Machado de Assis

Jornalista, cronista, romancista e poeta, é um dos principais nomes da literatura brasileira

Machado de Assis foi considerado um dos maiores e mais influentes nomes da literatura brasileira. Escreveu em diversos gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário.

Biografia

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. De família pobre, estudou em escolas públicas e não chegou a frequentar uma universidade. Tinha a saúde frágil, pois sofria de epilepsia.

Machado de Assis ficou órfão de mãe e pai ainda criança, sendo criado pela madrasta, Maria Inês. Nesse período,  a ajudava com a venda de doces caseiros, única fonte de renda da família.

Mesmo enfrentando dificuldades não abandonou a escola. Era autodidata e se dedicava a aprender francês com um padeiro imigrante.

Início da carreira

Em 1854, Machado de Assis publicou no “Periódico dos Pobres” seu primeiro soneto dedicado à “Ilustríssima Senhora D.P.J.A”, assinando como “J. M. M. Assis”.

Escritor Machado de Assis
Pintura do escritor Machado de Assis. (Foto: Wikipédia)

No ano seguinte publicou os poemas “Ela” e “A Palmeira” na “Marmota Fluminense”, revista bimensal de Francisco de Paula Brito. Aos 17 anos foi contratado como aprendiz de tipógrafo e revisor na Imprensa Nacional.

Nesse período foi orientado pelo escritor Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um Sargento de Milícias, que foi um grande incentivador da carreira literária de Machado de Assis.

Posteriormente, Machado trabalhou na Imprensa Oficial e colaborou para o importante jornal da época “Correio Mercantil”, escrevendo crônicas e revisando textos. Passou a frequentar teatros e inserir-se em outros meios artísticos.

Aos 21 anos  já era uma figura reconhecida nas rodas intelectuais cariocas. Foi convidado por Quintino Bocaiúva para trabalhar como repórter e jornalista do “Diário do Rio de Janeiro” (1860-1867), no qual posteriormente foi nomeado diretor-assistente por D. Pedro II.

Em 1861, Machado de Assis publicou o primeiro livro. “Queda que as mulheres têm para os tolos”,  um ensaio satírico de autoria do escritor e advogado belga Victor Hénaux traduzido por ele. 

No ano de 1864 publicou sua primeira coletânea de poesias, chamada de “Crisálidas”, e dedicou ao seu pai. Assis também colaborou para o “Jornal das Famílias”, assinando sob pseudônimos.

Com o crescimento do Partido Liberal no Brasil lançou seu nome na política, uma tentativa de melhorar de vida em um cargo público. Contudo, desistiu da ideia por querer comprometer-se somente com as letras.

Nesse período, Machado de Assis já era amigo de José de Alencar, autor de  grandes clássicos literários como Iracema e Senhora,  que lhe ensinou um pouco da língua inglesa.

Os direitos autorais de suas publicações, acrescido da promoção que recebera da Princesa Isabel em 7 de dezembro de 1876 como chefe de seção, possibilitaram que o escritor deixasse o subúrbio para viver no centro da cidade.

Casamento

Carolina Augusta Xavier de Novais, uma portuguesa de boa família, era irmã de um dos amigos de Machado de Assis. Os dois se conheceram quando Carolina foi passar uma temporada no Rio de Janeiro.

O relacionamento entre eles não era bem visto pela família da moça, pois não concordavam que ela se envolvesse com um mulato, além do fato dela ser mais velha que ele.

Contudo, em 12 de novembro de 1869, casou-se com Carolina, a quem apelidou de “Carola”. Assim como o marido, ela era extremamente culta, e contribuiu para o amadurecimento intelectual de Machado.

Carola o apresentou os grandes clássicos portugueses e também corrigia os seus textos, tendo certa influência na forma de escrita do marido e na transição da narrativa convencional para a realista. O casal não teve filhos e permaneceram juntos por trinta e cinco anos.

Academia Brasileira de Letras

Machado de Assis foi um entusiasta e apoiador do grupo que fundou em 1897, a Academia Brasileira de Letras. O intuito era exaltar a cultura brasileira e, principalmente, a literatura nacional.

Por unanimidade, foi eleito o primeiro presidente da Academia e escolheu o escritor e amigo José de Alencar como patrono da cadeira de nº 23.

Morte

Em 1904, com a morte de sua esposa, Machado de Assis permaneceu cada vez mais recluso,  piorando gradualmente o estado de saúde. Mesmo abalado, ainda continuava lendo, estudando, escrevendo e participando das rodas sociais.

Algumas obras do autor foram produzidas durante esse período, como “Esaú e Jacó” (1904), “Relíquias da Casa Velha” (1906) e “Memorial de Aires” (1908).

Em julho de 1908 tirou licença do Ministério da Viação para tratar da saúde e não retornou mais as atividades. Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, aos sessenta e nove anos de idade.

O escritor foi enterrado no Cemitério São João Batista na sepultura da esposa Carolina. Em 21 de abril de 1999 os restos mortais do casal foram transladados para o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

Principais obras de Machado de Assis

Machado de Assis é um dos principais nomes da literatura brasileira. Apesar de mais de um século de morte, suas obras permanecem sendo referência, conferindo-o o título de um dos escritores mais lidos e mais populares do Brasil.

Original, utilizava os eventos da época e as condições humanas para abordar diversas temáticas presentes em suas obras. Apesar de não ter alcançado o reconhecimento internacional em vida, suas obras têm sido traduzidas para o inglês, o francês, o espanhol e o alemão.

Estudiosos afirmam que as obras de Machado de Assis podem ser classificados em duas fases. A primeira ligada à última geração do romantismo, convencional na época, e a outra mais realista.

Os romances machadianos da primeira fase são:

  • Ressurreição (1872);
  • A Mão e a Luva (1874);
  • Helena (1876);
  • Iaiá Garcia (1878);

Já as demais obras da carreira são consideradas como Realismo heterodoxo:

Citações

Lágrimas não são argumentos.

Há coisas que melhor se dizem calando.

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.

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BRITO, Samara. Machado de Assis; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/machado-de-assis >. Acesso em 19 de novembro de 2019 às 05:51.

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