Lucíola

Romance do projeto “Perfis de Mulher”

Lucíola” é o quinto romance do escritor José de Alencar, um dos autores mais famosos do romantismo brasileiro. Publicado pela primeira vez em 1862, faz parte de uma trilogia do projeto “Perfis de Mulher”, juntamente com as obras “Diva”, de 1864, e “Senhora”, de 1875.

Vale ressaltar que o projeto tinha como intuito estudar o universo daquelas mulheres que sofriam com os antagonismos e contradições psicológicas do século XIX.

“Lucíola” é um romance epistolar, ou seja, se desenvolve pelas cartas de Paulo a uma senhora chamada G.M. (pseudônimo de Alencar), que decide publicá- lo e nomeá-lo dessa forma. O título refere-se a um lampiro (vagalume) noturno que brilha vivamente no seio da treva e à beira dos charcos.

Além disso, o romance é profundamente influenciado pela obra “Dama das Camélias” (La Dame aux Camélias), escrita em 1848 por Alexandre Dumas filho.

Capa do romance “Lucíola”
Capa do romance “Lucíola”, de José de Alencar. (Foto: Site Saraiva)

Personagens de “Lucíola”

  • Lúcia (Maria da Glória): protagonista da história. É uma mulher bela e excêntrica, a cortesã mais rica e luxuosa da corte. Adotou o nome Lúcia quando decidiu se tornar cortesã. Jovem extremamente bonita, com cabelos anelados negros que chamava atenção de todos os homens.
  • Paulo da Silva: modesto jovem de 25 anos que se muda para o Rio de Janeiro tentando se estabelecer profissionalmente. É um ingênuo que se encanta por Lúcia, por quem ela também se apaixona.
  • Ana: irmã caçula de Lúcia, de apenas 12 anos, com quem Lúcia tenta casar Paulo. Fisicamente bem parecida com a irmã, só que com cabelos louros. Fica aos cuidados de Paulo da Silva após a morte de Lúcia. 
  • Sá e Cunha: são amigos de Paulo, sendo Sá o responsável por apresentá-lo a Maria da Glória. Ambos veem Lúcia como uma mera prostituta.
  • Laura e Nina: são meretrizes como Lúcia. Paulo marca um encontro com Nina para causar ciúmes em Lúcia, mas sem sucesso.
  • Couto: um homem devasso, já de idade, que se acha novo e galante. Foi o personagem que aproveitou da inocência e necessidade da protagonista quando ela tinha 14 anos.
  • Rochinha: mais um velho prematuro e libertino. No grupo de amigos boêmios era o mais inexperiente e tinha uma vida envolta do alcoolismo.
  • Jesuína: uma mulher de 50 anos. Foi quem ajudou Maria da Glória quando foi expulsa de casa pelo pai.
  • Jacinto: homem de 45 anos, íntimo de Lúcia. Paulo achava que os dois eram amantes. Contudo, ele era quem cuidava dos negócios da cortesã, vendendo as joias que ganhava e as enviando para a família pobre.

Resumo de “Lucíola”

O enredo se passa no espaço da corte no Rio de Janeiro e conta a história do relacionamento amoroso entre a cortesã Maria da Glória e Paulo da Silva.

Ainda jovem, Maria da Glória enfrenta momentos de dificuldade e precisa de dinheiro para cuidar de familiares doentes, por isso deixa se envolver com Couto.

Na época, mulher não podia sair sozinha e nem se envolver com homens sem a formalidade da família e do casamento.

Após ser seduzida por Couto, Maria da Glória é expulsa de casa pelo pai e inicia sua vida como prostituta, explorando seus ricos amantes. Passa a ser atendida como Lúcia, a cortesã mais bela e luxuosa da corte.

Um dia é vista por Paulo, um jovem pernambucano que logo se encanta por ela, mas não sabia o que fazia para sobreviver.

Durante a Festa da Glória, Paulo é apresentando a Lúcia como apenas uma mulher bela e não uma “dama”, como eram as jovens de família da época. Então, ele percebe que Lúcia era cortesã.

