Jean Paul Sartre

Filósofo existencialista

Jean Paul Sartre (1905-1980) foi um filósofo, escritor e crítico francês, considerado um dos maiores pensadores do século XX e representantes do existencialismo. Além de defender a liberdade humana e afirmar que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade, foi militante e apoiador dos pensamentos políticos de esquerda.

Vida e carreira

Nascido na capital da França no dia 21 de junho de 1905, Jean-Paul Charles Aymard Sartre ficou órfão de pai quando tinha pouco mais de um ano. Consequentemente, em 1907 mudou-se com a mãe, Anne-Marie Schweitzer, para Meudon, onde viviam seus avós maternos.

Cercado de mimos e proteção, recebeu as primeiras instruções educacionais em casa por seu avô e alguns preceptores contratados. Desde a infância interessava-se pela leitura de clássicos, como Victor Hugo, Flaubert, Mallarmé, Corneille, Maupassant e Goethe.

Dono de uma imaginação criativa, Sartre também tinha certo fascínio pelas artes, especialmente o cinema, exercendo grande influência em seu futuro profissional. Em 1911, mudou-se com a família para Paris e ingressou no Liceu Henri IV.

Aos dez anos ganhou sua primeira máquina de escrever, alimentando o sonho de tornar-se escritor. Em 1924, ingressou no curso de filosofia da Escola Normal Superior de Paris, onde demonstrou atenção particular à discussão do problema da liberdade.

“(…) por ter descoberto o mundo através da linguagem, tomei durante muito tempo a linguagem pelo mundo. Existir era possuir uma marca registrada, alguma porta nas tábuas infinitas do verbo; escrever era gravar nela seres novos – foi minha mais tenaz ilusão -, colher as coisas vivas nas armadilhas das frases.”

O amor livre

Foi nesse período que conheceu Simone de Beauvoir (1908-1986), com quem manteve um relacionamento durante quase cinquenta anos. Jean-Paul Sartre e Beauvoir mantiveram uma relação diferente do habitual naquela época, o que gerava certa polêmica.

Os escritores não formavam um casal tradicional, caracterizado pelo casamento e formação de família. Consideravam-se parceiros intelectuais e mantinham um relacionamento aberto, assim, não se casaram ou tiveram filhos.

A formação do filósofo

Terminado o curso de filosofia, em 1928, prestou o exame de mestrado, mas foi reprovado. Na segunda tentativa, Sartre conseguiu aprovação em primeiro lugar. No ano seguinte foi convocado para prestar serviço militar, tornando-se soldado meteorologista.

De 1931 a 1945 lecionou filosofia em várias escolas secundárias, aproveitando a experiência para aprofundar seus conhecimentos na filosofia existencialista para criar a sua própria teoria.

Neste mesmo período, Jean Paul Sartre escreveu o romance”A Lenda da Verdade“, que não foi aceito pelos editores. Em 1933, recebeu uma bolsa de estudos que lhe permitiu passar um ano em Berlim estudando as filosofias de Heidegger, Karl Jasper e Max Schellr.

O existencialismo

A partir desses contatos, Sartre foi levado às obras de Sören Kierkegaard (1813-1855).  Considerado o “pai do existencialismo”, Kierkegaard sustentava que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la da forma que mais o agrada, mesmo diante de muitos obstáculos e distrações.

Essa filosofia defende a autenticidade e liberdade como essenciais ao ser humano, apesar das consequências angustiantes que isso possa trazer. O existencialismo reconhece que o homem é responsável por suas escolhas, não devendo aceitar os valores impostos pela sociedade.

Com base nessas referências principais, Jean Paul Sartre elaborou sua própria versão do existencialismo. Ele defendeu a liberdade e a autenticidade de cada ser humano como essenciais, não obstante a angústia que tal liberdade possa trazer.

“A existência precede a essência.”

