Lasar Segall

Pintor, desenhista, gravador e escultor. Tornou-se símbolo do Expressionismo e do Modernismo

Lasar Segall nasceu em 21 de julho de 1889 em Vilna, capital da atual República da Lituânia. Demonstrou interesse pela arte ainda criança, iniciando o aprendizado em uma escola de desenho local.

Foto do pintor Lasar Segall
Lasar Segall (1889-1957) (Foto: Wikipédia)

De origem judaica, migrou para Berlim, aos 15 anos, para prosseguir com os estudos. Ingressou na Escola de Artes Aplicadas, em seguida, frequentou a rigorosa Academia Imperial de Belas Artes.

Não contente com os métodos tradicionais da Academia Imperial, Lasar Segall mudou-se para Dresden e transferiu os estudos para a Academia de Belas Artes, aproveitando a liberdade de criação concedida pela instituição.

Em 1912, embarcou em uma longa viagem que iniciou pela Holanda, com destino ao Brasil, onde já vivia três dos seus sete irmãos. No ano seguinte, realizou duas exposições em São Paulo e Campinas sem muita repercussão entre o público e crítica.

Acolhido pelo senador José de Freitas Valle, grande mecenas da época, começou a ministrar aulas para a jovem Jenny Klabin. Em fins de 1913, retornou a Europa.

Com o início da Primeira Guerra Mundial, Lasar Segall ficou retido por algum tempo na cidade Meissen, em uma espécie de prisão domiciliar por ser cidadão judeu. Graças a ajuda dos amigos influentes, Lasar Segall pôde voltar a Dresden.

Sua cidade natal fora ocupada pelas tropas russas e o pintor temia pela segurança da sua família. Em 1916, conseguiu autorização para visitar sua cidade natal e encontrou Vilna destruída pela guerra.

Nessa época, Lasar Segall descreveu através de cartas a morte de conhecidos nos campos de batalha, a constante repressão e até a falta de materiais de trabalho.

A paisagem tomada pelos destroços lhe causou um forte abalo. O artista produziu uma série de desenhos e pinturas como forma de exteriorizar a violência contra os judeus, deixando que as formas de suas obras fossem tomadas pela emoção.

De volta na cidade de Dresden, conheceu a atriz Margarete Quack, com quem se casou após a Primeira Guerra Mundial.

Neste mesmo ano Lasar Segall expôs algumas dessas obras na cidade, recebendo elogios da crítica. Esses trabalhos marcaram uma transição em seu modo de expressão.

Unido a uma turma de artistas insatisfeitos com as formas existentes, formaram o Neue Kreis (Novo Círculo), um grupo destinado ao desenvolvimento de novas possibilidades de expressão. Apesar das exposições e conferências realizadas, o oficio não durou muito.

Em 1918, com a instauração da República de Weimar, Lasar Segall alinhou-se ao Expressionismo, que até então era um movimento repudiado e marginalizado.

No ano seguinte, fundou com outros artistas o Dresdner Sezession Gruppe 1919 (Grupo Secessão de Dresden 1919), com objetivo de promover a arte expressionista vinculado a Galeria Emil Richter.

Lasar Segall foi o participante mais fiel e ativo do grupo, mesmo após a saída de vários membros. A partir daí começou a ganhar reconhecimento e suas obras passam a se destacar em museus públicos e colecionadores começam a ter interesse em adquirir seus trabalhos.

Em 1919, o Museu Municipal de Dresden inaugurou a seção de arte moderna ao adquirir a tela “Die ewigen Wanderer” (Eternos caminhantes), de Segall.

Obra de Lasar Segall “Eternos caminhantes”
Obra “Eternos caminhantes” (1919) (Foto: Site Museu Lasar Segall)

Após a crise econômica que atingiu a Alemanha em 1923, Lasar Segall migrou mais uma vez, com destino ao Brasil.

Em São Paulo, é bem recebido pelos artistas do modernismo no Brasil, como Mário de Andrade, que consideram sua chegada como uma conquista para a vanguardas brasileiras.

Lasar Segall passou a ser essencial para o movimento modernista, atuando como um contraponto da escola alemã e das influências francesas, onde viveu entre 1928 e 1932 e iniciou a exploração no campo da escultura.

Nessa fase, suas obras começaram a ganhar temas brasileiros, adquirindo contornos menos angulosos, cores mais vivas, mas sem perder a característica expressionista.

Obra Paisagem brasileira de Lasar Segall

Obra “Paisagem brasileira”, de Lasar Segall (1925) (Foto: Site Museu Lasar Segall)

Em um dos ensaios publicados na imprensa por Mario de Andrade, ele refere-se a este período como a “fase da contemplação”. Os personagens de Lasar Segall agora são mulatas, negros, marinheiros e prostitutas.

Lasar também passou a se dedicar ao desenho de móveis modernos. No ano de 1924, realizou a conferência Sobre Arte, na Villa Kyrial, residência do senador José de Freitas Valle.

