Joaquim Nabuco

Uma das principais figuras do abolicionismo no Brasil

Joaquim Nabuco foi um político, diplomata, historiador, orador e jornalista brasileiro. Apesar de ter sido educado por uma família escravocrata, foi uma das principais figuras a lutar pela liberdade dos escravos. Além de ser reconhecido como um importante diplomata do Império do Brasil, destacou-se por ser autor de diversos livros, entre eles uma autobiografia.

Infância

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de agosto de 1849. Era filho de José Tomás Nabuco de Araújo, juiz dos rebeldes da Revolução Praieira e Senador do Império, e de Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo, irmã do Marquês do Recife.

Joaquim viveu sua infância com os padrinhos no Engenho Massangana, no município do Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Lá, iniciou os estudos com um professor particular, a educação religiosa e teve os primeiros contatos com a escravidão.

Esse contato íntimo com a sociabilidade da escravidão, tornou-se uma importante vivência na construção dos futuros ideais antiescravistas e libertários de Joaquim Nabuco. Quando produziu sua autobiografia chamada “Minha Formação” (1910), Joaquim destacou a relevância desse período em sua vida.

O traço todo da vida é para muitos um desenho da criança esquecido pelo homem, e ao qual este terá sempre de se cingir sem o saber… Pela minha parte, acredito não ter nunca transposto o limite das minhas quatro ou cinco primeiras impressões. Os primeiros oito anos da vida foram assim, em certo sentido, os de minha formação instintiva, ou moral, definitiva… Passei esse período inicial, tão remoto e tão presente, em um engenho de Pernambuco, minha província natal. A terra era uma das mais vastas e pitorescas da zona do Cabo… Nunca se me retira da vista esse pano de fundo da minha primeira existência… A população do pequeno domínio, inteiramente fechado a qualquer ingerência de fora, como todos os outros feudos da escravidão, compunha-se de escravos, distribuídos pelos compartimentos da senzala, o grande pombal negro ao lado da casa de morada, e de rendeiros, ligados ao proprietário pelo benefício da casa de barro, que os agasalhava, ou da pequena cultura que lhes consentia em suas terras. (…) Nada mostra melhor do que a própria escravidão o poder das primeiras vibrações do sentimento… Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar…

Formação

Em 1857, após a morte de sua madrinha, Joaquim  Nabuco foi morar com os pais no Rio de janeiro, onde teve seu primeiro contato com a política. Estudou no Colégio Pedro II, dando início a sua formação em Letras.

Joaquim Nabuco
Joaquim Nabuco (1849-1910). (Foto: Wikipédia)

Mais tarde ingressou na Faculdade de Direito, em São Paulo, mas retornou a Recife, onde concluiu o curso em 1870. Nesse período, conviveu com nomes que se tornaram importantes na história do país, como Rodrigues Alves e Affonso Penna.

Foi também nessa época que Joaquim Nabuco escreveu seus primeiros textos sobre a escravidão e suas atuações iniciais como advogado, quando defendeu um escravo que havia sido acusado de assassinato. Embora condenado à prisão perpétua, foi salvo da pena de morte.

Ainda na década de 1970, Joaquim Nabuco mudou-se novamente para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar como jornalista e advogado. Ingressou na carreira diplomática com apoio do pai, tornando-se adido de primeira classe em Londres, depois em Washington, entre 1876 a 1878.

Com a morte do pai, voltou ao Rio de Janeiro, trocando a vida diplomática pela advocacia. Atraído pela política com a volta dos liberais ao poder, em 1978 Joaquim Nabuco foi eleito Deputado Geral da Província, quando deu início à campanha em favor do abolicionismo.

Ideias Abolicionistas de Joaquim Nabuco

Sua luta pela abolição, tanto por meio de suas atividades políticas e quanto por seus escritos, logo tornou-se uma causa nacional. Fez campanha na Câmara dos Deputados e fundou a Sociedade Contra a Escravidão.

Enquanto viajou pela Europa e por Londres, publicou a obra “O Abolicionismo” (1883). Retornou ao Brasil no ano seguinte e retomou a campanha abolicionista, com textos publicados na imprensa, como “O erro do Imperador” e “O eclipse do abolicionismo“.

Em julho de 1884 Nabuco apoiou o Gabinete liberal Sousa Dantas nas propostas que visavam à extinção gradual da escravidão no Brasil. No ano seguinte foi promulgada a Lei dos Sexagenários, que garantia liberdade aos escravos com 60 anos de idade ou mais.

Mais tarde, foi eleito novamente Deputado de Pernambuco (1887) e durante um discurso na Câmara, condenou a atividade de perseguição do Exército na busca dos escravos fujões. Lutando pelo projeto abolicionista, Joaquim Nabuco estava ao lado da Princesa Isabel no momento da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1988.

Casamento e morte

Após a derrubada da monarquia brasileira, consequência da Proclamação da República, Joaquim Nabuco retirou-se da vida pública por algum tempo. Em 1889 casou-se com Evelina Torres Soares Ribeiro, com quem teve cinco filhos.

Anos depois, serviu como embaixador do Brasil nos Estados Unidos (1905-1910), onde profere conferências sobre a cultura brasileira e tornou-se um grande divulgador da obra “Os Lusíadas” de Camões. Posteriormente presidiu a III Conferência Pan-americana, realizada no Rio de Janeiro em 1906.

Em 1908 recebeu o título de doutor em Letras pela Universidade Yale, retornando para o Brasil no mesmo ano. Recebido com festa no Teatro Santa Isabel, em Recife, a frase que marcou o local “Aqui nós ganhamos a causa da Abolição”.

Joaquim Nabuco sofria de uma doença hematológica, que causou sua morte. Faleceu em 17 de janeiro de 1910, aos 60 anos de idade, em Washington, Estados Unidos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro na sua cidade natal.

Assim eu combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimitis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimento uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.

Trecho a autobiografia “Minha Formação” (1910).

Literatura

Além de sua luta política e social, Joaquim Nabuco também se destacou na literatura. Além de ser autor de “Minha formação”, escreveu algumas obras como “Balmaceda” (1895), sobre a guerra civil do Chile, e “Um estadista do Império” (1896), que fala sobre seu pai que e é considerado sua obra considerada uma das suas maiores obras.

Além disso, ao lado do amigo Machado de Assis, Nabuco participou da fundação da Academia Brasileira de Letras. Entre suas obras, estão:

  • “L’Amour est Dieu” – poesias líricas (1874);
  • “Campanha abolicionista no Recife” – 1885;
  • “O erro do Imperador” – história (1886);
  • “Escravos” – poesia (1886);
  • “Por que continuo a ser monarquista” (1890);
  • “Balmaceda” – biografia (1895);
  • “O dever dos monarquistas” (1895);
  • “A intervenção estrangeira durante a revolta” – história diplomática (1896);
  • “Minha formação” – memórias (1900).

A autobiografia completa de Joaquim Nabuco, intitulada “Minha Formação”, está disponível para download no Domínio Público.

Citações

A oposição será sempre popular; é o prato servido à multidão que não logra participar no banquete.

Evitai de vos observar ao microscópio. Bons olhos, sem vidros, voltados para o que vos cerca é quanto basta.

O gênio sem paixão é o asceta da poesia, não é o poeta.

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BRITO, Samara. Joaquim Nabuco; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/joaquim-nabuco >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:26.

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