Maria Antonieta

A última rainha do absolutismo francês

Maria Antonieta foi uma arquiduquesa australiana e rainha consorte da França (1774 a 1792) que chegou ao trono graças ao seu casamento com o delfim que viria a se tornar o rei Luís XVI.

Desadorada pelo povo francês, foi duramente criticada por suas extravagancias e condenada à morte por traição após a queda da monarquia francesa.

Infância

Maria Antônia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen, ou apenas Maria Antonieta, nasceu no Palácio Imperial de Hafburg, em Viena, no dia 2 de novembro de 1755.  Era a 15ª filha da imperatriz Maria Teresa, arquiduquesa da Áustria e rainha da Hungria e da Boêmia, e de Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico.

Durante a infância teve uma educação bastante rígida, estudou os idiomas francês, alemão e italiano, etiqueta da corte, religião e música. Em agosto de 1765, Antonieta ficou órfã de pai, por conseguinte a imperatriz nomeou seu filho mais velho (o futuro José II) como seu corregente.

Arquiduquesa Maria Antonieta
Arquiduquesa Maria Antonieta aos quatorze anos. Retrato de Joseph Ducreux, 1769. (Foto: Wikipédia)

Casamento

Por séculos, as famílias reais europeias procuraram fortificar seus laços e estabelecer novas alianças através de casamentos com outras nações e com as filhas da imperatriz não foi diferente.

Maria Teresa do Sacro Império casou sua filha Maria Carolina com Fernando I, rei das Duas Sicílias, e Maria Amália com Fernando I de Parma. Para a mais nova, porém, estava reservado um casamento ainda mais ilustre.

Com o intuito de criar uma aliança com a França e colocar fim a séculos de rivalidade, Maria Antonieta se tornou pretendente de seu primo de segundo grau, Luís Augusto de Bourbon, neto de Luís XV e futuro herdeiro do trono francês.

Em junho de 1769, o noivado foi oficialmente anunciado. Mais tarde, em abril de 1770, ocorreu a união entre do jovem delfim Luís Augusto e a arquiduquesa Maria Antônia, então com 14 anos de idade.

O casamento foi realizado por procuração em uma igreja de Viena. Após a cerimônia, seguida por um suntuoso cortejo de cinquenta e sete carruagens, Maria Antonieta deixou permanentemente a Áustria e seguiu para a França, onde era esperada pela corte.

Rainha da França

Ao desembarcar em território francês, houve uma nova cerimônia de casamento celebrada em Versalhes. Em 1774, com a morte de Luís XV, os dois jovens sobem ao trono. Seu marido foi coroado rei Luís XVI e Maria Antonieta tornou-se rainha consorte da França.

Devido ao ódio cultivado pela inimizade com a Áustria, Maria Antonieta não era vista com bons olhos pela maior parte da corte francesa. Além disso, aumentava a cobrança pelo nascimento de um herdeiro para o trono, que só ocorreu sete anos depois do casamento.

Reinado

Durante seu reinado como rainha consorte da França, Maria Antonieta era vista como uma mulher frívola, que apreciava o luxo e não se importava com o povo.  A jovem rainha adorava se divertir em passeios de carruagem, jogar cartas, promover corridas de cavalos e frequentar bailes repleto de mulheres cobertas de caras joias.

Bastante mimada pelo marido, Maria Antonieta recebeu um presente muito especial, o Petit Trianon, um palácio nas proximidades de Versalhes, construído pelo rei Luís XV para sua amante.

Esse château serviu como uma segunda casa para a rainha, onde passou a abrigar diversas peças do repertório clássico francês, formadas pela rainha e seus parentes. Luís XVI limitava-se a assistir e vibrava com o desempenho da esposa.

Apesar da sua tentativa de empreender numerosas reformas no palácio, os hábitos extravagantes de Antonieta despertaram a antipatia do povo, que tornou-se alvo de revoltas, além de ser acusada de perdulária e promíscua e de influenciar o marido a favor dos interesses austríacos.

