Joana D’Arc

Líder militar e principal nome da Guerra dos Cem Anos

Joana D’Arc foi uma guerreira e líder militar francesa conhecida por seus feitos durante a Guerra dos Cem Anos em uma época em que mulheres não se envolviam em assuntos de guerra, tornando-se uma figura muito importante na história da França e santa canonizada pela Igreja Católica.

Joana nasceu no vilarejo Domrémy, França, no dia 6 de janeiro de 1412. Filha dos agricultores e artesãos Jacques D’Arc e Isabelle Romée, sendo a caçula de quatro irmãos, cresceu ajudando o pai no trabalho do campo e na criação de carneiros.

Guerreira Joana D’Arc
Figura da guerreira Joana D’Arc (1412-1431). (Foto: Wikipédia)

As vozes

Joana D’Arc não aprendeu a ler nem escrever, algo comum na época. Seguidora convicta dos princípios da fé católica, afirmava ouvir vozes divinas do arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia.

Segundo a própria, a primeira vez que escutou uma voz tinha por volta dos 13 anos. Entre as mensagens que recebia, estavam:

  • Conselhos para frequentar a igreja;
  • A missão de libertar a França do domínio da Inglaterra, entrando para o exército francês e instruindo as forças de Carlos VII;
  • Coroar o rei Carlos VII como o soberano da França.

A Guerra dos Cem Anos

A Guerra dos Cem Anos, que durou na realidade 116 anos, foi um dos mais longos e sangrentos conflitos da história da humanidade. Originou-se após a França tentar recuperar os territórios perdidos para a Inglaterra.

Em 1337, o então rei Eduardo III da Inglaterra, desembarcou na França com mais de 20 mil homens, provocando uma guerra civil entre a população local e o rico ducado da Borgonha, vizinho à Lorena, que se aliara aos ingleses.

Em 1415, os ingleses obtiveram, através de um tratado, metade do território francês, passando ao domínio do rei Henrique V. A outra metade francesa ficaria sob o domínio de Carlos VI.

Com a morte de Carlos VI, em 1422, Henrique VI da Inglaterra foi coroado para sucede-lo, mas para os franceses o rei deveria ser Carlos VII, filho do rei. Assim,  os franceses se dividiram entre aqueles que apoiavam Henrique VI e os que se mantiveram fies ao delfim da França.

Os conflitos que tinham interesse de unificar as coroas duraram de 1337 a 1453, resultando na morte de milhões de pessoas e na destruição de quase toda a França setentrional.  No momento em que Joana D’Arc passou a se envolver nos assuntos referentes a este conflito, parte da França vivia sob domínio inglês.

Encontro com rei

Para Joana, apenas uma França forte e soberana poderia derrotar os inimigos. E isso só aconteceria quando o delfim recebesse a coroa na Catedral de Notre-Dame, em Reims, conforme mandava a tradição.

Motivada pelas mensagens, com cerca de 16 anos, Joana D’Arc cortou o cabelo bem curto, vestiu-se de homem e começou a fazer treinamentos militares.

Recorreu ao capitão da guarnição Armagnac estabelecida em Vaucouleurs, cidade vizinha a Domrèmy, e solicitou uma escolta, já que teria que atravessar todo o território hostil defendido pelos ingleses e Borguinhões para chegar até Carlos VII.

Um ano depois a jovem guerreira conseguiu convencer soldados a acompanhá-la. A escolta iniciou-se em fevereiro de 1429 e, após uma longa viagem, Joana D’Arc chegou ao castelo na cidade de Chinon para encontrar-se com o rei.

Segundo a lenda, com medo de apresentar o soberano a uma desconhecida que pudesse colocar sua vida em risco, decidiram ocultar a identidade de Carlos em uma sala cheia de nobres, vestidos com elegância e apresentáveis como o rei.

No entanto, Joana teria reconhecido o rei disfarçado entre os nobres sem que jamais o tivesse visto. Interrogada por bispos e cardeais, Joana D’Arc acabou por convencer a todos, recebendo o título de chefe de guerra.

Joana D’Arc: a guerreira

Desta forma, acompanhada por uma tropa de mais de quatro mil homens, Joana D’Arc dá início a sua primeira missão. Montada em um cavalo branco, com uma espada na mão e vestes de cavalheiro, a donzela, como chamou a si própria, inspiraria os franceses em sua libertação do domínio estrangeiro.

Seguiu com uma tropa para Orleans, e derrotaram os ingleses depois de vários dias em batalha. Por fim, em maio de 1429 encerrava-se a Batalha de Orléans, que alterou o cenário da guerra, até então marcada pela dominação britânica.

As importantes conquistas lideradas pela virgem guerreira lhe gerou uma excelente reputação. Joana D’Arc seguiu sua jornada e, em 17 de julho de 1429, conduziu Carlos VII à cidade de Reims para a sua coroação como rei, cumprindo a segunda missão divina e renovando a esperança do país em ficar livre do domínio inglês.

Após os acordos de paz feitos por Carlos VII, os nobres sabiam que apenas conseguiriam reinar em totalidade se conquistassem Paris. Assim, Joana retomou sua campanha militar no início de 1430.

No entanto, as vitórias em batalhas importantes e o reconhecimento que Joana D’arc ganhou do rei Carlos VII despertam a inveja em outros líderes militares da França, que começaram a conspirar e diminuir o apoio de Joana.

Morte

Diante de uma série de vitórias, tenta libertar a cidade Compiègne, no entanto acabou sendo ferida e capturada pelos borgonheses, que a venderam para os ingleses. Joana foi presa, acusada de praticar feitiçaria em função de suas visões, e permaneceu por mais de um ano esperando por julgamento.

Após dezenas de interrogatórios, foi condenada por heresia, acusada de seguir vozes diabólicas, se vestir como um homem, e outras práticas inadmissíveis à Santa Inquisição. No dia 29 de maio de 1431 foi condenada à morte na fogueira.

Na manhã seguinte, depois de se confessar, levaram-na à Praça do Velho Mercado, na cidade de Ruão, onde foi queimada viva, aos 19 anos de idade, pela mesma Igreja que jurava seguir.

Joana D’Arc: a santa

Foi a  fé católica que fez Joana D’Arc investir em uma jornada heroica que a tornaria o principal nome feminino da Guerra dos Cem Anos. Joana cumpriu sua missão, mas foi capturada e entregue à Inquisição.

Condenada à morte, anos mais tarde a virgem guerreira foi considerada inocente pelo Papa Calisto III, em 1456. Dessa forma, após morte e absolvição, Joana foi beatificada pelo Papa Pio X e canonizada pelo Papa Bento XV.

Em 1922,  Joana D’Arc foi canonizada como Padroeira da França.

Curiosidade

  • A cidade que Joana D’Arc nasceu passou a se chamar Domrémy-la-Pucelle, em homenagem a heroína francesa. O termo “Pucelle”, em francês, significa virgem ou donzela.

Citações

Em nome de Deus, os soldados vão lutar e Deus lhes dará a vitória.

Eu estava no meu décimo terceiro ano quando ouvi uma voz, de Deus, me ajudando a governar a minha conduta.

Tive a sensação de vislumbrar a dimensão do Mundo quando experimentei ver pelos teus olhos.

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BRITO, Samara. Joana D’Arc; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/joana-darc >. Acesso em 29 de outubro de 2019 às 02:09.

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