Mário de Andrade

Poeta, escritor, pesquisador, músico e crítico. Promotor da cultura e do Modernismo no Brasil

Mário Raul Morais de Andrade nasceu em 9 de outubro de 1893, em São Paulo, cidade em que morou por quase toda vida. Desde criança apresentava aptidão para a arte e foi considerado um pianista prodígio.

Escritor Mário de Andrade
Mário de Andrade (Foto: Wikipédia)

Mário de Andrade concluiu o ginásio e passou a frequentar a Escola de Comércio Álvares Penteado, cursando Filosofia e Letras. Contudo, abandonou o curso devido a uma briga com um professor.

Aos 18 anos, ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, concluindo o curso de piano em 1917. Nesta época, foi afetado por um tremor nas mãos que o impedia de se apresentar como pianista.

Mário de Andrade passou a estudar canto e teoria musical com o intuito de se tornar professor de música.

No mesmo anos de sua formatura, publicou seu primeiro livro “Há uma gota de sangue em cada poema”, assinado com o pseudônimo de Mário Sobral. Criticando o massacre causado pela Primeira Guerra Mundial, a obra não causou muito impacto.

Já participante dos grupos artísticos da época, em 1921, Mário de Andrade passou a integrar a Sociedade de Cultura Artística e marcou presença no lançamento do Movimento Modernista no Brasil.

No mesmo ano, seu amigo Oswald de Andrade escreveu o artigo “Meu poeta futurista” no “Jornal do Comércio de São Paulo” apresentando Mário de Andrade ao público.

O ano de 1922 foi um marco na carreira de Mario de Andrade. Tornou-se professor catedrático do Conservatório de Música e integrou o grupo fundador da revista Klaxon, que intensificava a divulgação do Movimento Modernista.

Também publicou “Pauliceia Desvairada“, seu primeiro livro de poemas modernistas. Além de organizar e participar da Semana de Arte Moderna, evento que lhe rendeu uma projeção nacional.

Mário de Andrade completou o Grupo dos Cinco, que incluía Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Menotti del Picchia. Durante a década de 1920, estes artistas empenharam-se em impulsionar o movimento modernista brasileiro, transformando todas tendências artísticas.

Dentre outras características, o movimento modernista tinha o propósito de se desvincular do modismo europeu e gerar uma linguagem própria, nacional, desenvolvendo uma aproximação entre o homem e sua terra.

Em busca de novos conhecimentos e inspirações, Mário de Andrade percorreu o Brasil estudando cada região e suas particularidades, documentando a cultura e a história do povo brasileiro.

Visitou cidades históricas do estado de Minas Gerais, conheceu o Norte e o Nordeste explorando as festas populares, lendas, ritmos, canções, modinhas. O folclore foi um dos estudos que Mário de Andrade mais se dedicou.

Toda essa diversidade cultural serviu de embasamento e inspiração para as obras desenvolvidas posteriormente pelo escritor, como o “Clã do Jabuti”, “Ensaio sobre a Música Brasileira” e “Macunaíma”.

Em 1928, Mário de Andrade trabalhou na “Revista da Antropofagia”, criada por Oswald de Andrade. Também produziu conteúdo para “A Gazeta”, “A Cigarra”, “O Echo”, “Papel e Tinta”, “Klaxon”, “Diário Nacional”, “Folha de São Paulo” e “Diário de São Paulo”.

Entre 1934 e 1938, o autor Mário de Andrade foi fundador e diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Foi afastado do cargo por questões políticas e seguidamente mudou-se para Rio de Janeiro.

Passou a lecionar filosofia e história da arte na atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro, mais tarde assumindo o cargo de diretor do Instituto de Artes.

Por volta de 1940, Mário de Andrade retornou a São Paulo e passou a dar aulas de história da música no Conservatório Dramático e Musical. Também atuou como funcionário do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Em 1945, Mário publicou “Lira Paulistana”, um conjunto de poemas no qual o sujeito reflete a respeito de si e do mundo com base nas experiências vividas na cidade de São Paulo.

Mário de Andrade faleceu no dia 25 de fevereiro do mesmo ano de sua última publicação, em São Paulo. Foi vítima de um ataque cardíaco aos 51 anos.

Obras de Mário de Andrade

Mário de Andrade foi romancista, cronista, ensaísta, musicógrafo, crítico, jornalista, professor, pesquisador, conferencista, poeta e contista. Produziu diversas obras e se tornou uma referência na língua brasileira.

Romances

Mário de Andrade foi autor de dois romances.

Amar, verbo intransitivo” (1927) foi um dos percursores do Movimento Modernista no Brasil. O livro causou impacto, dado que conta a história da iniciação sexual de um adolescente com uma mulher mais velha.

Além do assunto ser um tabu na época, Mário de Andrade inovou a forma de se comunicar com o leitor, discutindo sobre os personagens e usando uma linguagem popular e palavras de origem indígenas.

Em “Macunaíma” (1928), o autor desenvolve a obra através de seus anos de pesquisa pelo Brasil, reunindo inúmeras lendas e mitos indígenas da história do personagem que dá nome ao livro, Macunaíma o “herói sem nenhum caráter”.

Poesia

A poesia de Mário de Andrade sofreu mudanças no decorrer de sua carreira. Após a Revolução de 1930 suas obras passaram a adquirir um tom mais íntimo e pacífico, embora ainda conservasse a linha de denuncia social.

Entre suas obras, estão:

  • “Losango Cáqui”, poesia (1926)
  • “Remate de Males”, poesia (1930)
  • “Poesias” (1941)
  • “O Carro da Miséria” (1946)

No decorrer de sua carreira, Mário de Andrade também produziu ensaios e crônicas, como:

  • “A Escrava que não é Isaura”, ensaio (1925)
  • “Primeiro Andar”, conto (1926)
  • “Belazarte”, conto (1934)
  • “O Aleijadinho”, ensaio (1935)
  • “O Baile das Quatro Artes”, ensaio (1943)
  • “Aspectos da Literatura Brasileira”, ensaio (1943)
  • “Os Filhos da Candinha”, crônicas (1943)
  • “O Banquete”, ensaio (1978)

Curiosidades

  • Em 1960, a maior biblioteca pública da cidade de São Paulo e a segunda maior biblioteca pública do país, deixou de ser Biblioteca Municipal e passou a se chamar Biblioteca Mário de Andrade (BMA), em homenagem ao escritor.
  • A casa em que Mário de Andrade viveu em São Paulo foi tombada em 1975. Tornou-se um museu da Secretaria de Estado da Cultura e integrou a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo.
  • Em 1993, quase 48 anos após a morde de Mário de Andrade, a Casa da Moeda do Brasil emitiu a cédula de 500000 cruzeiros em sua homenagem. Foi a cédula com maior valor de face já emitida na história das moedas nacionais.
Cédula de cruzeiros com efígie de Mário de Andrade
Cédula de 500000 cruzeiros com o retrato de Mário de Andrade (Foto: Wikipédia)

Citações

Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi.

Devo confessar preliminarmente, que eu não sei o que é belo e nem sei o que é arte.

Não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição.

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BRITO, Samara. Mário de Andrade; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/mario-de-andrade >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:59.

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