Linguagem coloquial

Comunicação popular e informal

A linguagem coloquial é a forma de falar usada no dia a dia de maneira informal. Também é chamada de linguagem popular.

Esse tipo de linguagem é utilizada em situações que pedem menos formalidade, como em uma conversa entre amigos e familiares. Também é o jeito que muitas pessoas usam para se comunicar nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Um diálogo entre amigas é caracterizado por uma linguagem coloquial
Linguagem coloquial é a comunicação informal. (Foto: Shutterstock).

A linguagem coloquial torna o diálogo mais espontâneo. No entanto, deve ser evitada em situações formais como entrevistas de emprego e na comunicação escrita, a exemplo das redações.

Em síntese, a linguagem coloquial está representada em falas como “te amo” e “me espere”, por exemplo, enquanto que na norma culta padrão esses termos são substituídos por “amo-te” e “espere-me”.

Um exemplo do que foi esclarecido até agora é o poema “Vício na fala”, de Oswald de Andrade.

Vício na fala Oswald de Andrade
“Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados”.

Tipos de linguagem

Desde o início das interações humanas, diversas formas de comunicação foram adotadas para compartilhar informações e expressar a identidade de um povo.

Por isso, acredita-se que a linguagem humana evoluiu a partir de um sistema pré-linguístico que existiu entre os povos ancestrais.

Desde então, a linguagem configura-se como um traço humano único, uma faculdade inata, geneticamente codificada. Também é vista como um sistema cultural, aprendido por meio da interação social.

Gramaticalmente, o termo “linguagem” é empregado para descrever o conjunto de regras que torna possível a comunicação, também sendo o conjunto de enunciados que pode produzir essas regras.

Assim, pode ser classificado como sistemas de sinais usados para a comunicação. Nesse contexto, existem dois tipos de linguagem: verbal e não-verbal.

  • Verbal: é a comunicação expressada por meio de palavras. A linguagem verbal, na qual está inserida a coloquialidade, divide-se em escrita e oral.

Na oratória, o interlocutor está diante do ouvinte. Já a escrita é utilizada quando o interlocutor está ausente.

  • Não Verbal: é a comunicação feita por meios que não são palavras, assim como as placas de trânsito, linguagem corporal, gestos, etc.

Com o advento de novas tecnologias, surgiram novos gêneros textuais e, como consequência, novas formas de comunicação. Assim, e-mail, blog e chat, por exemplo, apresentam linguagens escrita e oral, quando carregam no texto traços da oralidade. Essas novas linguagens caracterizam o tempo de informação rápida.

Linguagem coloquial ou culta: qual usar?

Certamente, uma mensagem enviada pelo aplicativo WhatsApp deve ter linguagem diferente do e-mail enviado ao diretor da empresa, por exemplo. São duas situações distintas, com graus de formalidades diferentes que, portanto, pedem atenção ao tipo de linguagem adotado.

Assim, tendo em vista que as linguagens coloquial e a culta são duas formas de comunicação aceitas na Língua Portuguesa, deve-se saber que ambas apresentam aplicabilidades que se adequam para situações diferentes.

A linguagem culta aplica-se às situações formais do cotidiano, enquanto que a linguagem coloquial estende-se aos ambientes informais.

Dentre os tipos de linguagens usados no dia a dia, o coloquial é o mais utilizado, visto que dispensa domínio de regras da gramática.

Contudo, um dos maiores problemas vistos em relação ao uso equivocado da linguagem coloquial é a sua utilização imprópria em redações de vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O português no Enem, no que abrange a sua redação, deve apresentar linguagem culta (exceto caso apresente pedido do uso coloquial). Neste âmbito, é exigida uma postura do prestador do exame em que se pretende avaliar o seu nível de conhecimento da norma padrão do idioma.

Características da linguagem coloquial

A linguagem coloquial apresenta características como:

  • Mensagem mais importante do que a forma;
  • Desobrigação de cumprimento de normas e regras gramaticais;
  • Comunicação imediata com o interlocutor;
  • Traços de oralidade;
  • Descontração e espontaneidade;
  • Presença de ditados populares, gíria, neologismos, estrangeirismos e abreviações.

Linguagem informal e preconceito linguístico

A linguagem informal, ou popular, é constituída por grupos de expressões que participam de um processo de formação que caracteriza a forma de comunicar de uma comunidade. Esse processo engloba as variações linguísticas e as gírias.

As variações linguísticas são expressões faladas, comuns a um povo, que correspondem ao modo como um falante da língua se comunica com as pessoas ao seu redor. São influenciadas por contextos regional, histórico e social, dos quais tem-se:

  • Variações regionais: ocorrem conforme o local onde vivem os falantes. Assim, diferentes regiões têm diferentes culturas, hábitos, modos e tradições, estabelecendo diferentes estruturas linguísticas. Exemplos: sotaques, dialetos e reduções de palavras ou perdas de fonemas.
  • Variações históricas: constituem as transformações ocorridas ao longo de diferentes épocas vividas. Exemplos: expressões que caíram em desuso; vocabulário típico de uma determinada faixa etária e grafemas que caíram em desuso.
  • Variações sociais: ocorrem conforme os diferentes conhecimentos, modos de atuação dos meios de comunicação, de acordo com hábitos e cultura de diferentes grupos sociais. Exemplos: jargões exclusivos de determinadas profissões e gírias de um grupo com interesse comum.
  • Variações situacionais: ocorrem de acordo com o contexto ou com a situação em que acontece o processo da comunicação, tendo momentos de utilização do registro formal e, em outros, do registro informal.

Outra maneira coloquial de expressão é por meio das gírias, que caracterizam-se por serem uma forma de construção de dialeto de cada grupo, no qual o processo de formação é constituído por acréscimo de sons ou sílabas, com sentido de metáfora, para dar expressividade e sentido à fala de determinado grupo social.

Diante das variações situacionais (linguagem coloquial e culta), existe o preconceito linguístico. Trata-se da discriminação entre os falantes de um mesmo idioma acerca do modo de falar de outras pessoas.

Assim, o preconceito linguístico é retratado por atitudes depreciativas contra sotaques, gírias, regionalismos e dialetos, por exemplo.

Curiosidades

  • Registra-se que, atualmente, a espécie humana tenha entre 3.000 e 6.000 línguas e acredita-se que o número era muito maior no passado.
  • Existem tipos de linguagem que baseiam-se na observação visual e auditiva, como as línguas de sinais e a escrita.
  • Os códigos e outros sistemas de comunicação construídos artificialmente, como aqueles usados ​​para programação de computadores, também podem ser chamados de linguagens.  

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Chérolet, Brenda. Linguagem coloquial; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/linguagem-coloquial >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 23:45.

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