Filhos

Em 1778 nasceu a primeira filha do casal, batizada de Maria Tereza, em homenagem à imperatriz. Por ser uma menina, gerou certo descontentamento no povo. Só mais tarde, em 1781, nasceu o tão desejado delfim Luís José; seguido por Luís Carlos, em 1785; e Sophie, em 1786.

No entanto, somente a princesa Maria Tereza Carlota, a Madame Real, chegaria à vida adulta. Sophie morreu aos 11 meses de vida, Luís José aos 7 anos e Luís XVII foi mantido na prisão onde acabou morrendo aos 10 anos de idade devido aos maus-tratos recebidos.

A revolução

O desequilíbrio financeiro da França era algo que acontecia desde o reinado de Luís XIV, chegando ao ápice na década de 1780. Os gastos com a guerra na América, que acabou em 1783, só pioraram o cenário.

Luís XVI tentou estabilizar as finanças do reino com algumas reformas fiscais e administrativas, mas tais ações acabaram por despertar a oposição da aristocracia. Além disso, devido a um inverno rigoroso e a péssima colheita naquela época, os camponeses e o resto do povo francês viviam um período difícil.

Famintos e desesperados, o povo reclamava dos privilégios dos nobres. Perseguido pelas críticas, em maio de 1789, o monarca convocou uma reunião dos chamados Estados Gerais, uma assembleia reunindo representantes do clero, da nobreza e do povo.

Os Estados Gerais não apoiaram as pequenas reformas propostas rei, e logo foram dominados pelos não-nobres. Meses depois conseguiram criar a Assembleia Nacional Constituinte. Nesse período, várias revoltas eclodiram por todo país, culminando na Revolução Francesa.

Enquanto o povo de Paris destruía a Bastilha (prisão-símbolo do autoritarismo do rei), a assembleia abolia o regime feudal e os privilégios da nobreza. Temendo um golpe do rei, votava vários decretos, como:

  • Dissolução da guarda real, principal defesa militar do soberano;
  • Organização de um exército voluntário composto por burgueses e populares;
  • Deportação dos padres que não aceitavam a separação estabelecida na Constituição de 1791 entre a Igreja e o Estado.

Apesar do rei Luís XVI ter sido forçado a aprovar a Constituição, que limitava o poder real, ele possuía o direito a veto e rejeitou todos os decretos.

Mostrando mais poder de decisão que o marido, a rainha exigiu a imediata dissolução dos Estados Gerais, de preferência com a prisão dos militantes mais destacados do Terceiro Estado.

Morte de Maria Antonieta

Em 1791, a situação se agravou. Uma multidão armada marchou sobre Versalhes para exigir pão e apresentar uma petição ao rei. A Assembleia exigiu que o rei Luís XVI dividisse o poder, mas ele não aceitou.

Em junho do mesmo ano Luís e Maria Antonieta tentaram fugir da França, mas foram pegos pelas forças revolucionárias e levados de volta a Paris. Antonieta pediu ajuda a seus parentes na Áustria para deter a Revolução, provocando ainda mais a ira do povo francês.

Auxiliados pela Alemanha, as forças inimigas invadiram o país e ameaçaram marchar sobre Paris se a família real sofresse algo, fato visto como um sinal de traição de Luís XVI.

Por fim, em setembro de 1792, as forças francesas detiveram os invasores, resultando na abolição da monarquia francesa, na Proclamação da República na França e na prisão da família real.

No dia 21 de janeiro de 1793, o rei Luís XVI foi guilhotinado. Maria Antonieta permaneceu na prisão até ser levada a julgamento, quando foi condenada à guilhotina em praça pública. Maria Antonieta morreu no dia 16 de outubro de 1793, em Paris, França.

A ela foi atribuída a polêmica frase, “Se não têm pão, que comam brioches!”, durante sua coroação, em 1774, quando informada sobre a situação do povo das províncias francesas que não tinha pão para comer. Porém, muitos historiadores afirmam que está figura insensível de Antonieta não passa de uma lenda.

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BRITO, Samara. Maria Antonieta; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/maria-antonieta >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 17:50.

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