Na Alemanha, Sartre iniciou a produção da obra “Melancolia”, que quando concluída foi intitulada “A Náusea”. O romance, um das obras mais conhecidas de sua autoria, pretendia divulgar os princípios do existencialismo ao mesmo tempo em que se afirmava como um símbolo do movimento filosófico.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Sartre foi novamente convocado pelo exército francês como meteorologista. Acabou prisioneiro dos alemães no ano de 1940, permanecendo na prisão até 1941.

Comunismo

Novamente em Paris, Jean Paul Sartre voltou a lecionar e aliou-se à resistência francesa, de oposição ao nazismo, fundando o Movimento Socialismo e Liberdade. Em 1943, publicou a obra “O Ser e o Nada”, um tratado filosófico tido como marco para o início do crescimento do existencialismo no século XX.

Dois anos depois, a segunda grande guerra chegou ao fim e Sartre dissolveu o movimento por corresponder apenas a uma necessidade da resistência. 

Em colaboração com Reymond Aron (1905-1983), Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) e Simone De Beauvoir, fundou a revista “Les Temps Modernes” (Os Tempos Modernos), periódico político-literário de pensamento esquerdista e um dos mais influentes do pós-guerra.

Durante a década de 1950, Sartre assumiu uma postura política mais atuante, filiando-se ao Partido Comunista. No entanto, a intervenção das tropas soviéticas na Hungria, em 1956, leva-o a romper com o partido e escrever um longo artigo em seu periódico, intitulado “O Fantasma de Stalin”, no qual explicou sua posição em face dos desvios do espírito do marxismo por parte das autoridades soviéticas.

Jean Paul Sartre morreu em Paris, em 15 de abril de 1980, aos 74 anos.

A filosofia de Jean Paul Sartre

Filósofo Jean Paul Sartre
Filósofo Jean Paul Sartre (1908-1980). (Foto: Wikipédia).

O existencialismo de Jean Paul Sartre foi uma das correntes mais importantes do pensamento francês. O autor defende que o homem é livre e responsável por tudo que está à sua volta, de forma que pode pensar sobre a própria consciência e o mundo ao seu redor.

Para o filósofo, a consciência humana não tem uma essência definida, não um criador que tenha dado uma finalidade a priori para sua vida. Desta forma, as escolhas de cada homem definirão a sua essência.

Sartre tinha plena consciência do quão angustiante era essa filosofia, da maneira que essas escolhas poderiam afetar o próprio mundo, algumas vezes de forma irreversível. Portanto, a angustia vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada: “O homem está condenado a ser livre”.

“A realidade humana não tem desculpas: somos responsáveis pelo mundo, porque o elegemos. O homem é o único legislador de sua vida, e a única lei de sua existência diz apenas: ‘escolhe-te a si mesmo’. Ou então, ‘fazer e, ao fazer, fazer-se’. A cada momento o homem deve escolher o seu Ser, lançando-se continuamente a seus possíveis e constituindo pouco a pouco a sua essência, através dessas escolhas, contando, para agir, somente com a voz de sua consciência.”    

Principais obras

Além de seus fundamentos filosóficos, Jean Paul Sartre escreveu romances, contos, ensaios, biografias e peças teatrais. Entre a vasta lista de obras da sua autoria, destacam-se:

  • “A Náusea”, romance (1938);
  • “O muro”, contos (1939);
  • “O imaginário”, ensaio filosófico (1940);
  • “As moscas”, teatro (1943);
  • “O Ser e o Nada”, tratado filosófico (1943);
  • “Mortos sem sepultura”, teatro (1946);
  • “O que é a literatura?”, ensaio (1947);
  • “Orfeu negro”, teatro (1948);
  • “Saint Genet, ator e mártir”, biografia de Jean Genet (1952);
  • “As Palavras”, autobiografia (1964).

Citações

Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer.

Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo.

O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.

A desordem é o melhor servidor da ordem estabelecida.

Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é semelhantemente infinita em cada um.

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BRITO, Samara. Jean Paul Sartre; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/jean-paul-sartre >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:23.

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