José Sarney

Primeiro presidente civil após o regime militar, promulgou a constituição mais democrática do país

José Sarney é um advogado, escritor e político brasileiro. Foi o 31º Presidente do Brasil República, governando entre 1985 e 1990. Participou do processo de redemocratização do país após o longo período do Regime Militar.

Biografia

José Sarney de Araújo Costa, registrado como José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, nasceu no dia 24 de abril de 1930 na cidade de Pinheiro, estado do Maranhão. Em 1942, aos 12 anos, foi aprovado para ingressar na instituição Liceu Maranhense, em São Luís.

Presidente José Sarney
Presidente José Sarney (Foto: Wikipédia)

Aos 14 anos iniciou sua militância política estudantil como presidente do Centro Liceísta. Em 1945, participou de manifestações pela queda da ditadura imposta por Getúlio Vargas, quando chegou a ser detido.

Ainda na adolescência, José Sarney atuou como editor do jornal “O Liceu”, atividade que principiou sua carreira como escritor. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Maranhão em 1953.

No mesmo ano fez parte da Academia Maranhense de Letras e participou do movimento de poetas maranhenses que lançaram o pós-modernismo no estado. O movimento literário foi espalhado através da revista “A Ilha”, na qual Sarney foi um dos fundadores.

Carreira política

José Sarney é o político brasileiro com mais longa carreira nacional, atuando por 59 anos. Iniciou na carreira política em 1954, quando disputou sua primeira eleição. Porém, sem popularidade, só conseguiu o cargo de suplente de deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD).

Migrou para a União Democrática Nacional (UDN) em 1958, partido ao qual foi presidente e elegeu-se deputado federal. José Sarney fez oposição ao governo até 1964, quando ocorreu o Golpe de 64, que depôs o presidente João Goulart, e instalou a Ditadura Militar no Brasil.

Após a extinção dos partidos políticos e a imposição do bipartidarismo pelo AI-2, Sarney aliou-se a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar onde ficou por quase vinte anos.

José Sarney foi eleito governador do Maranhão (1966-1970), deixando o cargo para se candidatar a senador pelo Arena/MA, permanecendo até 1985. Posteriormente tornou-se presidente do Arena, até o fim do bipartidarismo.

Com a instalação do pluripartidarismo, participou da fundação e tornou-se presidente do Partido Democrático Social (PDS). Sarney também foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1980.

Em 1984, juntamente com outros dissidentes do PDS, criou a Frente Liberal em coligação ao PMDB, lançando-se como vice-presidente da República na chapa de Tancredo Neves.

A chapa Neves e Sarney foi eleita pelo colégio eleitoral no dia 15 de janeiro de 1985 por 480 votos contra 180 dados a chapa de Paulo Maluf e Flávio Marcílio.

Período presidencial de José Sarney

Na semana da posse como presidente da República, Tancredo Neves, que havia sido diagnosticado como apendicite, passou por um agravamento clínico que exigiu uma cirurgia de urgência.

Decorrente desse acontecimento, formaram-se duas correntes políticas. Um grupo desejava que Ulysses Guimarães assumisse a presidência, enquanto outros defendiam o seguimento da Constituição que dava a posse ao vice eleito.

José Sarney assumiu interinamente a presidência no em 15 de março de 1985. Com a morte de Tancredo, em 21 de abril, foi efetivado no cargo de presidente do Brasil com dois grandes desafios: reconstruir a democracia e lidar com a crise inflacionária.

Plano Cruzado

Assim, uma das primeiras medidas do governo Sarney foi o lançamento do Plano Cruzado (1986), em referência ao Cruzeiro, à nova moeda implantada.

Comandado pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, e considerado heterodoxo, o plano tinha como medidas para estabilização econômica o congelamento de preços e o "gatilho salarial".

O “gatilho salarial” significava um reajuste automático de salários sempre que a inflação atingisse ou ultrapassasse os 20%. Inicialmente, a valorização da moeda atingiu bons resultados mantendo a inflação inferior a 2%.

Plano Verão

Após insucesso do Plano Cruzado quando a inflação atingiu um patamar de 365,7% anual, o novo ministro da Economia, Luís Carlos Bresser, promoveu outro plano de estabilização.

