Marechal Floriano Peixoto

Apelidado de "Marechal de Ferro" foi o segundo presidente da República

Floriano Vieira Peixoto nasceu no dia 30 de abril de 1839, em Maceió.  Filho de Manuel Vieira de Araújo Peixoto e de Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto tinha mais nove irmãos.

Presidente Marechal Floriano Peixoto
Marechal Floriano Peixoto (1839-189) (Foto: Wikipédia )

Devido as dificuldades financeiras, Floriano Peixoto foi criado por seu tio e padrinho, o coronel José Peixoto, um senhor de engenho e influente político local.

Iniciou os estudos em Maceió e, aos 16 anos, ingressou no Colégio São Pedro de Alcântara no Rio de Janeiro.

Em 1857, tornou-se soldado voluntário no 1º Batalhão de Artilharia a Pé dando início a sua carreira militar.

Posteriormente, matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1861, como segundo-tenente e integrando o Corpo de Artilharia.

Em maio de 1865, Floriano Peixoto foi para o Rio Grande do Sul prestar reforço as forças militares do Exército na Guerra do Paraguai. Participou de importantes batalhas da guerra, como as de Tuiuti, Itororó, Lomas Valentinas e Angostura.

Em 1870, após o fim dos conflitos, foi promovido a tenente-coronel. No mesmo ano concluiu o curso de bacharelado em ciências físicas e matemáticas. Dois ano depois, Floriano casou-se com a filha de seu pai adotivo, Josina Vieira Peixoto, com quem teve oito filhos.

Entre 1874 a 1878, foi promovido a coronel e nomeado comandante do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Em seguida, comandou o Arsenal de Guerra de Pernambuco, responsável por fiscalizar as unidades militares da região Nordeste.

Em 1884, Floriano Peixoto foi nomeado comandante das armas e presidente da província de Mato Grosso, durante seu governo apoiou a indústria extrativa do mate e adotou uma política de repressão a índios.

Proclamação da República

No dia da Proclamação da República, Floriano era o responsável pela segurança do Visconde de Ouro Preto, porém se recusou a atacar seu próprio povo.

Após se unir aos republicanos, assumiu a vice-presidência de Marechal Deodoro da Fonseca no Governo Provisório. Posteriormente, foi eleito indiretamente como vice-presidente da República pelo Conselho Nacional.

No decorrer do governo de Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Peixoto passou a integrar o grupo da oposição. Quando Deodoro foi obrigado a renunciar o cargo, em 23 de novembro de 1891, Floriano assumiu a presidência da república.

Presidência da República

Quando Floriano foi empossado, uma agitação tomava conta dos Estados Unidos do Brasil, como o país era chamado na época, causado pela crise econômica e pelos confrontos entre o poder legislativo e executivo.

O governo de Floriano Peixoto foi marcado por seu autoritarismo. Ele pretendia implantar uma república estável e nacionalista, baseada principalmente no exército.

Marechal Floriano Peixoto conseguiu o apoio dos republicanos e de diversos integrantes de outros setores sociais, porém muitos opositores argumentavam a legalidade da posse do marechal e exigiam a convocação para novas eleições.

Para enfrentar essas dificuldades, Floriano contou, principalmente, com o apoio da população de baixa renda com quem construiu uma imagem de bom governante, ao promover a construção de casas, redução do valor dos alugueis e de alimentos básicos.

Além disso, promoveu a isenção dos impostos cobrados nos alimentos, possibilitou empréstimos para apoiar o crescimento da indústria brasileira e adotou medidas de proteção alfandegária.

Floriano ficou conhecido como “Marechal de Ferro” devido a sua atuação agitada e ao pulso firme na tomada de decisões. Enquanto defendia a legitimidade do seu mandado, precisou travar algumas lutas.

Entre 1893 a 1895, Floriano Peixoto encarou a Revolução Federalista que eclodiu no Rio Grande do Sul, na cidade de Desterro, e acabou tomando proporção nacional. Esse conflito se deu devido a insatisfação dos federalistas com o governo republicano.

O movimento perdeu a força em 1894, após as forças federais de Floriano Peixoto vencerem a batalha da Lapa, no Paraná, obrigando os revolucionários federalistas a recuarem. Em 23 de agosto de 1895 a paz foi assinada, firmando a derrota dos federalistas.

Também em 1893, Floriano Peixoto enfrentou uma rebelião liderada por algumas unidades da Marinha que eram contrários às mudanças políticas realizadas pelo atual presidente, eles objetivavam a convocação de novas eleições e a revisão dos militares no poder.

Mesmo sob ameaça de bombardeio com os navios de guerra, Marechal Floriano Peixoto não cedeu a oposição. Organizou o Exército e resistiu à revolta que durou até 1894, este período ficou conhecido como Segunda Revolta Da Armada.

Durante seus três anos de governo, Marechal Floriano Peixoto suspendeu o estado de sítio, estabelecido durante o governo de Deodoro da Fonseca, reabriu o Congresso Nacional, concentrou o poder e adotou medidas para combater a monarquia. Floriano Peixoto foi um dos presidentes do Brasil da fase da República Velha.

No dia 15 de novembro de 1894, Floriano entregou o poder a Prudente de Moraes, primeiro presidente civil e eleito pelo voto direto.

Marechal Floriano Peixoto morreu em 29 de junho 1895, vítima de uma esclerose hepática hipertrófica. Antes de falecer, deixou um testamento político:

(…) Pois a mim me chamais o consolidador da República. Consolidador da obra grandiosa de Benjamin Constant e Deodoro são o exército nacional e uma parte da armada, que a Lei e às instituições se conservaram fiéis.
Consolidador da República é a Guarda Nacional, são os corpos de Polícia da Capital e do Estado Do Rio, batendo-se com inexcedível heroísmo e selando com o seu sangue as instituições proclamadas pela Revolução de 15 de novembro.
Consolidador da República é a mocidade das escolas civis e militares derramando o seu sangue generoso para com ele escrever a página mais brilhante da história das nossas lutas.
Consolidador da República, finalmente, é o grande e glorioso partido republicano, que, tomando a forma de batalhões patrióticos, praticou tais e tantos feitos de bravura, que serão ouvidos sempre com admiração e respeito pelas gerações vindouras.
São esses os heróis para os quais a Pátria deve volver os olhos, agradecida.
À frente de elementos tão valiosos, não duvidei, um momento sequer, do nosso triunfo, e, pedindo conselhos a inspiração e a experiência e procurando amparo no sentimento da grande responsabilidade que trazia sobre os ombros tive a felicidade de poder guiar os nossos no caminho da vitória.
Foi esse meu pape. Se mérito existe nele, não almejo outra recompensa, senão a prosperidade da República e a estima dos que sinceramente lhe consagram o seu amor. (…)

Floriano Peixoto, junho de 18595.

Curiosidades sobre Marechal Floriano Peixoto

  • Marechal Floriano teve sua imagem impressa nas notas de Cr$ 100 colocadas em circulação entre 1970 e 1980.
  • A cidade de Florianópolis se chamava Desterro, com o fim da Revolução Federalista e em homenagem ao então presidente Floriano Peixoto, o governador do estado mudou o nome para Florianópolis.
  • O distrito de Ribeirão da Divisa, em Barra Mansa/RJ, local onde Marechal Floriano Peixoto morreu, recebeu definitivamente em 18 de outubro de 1951 o nome de Floriano, em homenagem ao segundo presidente do país.

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BRITO, Samara. Marechal Floriano Peixoto; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/marechal-floriano-peixoto >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:01.

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