Madre Teresa de Calcutá

A “santa das sarjetas”

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) foi uma das figuras católicas mais respeitadas e admiradas do século XX, tornando-se mundialmente conhecida pelo compromisso e dedicação com os pobres e doentes. Em vida recebeu o Prêmio Nobel da Paz (1979), mais tarde foi beatificada pelo Papa João Paulo II (2003) e canonizada pelo Papa Francisco (2016).

Vida

Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu no dia 26 de agosto de 1910 em Skopje, território albanês (atualmente, a capital da Macedônia). Pertencente a uma família católica de origem albanesa, foi educada em escola pública e, ainda jovem, empenhou-se em atividades paroquiais.

Determinada a seguir sua vocação religiosa, foi missionária e, aos 18 anos, ingressou na ordem religiosa Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, na Irlanda, onde viveu por pouco tempo. Desde que saiu de casa, em 1928, Agnes nunca mais viu sua família, mesmo tendo vivido até os 87 anos.

Em 1931, foi enviada à Índia, para que pudesse dar início ao noviciado em Darjeeling, no colégio das Irmãs de Calcutá.  Lá fez os votos de pobreza, castidade e obediência, quando passou a usar o nome Teresa em homenagem a Santa Teresa de Lisieux, popularmente conhecida no Brasil como Santa Teresinha do Menino Jesus.

Nesse período, a jovem católica começou a lecionar história e geografia em um colégio religioso para meninas de classe alta, quando passou a ser chamada de Madre Teresa. No entanto, convivia com o grande contraste social a sua volta.

O chamado para a caridade

Santa Madre Teresa de Calcutá
Madre Teresa de Calcutá Calcutá (1910-1997). (Foto: Wikipédia)

Madre Teresa de Calcutá atuou como professora durante muitos anos. Por volta de 1946, durante uma viagem de trem, a religiosa ouviu um chamado interior que a fez decidir abandonar o noviciado e se dedicar aos necessitados.

Dois anos depois, pediu autorização para deixar as Irmãs do Loreto. Após o Papa Pio XII lhe conceder a desejada autorização, mudou-se para os bairros pobres de Calcutá e deu início a um curso de enfermagem, que lhe serviu de base fundamental para sua missão no mundo.

No início de 1948, se mudou para um bairro pobre de Calcutá. Abandonando o hábito da congregação do Loreto, Teresa passou a usar um traje indiano, um sari branco com detalhes em azul, e colocou no ombro uma pequena cruz. Foi com este traje que passou a ser conhecida.

Em dezembro do mesmo ano, Madre Teresa de Calcutá conseguiu a nacionalidade indiana. Gradualmente ela deu início a sua missão, passou a visitar famílias em favelas, começou uma escola ao ar livre e cuidou de pobres, doentes e famintos, pedindo ajuda nas ruas.

Congregação Missionárias da Caridade

Pouco a pouco foi angariando adeptas para sua causa, tendo ex-alunas como as primeiras cooperantes. Em 1949, Madre Teresa fundou a Congregação das Missionárias da Caridade, instituição em prol dos carentes, na qual  dedicou décadas de sua vida.

Através da atuação nas favelas, conseguiu construir vários locais de acolhimento, como hospitais e escolas por toda a Índia. As obras realizadas por Madre Teresa de Calcutá ganharam visibilidade e aos poucos se multiplicaram por várias partes do mundo.

Em agosto de 1952, foi aberto o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugurado o “Lar para Moribundos”, em Kalighat. Madre Teresa começou a enviar suas irmãs para outras regiões da Índia.

O Decreto de Louvor concedido em 1965 à congregação pelo Papa Paulo VI, a incentivou a abrir um lar na Venezuela, seguida por fundações em Roma, Tanzânia, União Soviética, Albânia, Cuba e outras dezenas de países em todos os continentes.

Reconhecimento

  • Em 1963, em reconhecimento a seu apostolado, o governo indiano concede-lhe a medalha “Senhor do Lótus“;
  • Em 1971, o Papa Paulo VI concedeu a Madre Teresa o primeiro prêmio Jawaharlal Nehru da Compreensão Internacional;
  • Em outubro de 1979, Madre Teresa de Calcutá recebeu o Prêmio Nobel da Paz. No mesmo ano, a Madre foi nomeada por João Paulo II como a embaixadora do Papa em todas as nações;
  • Em 1980, recebeu a ordem “Distinguished Public Service Award” nos Estados Unidos;
  • Em 1985, Madre Teresa foi até a Casa Branca para ser presenteada por Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA, com Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração do país;
  • Em agosto de 1987, foi condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz;
  • Além disso, diversas universidades conferiram o título “Honoris Causa” a Madre Teresa de Calcutá.

Morte

Em 1979, Madre Teresa visitou o Brasil e durante sua passagem por Salvador (BA), encontrou-se com Irmã Dulce. Em 1983, estando em Roma, sofreu o primeiro grave ataque do coração, aos 73 anos.

Em agosto de 1989, a indiana de origem albanesa realizou um dos seus sonhos, abrir uma casa na cidade Albânia, sua terra natal. Já com a saúde bastante comprometida, em 1990, solicitou ao Papa João Paulo II seu afastamento do trabalho da Ordem. No entanto, foi mais uma vez eleita madre superiora.

No ano de 1996, Madre Teresa de Calcutá publicou o livro “Caminho de Simplicidade“, no qual recolheu a doutrina religiosa que impulsionou sua vida de dedicação aos pobres. No ano seguinte, já fazendo uso de marca-passo, sofreu uma parada cardíaca fatal.

Madre Teresa de Calcutá morreu no dia 05 de setembro de 1997. Seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Angelo Sodano celebrou a missa de corpo presente. O mesmo veículo que em 1948 transportou o corpo de Mahatma Gandhi foi utilizado para o cortejo fúnebre da "mãe dos pobres".

Canonização de Madre Teresa de Calcutá

Por dedicar toda uma vida aos pobres, Madre Teresa de Calcutá foi beatificada por João Paulo II no dia 19 de outubro, em Roma, devido ao milagre ocorrido com Monica Besra, uma indiana que terá sido curada de um tumor no estômago de forma inexplicável.

Após a Igreja Católica ter aprovado a cura do brasileiro Marcílio Haddad Andrino, que se encontrava em coma devido a abscessos no cérebro e hidrocefalia, o Papa Francisco proclamou Madre Teresa de Calcutá como santa no Jubileu da Misericórdia, em 4 de setembro de 2016.

Citações

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.

A raiz de todos os males é o egoísmo.

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BRITO, Samara. Madre Teresa de Calcutá; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/madre-teresa-de-calcuta >. Acesso em 24 de agosto de 2019 às 19:37.

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