Manuel Bandeira

Poeta e crítico literário da fase do Modernismo no Brasil

Manuel Bandeira, registrado Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, nasceu na cidade de Recife, região Nordeste do Brasil, em 19 de abril de 1886.

Foi um poeta, crítico de arte e literário, também considerado um dos melhores tradutores brasileiros e professor de literatura.

Manuel Bandeira
Manuel Bandeira é considerado o segundo melhor poeta brasileiro. (Foto: Flickr)

Integrante da geração de 1992, fase do Modernismo no Brasil, ao lado de João Cabral de Melo Neto, Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Clarice Lispector, foram considerados os melhores representantes da produção literária do estado de Pernambuco.

Vida de Manuel Bandeira

Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e sua esposa Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira. Logo na idade juvenil mudou-se para o Rio de Janeiro em virtude da função do pai, que ocupava a posição de engenheiro do Ministério da Aviação e estudou no Colégio Pedro II.

Na época foi aluno dos conhecidos professores Silva Ramos, de José Veríssimo e de João Ribeiro, tendo como seguidores Álvaro Ferdinando Sousa da Silveira, Antenor Nascentes, Castro Menezes, Lopes da Costa e Artur Moses.

Em 1903, ao concluir o curso de Humanidades, a família novamente se mudou, dessa vez para cidade de São Paulo onde Manuel Bandeira iniciou o curso de arquitetura na Escola Técnica de São Paulo, interrompendo as aulas por causa de uma tuberculose.

Buscando uma recuperação mais rápida, passou a residir, alternando entre alguns lugares, nas cidades de Campanha, Petrópolis e Teresópolis.

Com o apoio do pai, que juntou todas as economias, Bandeira foi para o Sanatório de Clavadel, na Suíça, onde permaneceu de junho de 1913 a outubro de 1914, para tratar a enfermidade.

Por causa do início da Primeira Guerra Mundial, decide voltar ao Brasil e já dedicado à literatura, lança, com recursos próprios, seu primeiro livro “A Cinza das Horas”, em 1917, com uma edição inicial de 200 exemplares. Dois anos depois lança “Carnaval”, seu segundo livro, já por volta de 1919.

Dedicado aos livros e ao ensino, em 1935 foi nomeado inspetor federal do ensino. Um ano depois a obra “Homenagem a Manuel Bandeira”, uma coletânea sobre seus escritos foi assinada e publicada pelos maiores críticos literários da época, o que resultou na consagração do seu nome.

De 1938 a 1943, esteve como professor de literatura no Colégio D. Pedro II. Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Posteriormente, nomeado professor de Literaturas Hispano-Americanas na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, aposentando-se no cargo em 1956.

Quando eleito na Academia Brasileira de Letras, foi o terceiro a ocupar a cadeira 24. A escolha ocorreu em 29 de agosto de 1940, tendo sucedido Luís Guimarães Filho. Na ocasião, Manuel Bandeira foi recebido pelo acadêmico Ribeiro Couto em 30 de novembro de 1940.

Manuel Bandeira faleceu no dia 13 de outubro de 1968 acometido por uma hemorragia gástrica, aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no túmulo 15 do mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

Obra

Da mesma fase literária de João Cabral de Melo Neto, Bandeira possuía um estilo objetivo e direto nas suas escritas, apesar de não ter a mesma característica dura do seu contemporâneo e também pernambucano.

Os temas mais recorrentes nas suas obras envolvem o cotidiano e abordagens universais, muitas vezes permeando os aspectos do poema-piada, usando metodologias e formadas das quais os acadêmicos convencionais consideram vulgares.

Entretanto, sendo um conhecedor da literatura tradicional, fez também uso de temas rotineiros com estilística própria das tradições clássicas medievais.

Na publicação da sua obra de estreia, as composições poéticas possuem um estilo rígido, sonetos com rimas ricas e perfeição na métrica. Manuel Bandeira oscila entre poesias simples e traços clássicos de influência parnasiana.

Convidado a participar da Semana de Arte Moderna de 1922, apesar de não ter comparecido, deixou o poema “Os Sapos” para ser lido durante o evento.

Outros temas também permeiam a composição da sua obra. Portador de tuberculose e ciente da possibilidade da sua morte a qualquer momento, Manuel Bandeira escrevia constantemente sobre o sentimento de angústia e alternativas para sentir alegria de viver.

Há também no estilo de Manuel Bandeira uma certa melancolia, atrelada diretamente a um sentimento de angústia, permeando sempre a sua obra, em que procura uma forma de sentir mais felicidade nas coisas simples do cotidiano.

Doente dos pulmões, Bandeira sofria e vivia angustiado por causa dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento. Essas inquietações eram constantes em sua obra, tornando esses assuntos fatídicos e intrigantes.

“A Cinza das Horas”, do ano de 1917, foi o primeiro livro do poeta. Ele reúne cinquenta poemas, muitos deles com característica antológica como é o caso, por exemplo, de “Desencanto”, “Chama e fumo”, “Cartas de meu avô”, “O inútil luar”, “Solau do desamado”, “Boda espiritual”, “Renúncia”.

O livro tem uma estilística estética da escrita parnasiana e simbolista.

Lista de obras

Entre poesias, poemas e livros, Manuel Bandeira deixou um vasto legado de escritos. Além das homenagens que recebeu e traduções diversas que realizou, sendo considerado também um tradutor de sucesso. Estão listados os principais escritos do poeta modernista do século XX:

  • A Cinza das Horas, 1917 
  • Carnaval, 1919
  • O Ritmo Dissoluto, 1924
  • Libertinagem, 1930 (contém os poemas “Evocação do Recife” e “Vou-me embora pra Pasárgada“)
  • Estrela da Manhã, 1936
  • Lira dos Cinquent’anos, 1940
  • Crônica da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936
  • Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
  • Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940
  • Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940
  • Apresentação da Poesia Brasileira -Rio de Janeiro, 1946; 2ª ed. Cosac Naify – São Paulo 2009
  • Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949
  • Gonçalves Dias: biografia – Rio de Janeiro, 1952
  • Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
  • De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica – Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana – Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Volume 1, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna – Volume 2, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, Nova Fronteira, Rio de Janeiro
  • Antologia dos Poetas Brasileiros – Poesia Simbolista, Nova Fronteira, Rio de Janeiro

Citações

Amizade é como flores, não podemos deixar de regá-las, mas também não podemos regá-las muito.

Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma.

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

A existência é uma aventura, de tal modo inconsequente.

Não aprofundes o teu tédio, não te entregues à mágoa vã.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Manuel Bandeira; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/manuel-bandeira >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 17:16.

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