Luteranismo

Movimento religioso que modificou a forma de pensar a teologia

Luteranismo é o nome dado à doutrina protestante liderada pelo alemão Martinho Lutero, em 1517, na Alemanha. Este movimento defende que a salvação dá-se pela fé e que a palavra de Deus é acessível a todas as pessoas, não sendo necessária a interferência de uma autoridade religiosa para explicá-la.

O luteranismo está presente no mundo todo, inclusive no Brasil. Estima-se que entre 2015 e 2017, o número de luteranos no mundo ultrapassou 80.000.000 de seguidores. Eles vão à igreja aos domingos, praticam a Comunhão e o Batismo.

Atualmente, é o maior grupo religioso presente na Dinamarca, Groelândia, Islândia, Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Namíbia, nas Ilhas Faroé e em alguns estados no norte dos Estados Unidos.

Quem foi Martinho Lutero

Martin Luther (1483–1546), conhecido também como Martinho Lutero, foi um monge e professor de teologia, precursor da Reforma Protestante e líder do luteranismo. Foi crítico do dogmatismo da igreja católica e não aceitou que o perdão divino fosse feito por meio de compra e venda de indulgências.

Martinho Lutero passou boa parte da sua vida em mosteiro, tentando agradar a Deus, até que tornou-se sacerdote em 1507. Em 1512, graduou-se Doutor em Teologia e, no mesmo ano, recebeu o título de “Doutor em Bíblia”. Três anos depois foi nomeado vigário de sua ordem tendo, sob sua autoridade, onze monastérios.

Luteranismo de Martinho Lutero
Martinho Lutero foi o fundador do Luteranismo. (Foto: Wikimedia)

Lutero opôs-se ao comércio de indulgência, que era a troca do perdão divino por dinheiro para a igreja. Para ele, isso era um abuso que poderia confundir os fiéis e levá-los a confiar apenas nas indulgências, deixando de lado a confissão e o arrependimento verdadeiros. Também criticou práticas e doutrinas de corrupção de determinados setores do clero, acreditando que eram ameaças à credibilidade religiosa.

Lutero desenvolveu sua própria teologia, chamada de teologia evangélica. Voltava-se contra o papado e concentrava-se na fé de cada indivíduo.

As 95 Teses do luteranismo

No século XVI, cenário da Reforma Protestante, as teses eram pontos a serem discutidos perante a sociedade. Um monge chamado Lutero, inconformado com alguns posicionamentos apontados pela igreja católica, sobretudo pelas indulgências cobradas, fixou 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517, com um convite para um debate sobre teologia.

Conta-se que as teses foram escritas para que apenas os alunos de Lutero pudessem ler com intuito de debaterem na sala de aula. No entanto, alguns dos seus alunos fizeram cópias do documento e espalharam pela cidade.

Nas teses de Lutero, ele criticava o papa e julgava a igreja de cometer avareza, um dos sete pecados capitais, quando cobrava indulgência dos fiéis. Tais escritos foram traduzidos para o alemão, distribuídos amplamente para toda a Alemanha e, posteriormente, para a Europa.

Com a divulgação das teses em público, Lutero esperava receber mais apoio, mas acabou sendo excomungado pela igreja. Em 1520, o papa Leão X condenou o líder do luteranismo e exigiu sua retratação mas, ao receber o comunicado, Lutero queimou a bula em público.

Os desdobramentos da sua ação foram para além da Alemanha e culminaram na Reforma Protestante.

Reforma Protestante

As bases ideológicas que deram início à Reforma Protestante surgiram na Pré-Reforma. Embora o maior motivo do movimento tenha sido político, também foi gerado por razões sociais.

Neste contexto, monarcas e camponeses estavam descontentes com a igreja, que recebia tributos feudais em Roma, sob controle do Papa.

Na Alemanha, mosteiros e bispados possuíam grandes propriedades mesmo vivendo às custas de trabalhadores urbanos e rurais, fazendo com que cidadãos comuns se rebelassem.

Esses fieis revoltados apoiaram Martinho Lutero, quando ele foi excomungado pela igreja católica. A situação provocou uma onda de inconformismo, com início no Sacro Império, que posteriormente se estendeu pela Suíça, França, Países Baixos, Inglaterra, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria.

Em repúdio, a igreja católica romana iniciou o movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.

Consequências

Luteranismo igreja no Brasil
A quantidade de protestantes no mundo é cerca de 37%, perdendo apenas para o catolicismo. (Foto: Wikimedia)

As guerras religiosas foram amenizadas em 1555, pelo acordo chamado “Paz de Augsburgo”, que determinou o princípio de que cada governante dentro do Sacro Império poderia escolher sua religião e a de seus súditos. Assim, cada região teve características diferentes do luteranismo.

No Sacro Império a liderança ficou por conta de Martinho Lutero, enquanto que na França e na Holanda os princípios do luteranismo foram ampliados por Calvino, que liderou o calvinismo, e, na Inglaterra, deu-se origem ao anglicanismo.

O calvinismo foi conduzido pelo francês João Calvino, que propagou sua crença teológica dando sequência à Reforma Protestante do luteranismo. Calvino foi defensor de Lutero e, por isso, foi perseguido pela Inquisição.

O calvinismo apresenta cinco principais características identificadas pelo nome TULIP (Total Depravity -Depravação Total; Unconditional Election – Eleição Incondicional; Limited Atonement – (Expiação Limitada); Irresistible Grace – Graça Irresistível e Perseverance of the Saints – Perseverança dos Santos.

O anglicanismo foi uma doutrina protestante conduzida pelo rei Henrique VIII, na Inglaterra, em 1534. Este movimentou preservou os moldes hierárquicos e a adoração aos santos católicos, além de adotar alguns princípios calvinistas. O poder exercido pela Igreja Anglicana favoreceu o Estado, que apropriou-se das terras em posse dos clérigos católicos.

O luteranismo marcou a teologia, história e política da Alemanha e da Europa. Por isso, deixou consequências no mundo, principalmente na Europa.

Atualmente, a quantidade de protestantes no mundo só fica atrás da de católicos, sendo cerca de 37%. Há registros de aumento de protestantes na América Latina e menos “diferenças teológicas” entre católicos e protestantes na Europa Ocidental.

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Chérolet, Brenda. Luteranismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/luteranismo >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 18:01.

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