Ainda assim, não ocorreu a contenção da inflação, cujo índice girou em torno de 1.000% no ano de 1988. Em janeiro de 1989, foi anunciado pelo governo um terceiro programa econômico, batizado de Plano Verão, porém o ano encerrou-se com a taxa anual de inflação de 1.764,86%.

O Brasil viveu os efeitos da crise que atingiu a América Latina resultado do aumento da taxa de juros americana e da recessão mundial que atingiu as exportações brasileiras. Consequentemente, houve diminuição dos investimentos públicos, cortes orçamentários e retração da iniciativa privada.

Redemocratização

O governo Sarney destacou-se pela condução do processo de redemocratização do país. Paralelamente aos planos econômicos, o presidente Jose Sarney reunia-se para encabeçar uma nova Constituição.

Em fevereiro de 1987, instalava-se a Assembleia Nacional Constituinte, sob a liderança do deputado Ulysses Guimarães, que redigiu a nova Constituição brasileira promulgada em 5 de outubro de 1988.

“Durante o meu mandato a história se contorceu, mas a democracia não murchou na minha mão.”

Tendo sido a constituição mais democrática da história brasileira, ficou estabelecido:

  • Eleições diretas em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos;
  • Adotou o presidencialismo como forma de governo;
  • Afirmou a independência dos três poderes;
  • Restringiu a atuação das forças armadas;
  • Estendeu o voto aos analfabetos e maiores de 16 anos;
  • Universalizou o direito de greve.

Além disso, a administração Sarney garantiu diversos outros benefícios civis, sociais e trabalhistas, contudo deu pouca atenção as questões da reforma agrária. A criação do Ministério da Cultura, em 15 de março de 1985, também ganhou destaque.

Na política externa, o no governo de José Sarney restabeleceu relações diplomáticas com Cuba e assinou o protocolo do Mercosul, em conjunto com a Argentina e o Uruguai.

Pós-presidência

Após o término de seu mandato presidencial, em 1990, José Sarney transferiu seu domicílio eleitoral para o estado do Amapá. Elegendo-se senador e presidente do Senado pelo Amapá.

José Sarney foi o responsável por apresentar o primeiro projeto de lei instituindo cotas raciais. Em 2002, apoiou a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva a presidente da República.

Em 2014 José Sarney comunicou sua aposentadoria da política sob a justificativa de que “a política está muito desestimulante”.

Carreira literária

Em paralelo a vida política, José Sarney desenvolveu uma extensa carreira literária. O ex-presidente é autor de diversos contos, crônicas, ensaios e romances. Além disso, permanece como membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Entre as obras escritas pelo político, estão:

  • Marimbondos de fogo (poesia), 1978;
  • O dono do mar (romance), 1995;
  • Amapá, a Terra onde o Brasil começa (história), 1998;
  • Saudades mortas (poesia), 2002;
  • 20 anos do Plano Cruzado (discursos), 2006;
  • Semana sim, outra também (crônica), 2006;
  • Maranhão – sonhos e realidades (romance), 2010.

Curiosidades

  • José Ribamar adotou o nome de “Sarney” oficialmente em 1965, em homenagem ao pai, Sarney de Araújo Costa, mas já utilizava o nome desde 1958 para fins eleitorais.
  • Em setembro de 1988, José Sarney foi vítima de um atentado quando o maranhense Raimundo Nonato Alves da Conceição, então com 28 anos, sequestrou o voo VASP 375 planejando atingir o Palácio do Planalto com o objetivo de punir o então presidente pela perda de seu emprego e pela situação econômica do país. A operação policial foi bem sucedida, impedindo tal tragédia.

Citações

Herdei para administrar a maior crise política da história brasileira, a maior dívida externa do mundo, a maior dívida interna, a maior inflação que já tivemos, a maior dívida social e a maior dívida moral.

Escrever é uma compulsão.

Posso conciliar a literatura com a política, porque hoje a política tem muito de ficção.

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BRITO, Samara. José Sarney; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/jose-sarney >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:23.

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