Marquesa de Santos

Amante do Imperador Dom Pedro I

A Marquesa de Santos foi uma das amantes de Dom Pedro I, Imperador do Brasil, que mais se destacou no período imperial. Exerceu enorme influência na Corte Brasileira através do seu envolvimento extraconjugal com o Imperador, que assumia publicamente seu relacionamento com a moça e fazia-lhes todas as vontades.

Domitila de Castro Canto e Mello nasceu em 27 de dezembro de 1797 em uma família tradicional de São Paulo de linhagem e prestígio. Ela era filha de João de Castro Canto e Melo e de Escolástica Bonifácia de Oliveira Toledo Ribas.

Como era de costume na época do Brasil Imperial, em 1813, aos quinze anos de idade, casou-se com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça que era oficial do segundo esquadrão do Corpo dos Dragões da cidade de Vila Rica/MG, local para onde partiram depois do casamento. Da união do casal nasceram três filhos.

Primeiro casamento de Domitila

O primeiro casamento de Domitila foi conturbado, pois seu marido se mostrava agressivo e por vezes espancava a esposa. Domitila então saiu da casa do seu esposo com os três filhos em 1816 para a casa dos pais em São Paulo com autorização da família, contrariando os costumes de uma época de forte conservadorismo.

Buscando reconciliação com sua esposa, Felício se estabiliza em São Paulo depois de conseguir pelo exército sua transferência de posto para Santos. Pouco tempo depois, retoma sua união com Domitila, em 1818.

Porém, devido a sua personalidade difícil e violenta, Felício volta a agredir a esposa e ameaçá-la de morte. Tomado de raiva, o alferes esfaqueia a esposa duas vezes atingindo a coxa e a barriga, deixando Domitila dois meses internada.

Seus ataques derivavam do consumo frequente de álcool, de raiva e ciúmes da cônjuge. Alguns historiadores acreditam que Domitila já era infiel ao marido nessa época e por isso ele a agredia. Já outros acreditam que a tentativa de assassinato foi motivada por uma herança de terras em Minas Gerais deixada pela mãe de Felício para o casal, as quais ele queria possuir sozinho. Depois disso, Domitila pediu o divórcio, o qual só conseguiu cinco anos mais tarde, em 1824 com a ajuda do Imperador.

O relacionamento entre Domitila e D. Pedro I

Domitila conheceu Dom Pedro I em 1822, dias antes dele proclamar a Independência do Brasil, em uma viagem que fez a São Paulo, através do seu irmão Francisco de Castro Canto e Melo que era amigo e ajudante de ordens de D. Pedro I. O encanto do imperador foi imediato e logo Domitila já estava morando no Rio de Janeiro a convite do monarca.

Em abril de 1825 a amante foi colocada no posto de dama de companhia da própria Imperatriz Leopoldina, em seguida foi intitulada Viscondessa de Santos e um ano depois nomeada a Marquesa de Santos, título pelo qual é conhecida até os dias de hoje. O título concedido em referência a cidade de Santos possuía um teor ofensivo à família de José Bonifácio, personalidade importante de Santos, com quem Dom Pedro I tinha desavenças.

O príncipe-regente não media esforços para satisfazer as vontades da amante e em 1826 a presenteia com uma mansão perto do Palácio em São Cristóvão, conhecida como a “Casa Amarela”, local onde fica hoje o Museu do Primeiro Reinado no Rio de Janeiro.

Dona Leopoldina já estava acostumada com as traições do marido e de início não se importou tanto com a Marquesa de Santos, mas Titília, como era chamada carinhosamente pelo Imperador, acabou tomando muito espaço dentro da Corte, o que trouxe à princesa bastante humilhação, descontentamento e chateação. 

Influência da Marquesa de Santos na corte

A marquesa de Santos exercia forte influência sobre o imperador e através dela pessoas de sua família também receberam títulos imperiais como os pais que se tornaram Viscondes de Castro e a irmã Maria Benedita e o cunhado Boaventura Delfim Pereira que se tornaram barões de Sorocaba.

Às custas do Imperador, a Marquesa de Santos recebeu uma mansão, dinheiro, roupas, joias etc., além dos títulos e ajuda à família. Os amantes tiveram juntos cinco filhos, dos quais apenas dois chegaram a fase adulta.

Por causa da condição de amante, a Marquesa de Santos era vista com maus olhos pela sociedade nobre paulista e o envolvimento com o imperador o transformou em motivo de escárnio pelos brasileiros que já estavam indignados com a conduta do regente.

Consequentemente, agradar publicamente a amante fez a impopularidade do imperador aumentar. Seu comportamento também desagradou as cortes europeias que ficaram escandalizadas. De todas as amantes de D. Pedro, Domitila foi a que mais lhe influenciou.

Marquesa de Santos na Corte Brasileira
Marquesa de Santos na Corte. (Foto: José Rosael e Hélio Nobre – Museu Paulista da USP)

O rompimento com D. Pedro I

A saúde frágil da Imperatriz Leopoldina começou a ser agravada após várias gestações e também por causa do desgosto causado pelas traições do marido que fazia questão de levar a Marquesa de Santos para dentro da casa do casal. Sua morte em 11 de dezembro de 1826 comoveu a população brasileira que seguiu em massa o enterro da Imperatriz.

Para melhorar sua imagem, D. Pedro resolveu contrair matrimônio com uma mulher que estava a “sua altura” sendo de bom nascimento, bela e virtuosa. No entanto, a fama de infiel e o sofrimento causado a Leopoldina pelo envolvimento com a amante Marquesa de Santos prejudicou sua imagem e nenhuma princesa o queria para se casar, pois ele era muito mal visto na Europa.

Finalmente, encontrou a italiana Amélia de Leuchtenberg que se casou com a condição de que a Marquesa de Santos fosse expulsa do palácio.

Em 1829, a favorita do imperador teve que sair da mansão onde morava e voltar para São Paulo, pois sua presença causaria danos ao novo casamento.

Vida após o rompimento

Em 1833, a Marquesa de Santos conhece o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, com quem se casa oficialmente em 1842. Rico fazendeiro e homem público, Tobias de Aguiar foi presidente da Província de São Paulo por duas gestões e deputado provincial por São Paulo.

O político era um dos líderes da Revolução Liberal, que com a iminência de ataque das tropas do Barão de Caxias em Sorocaba, precisou fugir para o sul do país, onde acabou sendo preso. Posteriormente, foi levado para o Rio de Janeiro ainda preso e doente.

A Marquesa de Santos logo que soube do acontecido foi ao palácio implorar ao Imperador Dom Pedro II, filho de Dom Pedro I, para que pudesse ir ao encontro do marido cuidar de sua saúde, o que foi imediatamente autorizado. Em 1844, o casal voltou para São Paulo.

Tobias de Aguiar faleceu em 7 de outubro de 1857 quando ia ao Rio de Janeiro em um trem em busca de auxílio médico. Durante o casamento entre o político e a Marquesa que durou 24 anos, nasceram seis filhos, mas apenas quatro sobreviveram até a idade adulta.

Velhice

A Marquesa de Santos dedicou o final de sua vida em obras de caridade, eventos beneficentes para ajudar famintos e doentes e saraus literários. Sua moradia no Solar da Marquesa de Santos servia de centro da sociedade paulistana e hoje abriga o Museu da Cidade de São Paulo. Domitila de Castro morreu vítima de uma enterocolite em 1867, aos 69 anos.

Citações

***

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Darcicleia. Marquesa de Santos; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/marquesa-de-santos >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 22:19.

Copiar referência