José Saramago

Escritor, dramaturgo, poeta, contista e jornalista português

José Saramago (1922-2010) nasceu em uma vila da freguesia portuguesa chamada de Azinhaga. Advindo de uma família de agricultores, filho de José de Sousa (1896-1964) – que após o trabalho de cultivo da terra e manuseio com animais do campo, tornou-se um policial – e Maria da Piedade (1898-1982).

Durante muitos anos, Saramago residiu em Lisboa, para onde sua família se mudou em 1924. Foi em 22 de dezembro deste mesmo ano, antes de completar seu segundo ano de vida, que seu irmão Francisco de Sousa (1920-1924) veio a óbito.

O apelido Saramago é oriundo da alcunha de sua família. Saramago é uma planta herbácea com flor que cresce na região da Golegã (uma vila portuguesa). Logo cedo, ele demonstrou uma certa curiosidade pelo conhecimento e pela cultura, e essa curiosidade pelos estudou o acompanhou até sua morte e o mundo pôde perceber isso.

Saramago não entrou para a academia por não ter como custear os custos de estudar em uma universidade. Foi aos 19 anos que ele conseguiu comprar um livro pela primeira vez e o valor para isso ele obteve através de um empréstimo de um amigo.

José Saramago: o homem do Nobel português de Literatura

José Saramago nasceu em 1922, no dia 16 de novembro, em Portugal. Como sua família enfrentava muitas dificuldades financeiras, ele teve que parar seus estudos secundários e só conseguiu manter-se no curso industrial que fazia. Foi nesse momento que exerceu uma gama de atividades profissionais. Ele foi desenhista, serralheiro mecânico, editor, funcionário público, jornalista e atuou em outras áreas laborais.

Foto de José Saramago idoso.
No registro, o escritor e dramaturgo, José Saramago. (Foto: Wikipédia)

Apaixonado pelos livros, visitava à noite, corriqueiramente, a Biblioteca Municipal Central/Palácio Galveias.

A forma pela qual era chamado – Saramago – surgiu logo quando começou a frequentar a escola. De maneira peculiar e também espontânea, um funcionário do cartório resolveu adicionar em seu nome o apelido que era o modo que sua família era chamada.

Saramago, como dito anteriormente, é o nome de uma planta que cresce na região onde o escritor nasceu.

O titulado "Terra do Pecado" foi o seu primeiro livro e o mesmo foi publicado em 1947. A carreira literária de José de Sousa Saramago divide-se em duas fases: na primeira ele publicou suas crônicas, contos, poesias e composições teatrais de 1966 até 1978 e foi nesse momento que ele começou a viver unicamente da literatura. De início como tradutor e posteriormente como autor.

Já a segunda fase, iniciada em 1980, foi o momento em que ele produziu o mais excepcional de sua obra. Foi uma série de romances que lhe deu o renome que passou a usufruir. Logo após esses feitos ele passou a ser o primeiro autor de língua portuguesa a ganhar o mais aclamado dos prêmios.

Em 8 de outubro de 1998 José Saramago recebeu o Nobel de Literatura.

Com uma lista de obras literárias vasta, José Saramago continua conquistando leitores de todas as idades mundialmente.

As histórias do autor contemplam os cinéfilos e sete livros foram adaptados para as telas de cinema, como “Ensaio sobre a cegueira” e “O homem duplicado“.

Ele era múltiplo em suas atividades, inquieto foi funcionário público dos setores de saúde e segurança social, foi também desenhista, jornalista, editor e tradutor. Passou pela direção literária e produção de revista também de cunho literário que se chamava Seara Nova.

Nos anos de 1972 a 1973 ele estava como comentarista político no jornal “Diário de Lisboa“. Neste mesmo local atuou como coordenador de suplemento de cultura.

Legado na escrita

José Saramago é lembrado por seu estilo oral de escrita. Ficou conhecido por ser coeso dos contos de tradição oral populares, no qual a intensidade da comunicação se torna mais respeitável que a própria correção da ortografia da norma culta da linguagem escrita.

Foto da assinatura de José Saramago.
Assinatura de José Saramago. (Foto: Wikipédia)

Peculiaridades da linguagem oral, que é utilizada na oratória, dialética e na própria retórica, eram aplicadas em seu estilo interventivo e persuasivo de conduzir os seus escritos e na composição que aplicava nos mesmos.

Diante disso ele fazia uso de frases e períodos mais extensos no qual a pontuação era aplicada de uma maneira não convencional. O diálogo dos personagens fixavam-se nos parágrafos que antecediam seu pronunciamento e com isso, em seus livros, os travessões eram sempre ausentes.

Entender e compreender a escrita de José Saramago pode não ser algo tão simples diante de seu estilo visto, ainda em tempos atuais, como algo inovador. Esse dramaturgo tinha uma linguagem meio que “inventada”, ele mesclava e ajustava o discurso literário com o oral e assim surgia uma narrativa bem particular com uma relação de cumplicidade entre o narrador e aquele chamado narratário (aquele para quem se conta um fato).

Esse tipo de marcação das falas remete a um sentimento de fluxo de consciência no qual o leitor pode embaraçar-se no pensar de um diálogo e se questionar se ele foi real ou um pensamento.

Grande parte das frases chegam a tomar toda uma página. Ele insere vírgulas onde a maioria dos escritores colocaria um ponto final. Igualmente são seus parágrafos que ocupam capítulos inteiros, bem peculiar se comparado a outros autores.

E são esses predicados que faz do estilo de Saramago único na literatura atual, sendo considerado pela maioria dos críticos dessa área um mentor da língua portuguesa.

Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores. (…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…) — Saramago, A Jangada de Pedra, 1986

Morte de José Saramago

José Saramago dizia aos 84 anos que a morte não lhe assustava, no entanto o pensamento de impermanência o causava desconforto. Seu objetivo era dar seguimento ao seu trabalho, passar mais anos ao lado de sua esposa e frutificar a sua alegria.

Ele parafraseava o que sua avó costumava dizer; que não tinha aflição de morrer, mas de não estar no futuro, neste mundo que ela achava belo e sobre esse pensamento era expressava:

…o mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer!

José Saramago tornou-se imortal diante de seu legado e conquistas. O seu pensamento sensato, suas obras e seu modo pacato de ver a vida marcaram sua estadia na terra.

Faleceu em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, em sua casa em Lanzarote. Ele deixou uma
filha e dois netos advindos do seu primeiro casamento.

O seu funeral teve honras de Estado e seu corpo foi cremado no cemitério do Alto de São João, em Lisboa. Alguns meses depois, suas cinzas foram depositadas aos pés de uma oliveira, na capital de Portugal.

Um ano após, inaugurou-se em Portugal a Fundação Saramago, acoplado a uma oliveira centenária trazida da Azinhaga, com um banquinho de jardim e uma placa com uma frase retirada de uma das obras do escritor, a “Memorial do Convento“:

Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia.

 

Citações

Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.

Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras.

Quem acredita levianamente tem um coração leviano.

Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Bispo, Manuela. José Saramago; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/jose-saramago >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 18:33.

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