José de Alencar

O Patriarca da Literatura Brasileira

José de Alencar, batizado com o nome de José Martiniano de Alencar, foi um romancista, jornalista, advogado, político e teatrólogo brasileiro.

O escritor fez parte da fase do Romantismo no Brasil, e foi um dos principais representantes da literatura indianista do país.

Autor de obras importantes da literatura brasileira como Iracema e O Guarani. Foi escolhido por Machado de Assis para Patrono da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras.

Biografia de José de Alencar

Nascido em Messejana, antes distrito e agora bairro da cidade de Fortaleza, no Ceará, em 1 de maio de 1829, José de Alencar foi um dos principais romancistas do Brasil.

José de Alencar
José de Alencar foi o primeiro escritor a tratar do tema indigenista no Brasil. (Foto: Wikipédia)

Filho de José Martiniano de Alencar e Ana Josefina de Alencar, sua prima. Seu pai era padre, mas largou o sacerdócio ainda cedo. Tinha como avós paternos o comerciante português José Gonçalves dos Santos e Bárbara de Alencar, considerada heroína da revolução de 1817, quando ela e o filho ficaram anos presos na Bahia por aderirem ao movimento revolucionário despontado em Pernambuco.

Na infância, lia romances para a mãe e para as tias, que não sabiam ler. O interesse pela leitura surge daí. Assim como surge também o interesse pela vida sertaneja e pela natureza do Brasil, por conta de viagens feitas com o pai pelo interior dos estados nordestinos.

Com apenas 11 anos se muda para o Rio de Janeiro com a família, pois o seu pai seguiria a carreira de senador. Lá, estudou no Colégio de Instrução Elementar. Do Rio ele se muda para São Paulo, onde fica entre os anos de 1844 e 1847, terminando os cursos preparatórios e fazendo a faculdade de Direito. Nesse período, ele passa ainda um ano em Olinda, Pernambuco, fazendo o 3º ano da faculdade.

Já formado e advogando no Rio de Janeiro, José de Alencar começa, por indicação de um colega, a colaborar com textos para o Correio Mercantil, jornal fluminense. Foi na seção “Ao Correr da Pena” que escrevia sobre os acontecimentos sociais, estreias de peças e lançamentos de livros, além de comentar sobre as questões políticas do país.

Em 1855 ele assume como redator-chefe no Diário do Rio, onde publica o seu primeiro romance, em formato de folhetim, o Cinco Minutos. Em 1857 ele começa com as publicações, também em formato de folhetim, de O Guarani. O romance obteve grande sucesso entre os leitores, sendo editado em livro logo mais.

Alencar ficou muito conhecido também por conta das Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, que ele publicava sob o pseudônimo de “Ig”. Nas cartas ele criticava de forma intensa o poema de Domingos Gonçalves de Magalhães. O problema é que Domingos era o escritor preferido do Imperador D. Pedro II, que não gostou muito dos seus textos.

Dedicando-se aos romances indianistas e históricos, José de Alencar foi pioneiro na escrita de temas nacionais, ficando conhecido como o “patriarca da literatura brasileira”.

Conheça um pouco mais da história do escritor no vídeo a seguir:

Suas obras

Veja na lista os romances e demais textos escritos por José de Alencar:

No Romance:

  • Cinco Minutos, 1856
  • A viuvinha, 1857
  • O guarani, 1857
  • Lucíola, 1862
  • Diva, 1864
  • Iracema, 1865
  • As minas de prata – 1º vol., 1865
  • As minas de prata – 2.º vol., 1866
  • O gaúcho, 1870
  • A pata da gazela, 1870
  • O tronco do ipê, 1871
  • Guerra dos mascates – 1º vol., 1871
  • Til, 1871
  • Sonhos d’ouro, 1872
  • Alfarrábios, 1873
  • Guerra dos mascates – 2º vol., 1873
  • Ubirajara, 1874
  • O sertanejo, 1875
  • Senhora, 1875
  • Encarnação, 1893

No Teatro:

  • Verso e reverso, 1857
  • O Crédito, 1857
  • O Demônio Familiar, 1857
  • As asas de um anjo, 1858
  • Mãe, 1860
  • A expiação, 1867
  • O jesuíta, 1875

Na Crônica:

  • Ao correr da pena, 1874;
  • Ao correr da pena (folhetins inéditos), 2017 (organizado por Wilton José Marques).

Autobiografia:

  • Como e por que sou romancista, 1893.

Na crítica:

  • Cartas sobre a confederação dos tamoios, 1865;
  • Ao imperador: cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo, 1865;
  • Ao povo: cartas políticas de Erasmo, 1866;
  • O sistema representativo, 1866.

Vida política

No ano de 1858, José de Alencar se tornou Chefe da Secretaria do Ministério da Justiça.

Com a morte de seu pai, que foi senador do estado do Ceará durante anos, Alencar se candidata em 1860 a deputado também pelo seu estado natal, Ceará, através do Partido Conservador, ao qual era filiado. O escritor foi eleito em quatro pleitos.

Como político, defendia uma abolição gradativa da escravatura, sendo muito criticado por isso. Foi também Ministro da Justiça do Império, apesar das divergências com Dom Pedro II. EM 1870 foi eleito senador, mas não ocupou o cargo. Permaneceu na câmara dos deputados até 1877. A partir daí, voltou a se dedicar exclusivamente à literatura.

Sua morte

Em 1877 José de Alencar viajou para a Europa em busca de tratamento médico para uma tuberculose que o perseguia ao longo da vida. O tratamento não teve sucesso, e ele voltou ao Rio de Janeiro, onde faleceu ainda no mesmo ano, no dia 12 de dezembro.

O escritor foi enterrado no Cemitério de São Francisco de Xavier, mas seu corpo foi exumado posteriormente para o Cemitério São João Batista, ambos no Rio de Janeiro.

Alencar deixou a mulher, Georgiana, e o filho Mário de Alencar, também escritor.

Curiosidades

  • Em Fortaleza existe o Theatro José de Alencar, que virou referência turística e arquitetônica do país. O nome foi dado em homenagem ao escritor e filho da cidade. O teatro foi inaugurado em junho de 1910;
  • Também em Fortaleza, o escritor é homenageado com a Praça José de Alencar e a Estação José de Alencar, da linha sul do metrô;
  • No largo do Catete, que foi rebatizado como Praça José de Alencar, no Rio de Janeiro, foi erguida uma estátua do escritor em 1897;
  • Também no Ceará, no município de Iguatu, foi criado um distrito com o seu nome.

Citações

O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis.

O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte.

O amor, porém, é contagioso, com especialidade na solidão, onde a alma tem necessidade de uma companheira, e quando de todo não a encontra, divide-se ela própria para ser duas: uma, esperança; outra, saudade.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Pina, Cíntia. José de Alencar; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/jose-de-alencar >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:08.

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