultuar seus orixás através de santos católicos.

O poder do catolicismo sofreu um enfraquecimento somente no Segundo Reinado – período de imigração alemã e chagada de pastores da Igreja Luterana. Mas foi com a consolidação da república que a igreja separou-se do estado.

As religiões de matriz africana continuam sendo as mais atingidas pela intolerância religiosa. Se no passado seus praticantes e terreiros eram perseguidos pela polícia, atualmente são alvos de ataques e atos de vandalismo.

As crenças mais atacadas no Brasil são a umbanda e o candomblé, seguidas das religiões evangélicas e espíritas.

Dia de Enfrentamento

Comemora-se no dia 21 de janeiro, desde de dezembro 2007, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

A data é em homenagem à Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, na Bahia – vítima de infarto após ser acusada de charlatanismo e ter sua casa e terreiro invadidos.   

O dia de combate, baseado na Lei de n° 11.635, é na mesma data de falecimento da mãe de santo, que tornou-se símbolo do enfrentamento à intolerância, principalmente em relação as religiões de matriz africana.

No mesmo dia também é comemorado o Dia Mundial da Religião.

Os Caminhos da Tolerância

O fundamentalismo religioso – prática que concentra em determinados dogmas a noção de verdade absoluta – é um dos principais elementos para a difusão de ideias e comportamentos intolerantes.

A busca pela tolerância está presente nos livros sagrados e nas ideologias de profetas e praticantes, evidenciando o lado pacificador e benevolente da religião. Conheça algumas frases que comprovam isso.

“Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”(Jesus Cristo).

“A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos toda a família humana como uma só família. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião” (Mahatma Gandhi).

“Em verdade, jamais se destrói o ódio pelo ódio. O ódio só é destruído pelo Amor. Este é um preceito eterno” (Buda).

“Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem” (Allan Kardec).

“A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos” (Miguel Torga).

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

SANTOS, Thamires. Intolerância Religiosa; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/intolerancia-religiosa >. Acesso em 12 de dezembro de 2019 às 13:47.

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