Contudo, ignora essa primeira impressão e acaba descobrindo onde ela mora. Passa assim a visitá-la constantemente.

Com o tempo, os dois acabam fortalecendo a relação. Lúcia começa a contar a dramática história de sua vida. Ela também apaixona-se por ele, abandona a vida de cortesã e vai morar com a irmã mais nova, em Santa Teresa.

É o momento da narrativa em que mostra a mudança radical da protagonista, de jovem corrompida pela sociedade para uma moça pura e que sonha com o amor.

Paulo e Lúcia vivem momentos apaixonantes em Santa Teresa e toda a vida de cortesã de Lúcia fica no passado.  Tudo corre de forma perfeita até que ela engravida.

A gravidez vem como um ponto que desestabiliza a relação do casal. Por causa do passado “sujo”, Lúcia não acha seu corpo digno de carregar uma criança.

Devido a uma doença que ela já tinha desde pequena, ela adoece cada vez mais, mas declara seu amor para Paulo e pede que ele se case com sua irmã, Ana, como uma forma de perpetuar o amor entre os dois. Ele recusa.

Ainda incrédula com a pureza do seu corpo, Lúcia não abortar e acaba morrendo grávida. Paulo cuida de Ana como se fosse uma filha e permanece na tristeza pela morte do seu único amor, Maria da glória.

Análise da obra

“Lucíola” é uma obra narrada na primeira pessoa, o personagem de Paulo da Silva, e se passa em um período do Brasil na qual a burguesia era a classe dominante. 

Nesse momento o uso de máscaras sociais eram constantes. A moralidade e hipocrisia ditavam as regras. 

Pertencente ao Romantismo no Brasil, o romance traz como característica da sua escola literária a famosa heroína romântica marcada por críticas sociais e morais. Mesmo deixando a vida cortesã, Lúcia permanece sendo julgada e descriminada pela sociedade burguesa da época.

A exaltação do amor é um tema central das obras do romantismo, aspecto mostrado quando Paulo vence o preconceito pelo amor à Maria da Glória.

Assim acontece com a senhora G.M., para quem as cartas eram direcionadas, que venceu o preconceito e publicou a história de amor deles.

“Lucíola” evidencia também a dualidade da mulher, ora um anjo, ora um demônio. Lúcia era uma mulher que usava o corpo para ganhar luxos e joias, mas no fundo era uma jovem pura de coração. A verdadeira heroína do romantismo em que o corpo era corrompido, mas pura de alma e coração. 

O livro é um clássico da literatura brasileira do século XIX, mas com traços do realismo, a exemplo da corrupção da sociedade, tensão entre o amor e o dinheiro, o final moralizante, as tramas entre amor e morte.

O romance de José de Alencar presta um tributo a sociedade conservadora punindo Lúcia com a morte, mas também critica colocando no centro da narrativa uma mulher que consegue virar o jogo e se impor diante dos homens.

Sobre o autor

Monumento José de Alencar, no Rio de Janeiro
Monumento José de Alencar, Rio de Janeiro. (Foto: Wikipédia)

José Martiniano de Alencar foi escritor, crítico, romancista, dramaturgo e político brasileiro nascido no Ceará, em 1 de maio de 1829, vindo a falecer aos 48 anos, no Rio de Janeiro, dia 12 de dezembro de 1877.

Pertencente ao movimento literário do romantismo no Brasil, é o patrono da cadeira fundada por Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras.

Entre o período de 16 de julho de 1868 a 10 de janeiro de 1870, foi ministro da Justiça pelo Partido Conservador na época em que o país tinha como monarca Dom Pedro II.

Neto de Bárbara de Alencar, uma heroína da Revolução Pernambucana, em sua carreira política defendeu a Escravidão no Brasil.

“Lucíola” está sob domínio público. Faça o download e boa leitura!

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Lima, Cleane. Lucíola; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/luciola >. Acesso em 24 de agosto de 2019 às 17:15.

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