Martin Luther King

Líder negro que lutou contra a discriminação

Martin Luther King foi um ativista norte-americano, reconhecido mundialmente por lutar contra a discriminação. Tornou-se um dos mais importantes líderes dos movimentos pelos direitos civis dos negros e foi a pessoa mais jovem a receber o “Prêmio Nobel da Paz”.

Biografia

Nascido na cidade de Atlanta no dia 15 de janeiro de 1929, Martin Luther King Jr. era filho e neto de pastores batistas, carreira que também decidiu seguir. Aos 22 anos formou-se em Teologia e dois anos depois casou-se com Coretta Scott, escritora e ativista com quem tem quatro filhos.

Desde jovem King tinha consciência de como viviam os negros de seu país, em especial nos estados do Sul. Em 1954 King assumiu as funções de pastor em Montgomery, Alabama, local com foco dos maiores conflitos raciais do país, onde a segregação racial era apoiada pela lei.

Sua luta, de forma pacífica, pelo reconhecimento dos direitos civis dos negros e o fim da segregação racial nos Estados Unidos teve início em 1955.

Ativista Martin Luther King
Martin Luther King (1929-1968). (Foto: Wikipédia)

Boicote aos ônibus de Montgomery

No fim do ano de 1955, uma costureira negra chamada Rosa Parks foi presa após se negar a ceder seu assento para pessoas brancas que estavam no mesmo ônibus da cidade.

Isso porque em Montgomery os motoristas tinham que ser brancos e “as pessoas de cor”, termo usado nos Estados Unidos para se referir a afro-americanos, só podiam ocupar os últimos assentos nos transportes públicos.

Parks foi acusada de violar o capítulo 6, seção 11 da lei de segregação do código da cidade de Montgomery, apesar de não ter sentado em um assento reservado para brancos.

Alguns dias após este fato, alguns ativistas e líderes religiosos, incluindo Martin Luther King, se juntaram no movimento que ficou conhecido como “Boicote aos ônibus de Montgomery“.

A campanha anti-segregacionista, que durou cerca de um ano e dezesseis dias, era coliderada por Martin Luther King e desencadeou o movimento dos direitos civis dos afro-americanos.

Apesar das diversas invasões domiciliares, prisões e ameaças de morte, o boicote só foi encerrado após a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transporte público. Foi o primeiro movimento do gênero a sair vitorioso em solo americano.

Luta de Martin Luther King

Após essa batalha, Martin Luther King participou da fundação da Conferência da Liderança Cristã do Sul (CLCS), uma organização não-governamental focada nas questão dos direitos civis dos afro-americanos.

King era adepto da teoria da desobediência civil, formulada por Henry David Thoreau e preconizadas pelo líder indiano Mahatma Gandhi, no qual inspirou-se para a organizar diversas campanhas pelos direitos civis.

Martin Luther King acreditava que manifestações organizadas e sem violência contra o sistema de segregação, atacadas violentamente por autoridades racistas, resultariam em uma ampla cobertura da mídia e na criação de uma opinião pública favorável aos cumprimentos dos direitos civis.

Essa ação foi fundamental para que os debates a acerca do assunto conquistassem certa prioridade entre as questões políticas, a partir da década de 1960.

A frente da CLCS, King organizou e liderou marchas que resultaram em importantes conquistas, como:

  • O direito ao voto;
  • O fim da segregação e;
  • O fim das discriminações no trabalho.

Além disso, consegue liberar o acesso de negros às bibliotecas, parques públicos e lanchonetes. A maior parte destes direitos foi agregada à lei estadunidense após a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964) e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Eu Tenho um Sonho

Em 1963, Martin Luther King foi um dos organizadores da “Marcha sobre Washington”, que, inicialmente, deveria ser uma marcha de protesto e se transformou em uma celebração das conquistas do movimento negro.

O movimento que reuniu 250 mil pessoas foi palco de seu importante discurso intitulado “I Have a dream” (Eu tenho um sonho), no qual King descreveu uma sociedade, onde negros e brancos possam viver harmoniosamente.

“Estou feliz em me unir a vocês hoje naquela que ficará para a História como a maior manifestação pela liberdade na História de nossa nação. Cem anos atrás um grande americano, em cuja sombra simbólica nos encontramos hoje, assinou a Proclamação da Emancipação (dos escravos). Este decreto momentoso chegou como grande farol de esperança para milhões de escravos negros queimados nas chamas da injustiça abrasadora. Chegou como o raiar de um dia de alegria, pondo fim à longa noite de cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, o negro ainda não está livre. Cem anos mais tarde, a vida do negro ainda é duramente tolhida pelas algemas da segregação e os grilhões da discriminação. Cem anos mais tarde, o negro habita uma ilha solitária de pobreza, em meio ao vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o negro continua a mofar nos cantos da sociedade americana e se encontra exilado em sua própria terra. Então viemos aqui hoje para dramatizar uma situação hedionda. (…) Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais.” Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje. Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de “interposição” e “anulação”, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.”

Parte do discurso de feito por Martin Luther King no dia 28 de agosto de 1963.

Neste mesmo ano, King e outros representantes de organizações antirracistas foram recebidos pelo então presidente John Kennedy, que assegurou dar atenção especial para sua política contra a segregação nas escolas e a questão do desemprego que afetava toda a comunidade negra.

Tal acontecimento irritou alguns ativistas mais radicais, como os grupos ativistas Panteras Negras e o muçulmano Malcolm X, além do grupo racista Ku Klux Klan, que atacavam com violências os participantes do movimento.

A marcha organizada por King resultou na criação da Lei dos Direitos Civis (1964), que garantiu a igualdade de direitos entre brancos e negros.

Prêmio Nobel da Paz

Em 14 de outubro de 1964, Martin Luther King se tornou a pessoa mais jovem a receber o “Prêmio Nobel da Paz”, que lhe foi conferido em reconhecimento à sua nação e à sua liderança na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos.

Morte

A luta de King continuou. Encabeçou algumas manifestações e seguiu opinando sobre o governo dos Estados Unidos. Em 1968 organizou, junto a CLCS, uma campanha por justiça socioeconômica contra a pobreza, que objetivava garantir ajuda para as comunidades mais pobres do país.

Politicamente King apoiava os ideais do socialismo democrático, embora não falasse muito sobre isto devido ao crescente sentimento anticomunista que vinha sendo propagado por toda a América.

King foi objeto de investigação pelo FBI, sendo considerado por John Edgar Hoover um radical. Os agentes do FBI investigaram-no por possíveis ligações comunistas, nessa época o ativista recebeu uma carta anônima ameaçando-o e sugerindo que ele cometesse suicídio.

Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul. No dia 4 de abril de 1968, momentos antes de sair para uma marcha na cidade de Memphis, foi assassinado por um branco.

Vinte anos após o assassinato, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, o chamado Dia de Martin Luther King. No entanto, só em 1993 o feriado foi cumprido, pela primeira vez, em todos os estados do país.

Citações

Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.

Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.

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BRITO, Samara. Martin Luther King; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/martin-luther-king >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:30.

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