Logo após, Lasar Segall foi o responsável por decorar o Pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado, espaço dedicado a reunião das obras modernistas dos mecenas.

A primeira esposa do artista não se adaptou a vida paulistana e retornou a Europa. Logo depois, Lasar Segall casou-se com Jenny Klabin, com quem teve dois filhos e viveu até o fim de sua vida.

Segall participou ativamente da vida cultural paulista, fundou e promoveu importantes eventos junto a extinta Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM), que se dedicava a divulgação das propostas de vanguarda em São Paulo.

Em 1943, o governo federal do Brasil promoveu uma homenagem a Lasar Segall com uma com uma grande exposição retrospectiva no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Em 1945, participou da exposição Arte Condenada pelo Terceiro Reich, como forma de apoio aos artistas perseguidos pelo regime nazista, na Galeria Askanazy.

Em 1957, Lasar Segall realizou no Museu de Arte Moderna, em Paris, a grandiosa "Exposição Segall". Com 61 quadros, 22 esculturas de bronze, 200 desenhos, aquarelas e gravuras, a mostra tornou-se um marco em sua carreira.

Lasar Segall faleceu no dia 2 de agosto de 1957, em São Paulo, vítima de problemas cardíacos.

Principais obras de Lasar Segall

No decorrer dos seus mais de 50 anos de atividade artística, Lasar Segall produziu uma sólida carreira e um acervo reconhecido mundialmente.

Ao longo da sua vida, dedicou atenção especial a experiência judaica, retratando em suas obras tanto os pontos negativos, como os ataques violentos, perseguições, discriminação, a guerra e o campo de concentração, quanto a rica religiosidade e tradições do seu povo.

Parte de suas obras também foram realizadas a partir de temas marginalizados e grupos socialmente excluídos na época, como emigrantes, indígenas e prostitutas.

  • “Aldeia Russa” (1918)
  • “Família Enferma” (1920)
  • “Família” (1922)
  • “Encontro” (1924)
  • “Paisagem Brasileira” (1925)
  • “Morro vermelho” (1926)
  • “Retrato de Mário de Andrade” (1927)
  • “O bebedouro” (1927)
  • “Dois nus” (1930)
  • “Três jovens” (1939)
  • “Guerra” (1942)
Obra Navio de emigrantes de Lasar Segall
“Navio de emigrantes” (1939-41) (Foto: Site Museu Lasar Segall)

Nazismo

Desde 1933, com a evolução do movimento nazistas na Alemanha, as obras de arte moderna pertencentes a coleções públicas do país vinham sendo alvo de discriminação, sendo retiradas dos espaços de visitação ou colocadas nas Schreckenkammern, conhecida Câmaras dos Horrores.

Quatro anos depois, o governo nazista decidiu lançar uma campanha contra o que chamava de Entartete Kunst (Arte Degenerada), assim aproximadamente 16 mil obras de arte foram confiscadas dos museus do país. Entre essas obras, haviam cerca de 50 pertenciam a Lasar Segall.

Museu Lasar Segall

Após a morte de Lasar Segall, sua viúva Jenny Klabin Segall iniciou a documentação das obras do esposo e dedicou-se a conservação do acervo com a intenção de fundar um museu futuramente.

Com a ajuda dos filhos Maurício Segall e Oscar Klabin Segall, coordenou algumas exposições póstumas de Segall pela Europa, mantendo o nome do artista no setor internacional.

No dia 2 de agosto de 1967, exatamente dez anos após a morte do marido, Jenny faleceu em consequência de um enfarte.

Dias depois, em 21 de setembro de 1967, foi inaugurado oficialmente o Museu Lasar Segall, localizado na antiga residência do casal na Rua Afonso Celso, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

Acervo

Fotografias: o arquivo fotográfico Lasar Segall possui por cerca de mil itens entre positivos e negativos, em acetato ou vidro. As imagens registram Segall, sua família, seus ateliês e residências, amigos e companheiros de trabalho, produções artísticas, fatos da carreira profissional, cenas de viagem e paisagens do cotidiano.

Lasar Segall e Jenny
Lasar Segall e Jenny Klabin (Foto: Site Museu Lasar Segall)

Documentos:  é composto por cerca de 8 mil documentos entre correspondências enviadas e recebidas, textos do artista em vários idiomas, documentos de negócio, documentos sonoros, anotações teóricas e técnicas, recortes de jornal e cadernos.

Mobiliário: Lasar Segall desenhou uma série de móveis para sua residência caracterizados pela simplicidade e funcionalidade.

 

Móvel desenhado por Lasar Segall
Mobílias desenhada pelo artista Lasar Segall (Foto: Site Museu Lasar Segall)

 

Livros: parte da biblioteca pessoal do artista pode ser consultada mediante agendamento. Lá constam importantes edições de arte da primeira metade do século XX, uma significativa coleção de primeiras edições modernistas brasileiras e edições raras européias.

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BRITO, Samara. Lasar Segall; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/lasar-segall >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:44.

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